Web 2.0 tem um estilo. Mas não é forma, é conteúdo
11 de agosto de 2006, 17:00A “nova fase” da internet nada tem a ver com forma, mas com conteúdo. Tem tecnologia, mas a ênfase está na interação na comunicação entre seres humanos com o objetivo de somar o que se sabe com o que se deseja saber.
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Outro dia li o post Logomarcas tradicionais em estilo Web 2.0, do Carlos Cardoso, que já deu filhotes no blog do Felipe Ranieri e agora brota por aqui. Falava de como diferentes grupos de pessoas entendem a web 2.0.
“Um grupo mais cínico ainda defende que web 2.0 é marketing + cantos redondos + degradê”, dizia o Cardoso. E ele citava um pessoal no Flickr onde os “cínicos” postam logomarcas famosas em versão 2.0.
As releituras das logomarcas são ótimas, e tem umas que são realmente engraçadas. Mas, em termos conceituais, parece que ainda está longe do que seja web 2.0.
A “nova fase” da internet nada tem a ver com forma, mas com conteúdo. E também não se trata de uso intensivo de tecnologia, mas de interação na comunicação. É claro que sempre que algo novo aparece, alguém vai querer vendê-lo. E nisso concordo com o Felipe. Se há um cliente disposto a pagar por um serviço, não vejo mal algum.
Então, quando uma empresa remodela seu site para 2.0, acaba por mudar o seu design para avisar ao mundo que tem algo de diferente ali. Só que não adianta nada mudar a aparência, se a forma de se comunicar continuar idêntica, onde um emissor fala e os receptores escutam. O que os teóricos da comunicação, como Pierre Lévy, perceberam é que as ferramentas que temos hoje nos permitem uma interação maior, em um modelo de “muitos para muitos”, só que sem as fronteiras físicas.
Manuel Castells reforça este pensamento dizendo que “a formação de redes é uma prática humana muito antiga, mas ganhou vida nova, transformando-se em redes eletrônicas de informação energizadas pela internet, que podem envolver pessoas de dentro e de fora da empresa na troca de experiências e na busca de novas abordagens para problemas comuns.” Nada além do bom e velho “dedo de prosa” em volta da fogueira, só que virtual.
Portanto, a web 2.0 é a interação entre seres humanos com o objetivo de somar o que se sabe com o que se deseja saber. Nesta conta um tanto louca, o resultado é a multiplicação dos saberes. Parece mágica, mas é Inteligência Coletiva.
Foi isso que os desenvolvedores do Linux fizeram. Através de listas de discussão, trabalharam em conjunto e criaram a maior dor de cabeça para o Bill Gates. É o que o se chama de empoderamento. Cada um de nós pode mudar as coisas, se tivermos a capacidade de nos articular. Isso, claro, pede uma mudança de postura das mais difíceis: ouvir o que o outro diz, levar em consideração, trabalhar com as diferenças. [Webinsider]


1° Manuel Lemos Data: 11/08/2006 às 11:45 pm
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Finalmente alguém que entende e soube explicar o espírito da Web 2.0 . Parabéns.
Na verdade Web 2.0 é apenas um nome que já se dava a uma prática antiga, que é de permitir que todos usuários possam se tornar relevantes contribuindo contéudo ou prestando serviços à comunidade através do site.
Penso que o Slashdot foi o percurso da Web 2.0, pois permitia que os usuários proposessem novas notícias, comentassem as notícias publicadas, ou moderassem os comentários dos outros para que apenas os comentários de valor pudessem ser filtrados para quem não quer perder tempo com comentários inúteis.
Bem que essa filtragem cooperativa já faz muita falta no WebInsider, agora que todo mundo pode comentar os artigos.
A única coisa que Tim O’Reilly, dono da editora O’Reilly, fez em 2003 foi escrever um artigo que dá um nome simples às práticas dos sites ditos da Web 2.0 e explicar porque isso é bom para o progresso da Web em geral.
A artigo do Tim O’Reilly não foi para anunciar uma novidade, mas sim foi para abrir os olhos dos donos de sites que estavam e continuam perdidos, sem saber como se aproveitar do potencial que a participação efetiva dos usuários pode trazer de valor para os sites.
Há algum tempo atrás me dei ao trabalho de explicar estes e outros detalhes num artigo que escrevi semelhante a este da Ana, precisamente com o intuito de esclarecer uma comunidade dum site que tenho, que desde 1999 se beneficia da contribuição de mais de 1300 autores que distribuem componentes prontos de programação PHP em beneficio de mais 370,000 cadastrados.
O beneficio para a comunidade de desenvolvedores de PHP em geral é extraordinário. Fica aqui o artigo para quem se interessa por Web 2.0 em geral.
http://www.phpclasses.org/blog/post/53-Is-PHP-ready-for-Web-20.html