Sites do governo têm muito a melhorar nas interfaces
21 de julho de 2006, 15:17Governo age corretamente ao apoiar o acesso ao Estado pela internet. Mas se o foco está no usuário, a maior parte dos sites dos órgãos públicos peca bastante em usabilidade e arquitetura da informação.
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Pelo mundo afora existem administradores do setor público que encaram a internet como uma força no sentido de melhorar o atendimento do Estado aos cidadãos.
Mas há também o contrário: aqueles governantes que vêem na rede uma ameaça ao seu poder e procuram cerceá-la ou controlá-la de diversas formas. O exemplo mais emblemático disto tem sido a China, país cujo governo deseja transformar a web numa gigantesca intranet, bloqueando a liberdade de expressão (com a colaboração inclusive de diversas empresas ocidentais, como Google, MSN, etc).
Felizmente, o nosso país se posicionou no primeiro grupo. Com a crescente importância da internet no setor público, o Brasil desenvolveu o projeto de governo eletrônico com a proposta de ser um instrumento para a transformação da sociedade e do próprio Estado.
O papel do e-Gov no Brasil orienta-se para as demandas dos cidadãos e deve promover o acesso aos serviços públicos, o direito à informação e o direito ao usufruto do próprio tempo (economia de tempo e deslocamentos). Outro papel do e-Gov seria o de funcionar como catalisador de mudanças - diminuindo a burocracia e combatendo os feudos de poder que existam dentro do setor público.
Observa-se que as mudanças introduzidas pela tecnologia da informação e a internet não devem reproduzir as lógicas tradicionais de funcionamento do Estado. Não se trata somente de colocar serviços e informações do governo disponíveis na internet. Lógico que este é o primeiro passo, mas é importante fazer com que se promova o seu efetivo acesso e uso pelos cidadãos.
A visão do e-Gov envolve a participação e o controle social. Esta visão inclui atender as necessidades e demandas dos cidadãos individualmente, mas a vincula a princípios de universalidade. Ou seja, a inclusão digital é um elemento constituinte da política de governo eletrônico.
Brinquedinho de tecnólogos?
Na prova de acesso e uso - me corrijam se eu estiver enganado -, parece que o Estado brasileiro tira notas baixas. Tem pouca consciência sobre as questões relacionadas à usabilidade de suas interfaces. Apesar da lei existente, o Estado pouco tem feito na prática para garantir a acessibilidade de seus portais. A maior parte das organizações públicas encaram os seus sites como peças de marketing ou como brinquedinhos para seus tecnólogos e não como o que realmente são - uma interface com o cidadão.
A evidência disso é que, em alguns órgãos do governo, os sites são avaliados e aprovados por executivos que têm pouca ou nenhuma idéia de como se comporta um usuário real. Em muitos portais do governo, os sites são estruturados com foco em processos internos de decisão e se apóiam em linguagem cifrada ou siglas incompreensíveis para o comum dos mortais. Percebe-se o desrespeito a um dos princípios elementares da arquitetura de informação.
Não há nem sombra da implementação do ciclo de design centrado no usuário ou da engenharia de usabilidade. Testes de usabilidade quase nunca são realizados. O cidadão - que deveria participar do desenvolvimento dos sites, num processo de design participativo - é negligenciado. Além disso, ainda são pouquíssimos os sites de governo que se adequam aos padrões de acessibilidade do W3C (World Wide Web Consortium).
Mais que isso: é preciso alargar o próprio entendimento de acessibilidade. Sites acessíveis devem beneficiar também grupos de indivíduos com deficiências cognitivas, para quem o material deve ser criado com simplificação da linguagem - o que é importante para muitas instituições que trabalham com informações complexas. Mais do que uma questão tecnológica, importa a acessibilidade do conteúdo, principalmente em um país como baixos índices educacionais, como o nosso.
A utilização de imagens, textos, gráficos, animações, contextualização, histórias e multimídias pode fazer parte de um movimento para apresentar ao cidadão informações complexas de modo simples, o que é a base da arquitetura de informação. Todo esse esforço vale a pena para democratizar o fluxo da informação do Estado e para evitar que a sua utilização se torne um privilégio de especialistas. [Webinsider]


1° Flávio Ludgero Data: 21/07/2006 às 7:24 pm
Atividade: Gerente de Projetos Web
Cidade: Brasília
Concordo com as constatações do Luiz.
Entretanto gostaria de deixar aqui registrado alguns cases que fogem aos abordados no artigo.
São projeto que foram produzidos por uma Equipe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior:
http://www.desenvolvimento.gov.br
http://www.telecentros.desenvolvimento.gov.br
http://www.cicex.desenvolvimento.gov.br
http://www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/index.html
Nossos projetos são focados exclusivamente no usuário final do site e de acordo com o objetivo de negócio proposto.
Dessa forma passamos pelas fases: Planejamento, Arquitetura de Informação, Interface, Design, Engenharia de sistemas e Implementação. [não necessariamente nesta ordem]
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Flávio Ludgero
flavioludgero@gmail.com