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Tecnologia - Planejamento - Pequenas empresas

Terceirizar a área de TI por estratégia, não economia

31 de julho de 2006, 14:00

As empresas que pensam em terceirizar a área de TI para diminuir custos trabalhistas estão olhando para o lado errado. A decisão só faz sentido em função de planejamento, com foco em iniciativas estratégicas para o negócio.

Por Reges Bronzatti

Não vou terceirizar a área de TI! A expressão é repetida em salas de reuniões, partindo de altos executivos, alguns nascidos na área de TI, outros com aversão à tecnologia.

Não deixam de ter razão sob certos aspectos diante dos maus resultados que muitas empresas estão obtendo com terceirizações inadequadas, onde a motivação para a decisão foi unicamente a redução de custos trabalhistas.

Iniciar um processo desta envergadura esperando somente uma grande redução de custos e de forma imediata é um dos equívocos clássicos neste tipo de investimento, que passa por contratações de falsas cooperativas de mão-de-obra até uso de supostos artifícios fiscais e trabalhistas, pelo terceirizado, para evitar custos sociais inerentes à alocação de técnicos qualificados.

A terceirização em TI é um instrumento dentro de um processo maior de sobrevivência e competitividade das empresas, traduzida singelamente em preços competitivos e serviços oferecidos e sintonizados com a satisfação dos clientes.

Para que se tenha uma boa terceirização em TI, as empresas precisam entender os potenciais benefícios, os custos envolvidos, as implicações jurídicas e os principais motivos que as levaram a terceirizar - antes mesmo de decidirem o quê terceirizar e com qual fornecedor fechar negócio.

A insegurança da grande maioria dos profissionais e gestores de TI, provocada pelo sentimento, ou realidade, de perda de controle da situação pode ser um fator impeditivo para muitas empresas iniciarem este processo e de se tornarem mais competitivas, usando a TI como alavanca propulsora do negócio.

Neste sentido, é crucial tornar estes profissionais ativos e participantes no processo de transição, já que terceirização não desemprega pessoas, mas, evidentemente, retira muitos da zona de conforto.

O resultado e a efetiva redução de custos com terceirizações bem sucedidas virão ao longo do tempo, a médio e longo prazo, desde que cumpridos todos os passos citados acima. A possibilidade de focar a área de TI com iniciativas estratégicas para o negócio deve ser o maior benefício a ser almejado.

Profissionais e gestores preparados para este modelo passam a ser fundamentais. Terceirizar a atividade de TI é uma filosofia de gestão, onde as atenções e o conhecimento da empresa devem focar o seu produto e o seu negócio. Tornar-se forte nesse assunto e terceirizar aquilo que não contribua diretamente com a razão de ser da organização.

Basta ver as iniciativas de aplicação das melhores práticas no mercado, sistematizados em um conjunto de livros e processos tais como COBIT e ITIL, disponíveis a todos e que, de forma didática, mostram como organizar melhor suas ações táticas e operacionais de TI e permitem visualizar atividades totalmente terceirizáveis e que efetivamente não contribuem diretamente com a atividade final da organização.

É o exemplo da Gol Transportes Aéreos, que já tinha toda a área de TI terceirizada no final da década de 90, antes mesmo de realizar seu primeiro vôo no Brasil. Nos últimos anos tem sido a empresa mais rentável na Bolsa de Valores de SP.

Terceirizar TI não é moda, que vai e vem ao sabor dos tempos e ao sabor da complacência dos consumidores com a qualidade dos produtos.

A percepção sobre o setor de TI, principalmente na alta esfera executiva das organizações, é de um centro gerador de custos e não uma área estratégica do negócio. Por razões históricas o setor sempre teve dificuldades de mostrar seus resultados.

É necessária uma mudança de comportamento que extrapola a questão se quero ou não, se devo ou não terceirizar, quase sempre analisada de forma superficial. Essa mudança deve iniciar nos processos de gestão da empresa com a identificação e análise de como são realizados, hoje, os trabalhos na área de TI e quais são os resultados obtidos até então.

Tecnicamente, um bom mapeamento de todos os processos organizacionais será o ponto de partida. É muito provável que a resposta ao final desta análise crítica, seja: “preciso terceirizar para continuar sendo competitivo!“ [Webinsider]

Sobre o autor

Reges Bronzatti (assecom@cpovo.net) é advogado e consultor em Tecnologia da Informação.

Apoio:

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