Políticos praticam o pior marketing na internet
11 de julho de 2006, 12:16Antes, correntes e vírus. Hoje, a campanha eleitoral invade nossas caixas postais, scrapbooks de Orkut e comentários de blogs com mensagens não de anônimos, mas de seres virtuais com nome, foto e preferências.
Por
O tempo passa, o tempo voa e o uso da internet na campanha eleitoral está cada vez mais intenso. O tema já foi discutido em 2002, foi muito discutido em 2004 e, muito provavelmente, será extremamente discutido em 2006.
Estão sabendo do blog do Pero Vaz de Caminha? Seu objetivo é fazer antipropaganda do candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PMDB, o senador Sérgio Cabral Filho, através da publicação de notícias negativas à imagem do atual líder das pesquisas. Cabral, obviamente, não gostou e pediu ao TRE a retirada do ar do blog.
Os autores da “brincadeira” não desistiram e hospedaram o site na Croácia. Em vão, porque, agora, a mensagem que aparece no endereço divulgado é “Removed (under criminal investigation)”. Ontem à noite, o novo endereço do blog era norte-americano.
Supõe-se que a iniciativa tem o apoio de um político concorrente, consciente do poder da guerrilha virtual. Onde está a verdade? No Orkut talvez não. Lá existe um perfil e uma comunidade relacionada a Pero Vaz, onde proliferam mensagens, em diversas comunidades não necessariamente políticas, de perfis evidentemente falsos divulgando o blog e “denunciando” a censura.
Em nome da política, o marketing tem mentira
Antes, correntes e vírus. Hoje, é a campanha eleitoral cuja retoricazinha marqueteira invade nossas caixas postais, scrapbooks de Orkut e comentários de blogs. Provenientes não de anônimos, mas de seres virtuais com nome, foto e preferências.
Um inteligente artifício: o candidato e seus asseclas podem fazer sua propaganda através de pessoas diferentes (e inexistentes), evitando o desgaste da própria imagem e atribuindo ao discurso uma suposta legitimidade, porque passa a falsa impressão de ter sido incorporado por vários membros do povo.
Está claro que a internet e todos os serviços nela disponíveis tornaram-se ferramentas agressivas dentro da guerra eleitoral. Foram lapidadas e são manuseadas de maneira mais objetiva. Candidatos e partidos políticos começam a compreender a rede, fugindo do lugar-comum da simples existência de uma página na web.
O que é abuso e o que é permitido?
O caso Pero Vaz foi um exemplo microcósmico neste ciberespaço infindável. Certamente não é um caso isolado e outros políticos já navegam e desbravam a internet em busca de votos.
Impossível que a legislação eleitoral atual, considerada mais rigorosa que antes, preveja todos os abusos que, certamente, serão cometidos na web. Porém, o que é abuso e o que é permitido? É proibido anunciar no seu próprio blog ou no seu perfil no Orkut o seu candidato de preferência? E manter um espaço na web atacando o adversário, faz parte do jogo ou é crime eleitoral? São dúvidas que surgem com a expansão do ciberespaço e que, lentamente, são debatidas e solucionadas. Acompanhemos. [Webinsider]


1° Decmard Data: 16/07/2006 às 3:09 pm
Atividade:
Cidade:
Os procedimentos de campanha dos políticos se aproximam demais do aspecto legal de “assédio moral”. Me faltam detalhes jurídicos, mas mesmo assim é um assédio!