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A nova web já existe há um bom tempo, sabia?

30 de junho de 2006, 10:01

Web 2.0 é uma evolução natural da própria web e das pessoas que se relacionam com ela, no papel de clientes, consumidores, usuários e profissionais. É um conjunto de conceitos, mais do que novas tecnologias.

Por João Pereira

Neste mundinho lindo que Deus nos deu (pena que poucos o notem), tudo muda. Pois bem, olhem aí o burburinho da nova web, essa tal de web 2.0, onde nunca foram tão patentes os impactos das descobertas, das tecnologias e serviços.

Nossa história tem início na reunião entre O’Reilly Media e MediaLive, com o cunho do termo e o surgimento das primeiras conferências sobre o assunto, isso lá em outubro de 2004. A idéia da nova web é sedutora, o termo ganhou destaque e conseqüente adesão, virou “buzzword”.

Mercado, empresas e profissionais começaram a se movimentar em direção a tão comentada web 2.0. E aí aparecem as primeiras discussões acerca do termo, umas favoráveis, outras nem tanto.

Ainda há aqueles preocupados em alcançar algum lucro com o marketing por trás do nome, que crêem na web 2.0 como revolução, desejando aproveitar o momento e fazer sucesso. Espera-se que daqui a algum tempo não surja uma web 3.0, aí… ploc!, uma nova bolha estoura. Então, lembrem-se: aqui tudo muda. Mas basta de alarmes, o futuro nos reserva algo de melhor.

Porque web 2.0 não se trata de revolução, mas de evolução. De uma evolução natural da própria web e das pessoas que se relacionam com ela, sejam clientes, consumidores, usuários ou profissionais. Mais do que um apanhado de novas tecnologias, a web 2.0 é um conjunto de conceitos, que estão sendo divulgados com sucesso pelos entusiastas da nova web.

Eis aí um grande mérito da web 2.0: transformar o velho, em novo.

Explico-me rapidamente. Alguns conceitos da web 2.0 existem há um bom tempo, mas por alguma razão não foram devidamente fomentados, talvez por falta de suporte tecnológico, ou de visão daqueles que se relacionavam com o meio.

Realmente, talvez a grande sacada não seja simplesmente tecnológica, mas sim humana; vivemos na Era da Informação e parece que só agora despertamos para este mundo, estamos a descobrir a nossa voz, a falar e a ser ouvidos. Antes dependentes dos veículos tradicionais e formadores de opinião (muitas vezes até parciais), agora experimentamos um ambiente em que todos têm a sua vez, todos se fazem ouvir.

Inteligência colaborativa, democratização e descentralização da informação são alguns dos conceitos que começaram a ganhar destaque, e são idéias por demais importantes, que irão mudar nosso mundo e a forma na qual interagimos com ele. É só, por exemplo, observar o sucesso das aplicações sociais: Orkut, Flickr, Del.icio.us, YouTube, entre tantas outras.

Há uma necessidade primária em nos comunicarmos, de expressarmos emoções, de compartilharmos experiências e conhecimentos; nada melhor do que um canal livre e democrático, onde em princípio não há donos, para extravasarmos todo este potencial humano e, no fim das contas, simplesmente nos comunicarmos. É, essa coisa toda da web 2.0 veio bem a calhar.

Bom, aos que ainda não estão familiarizados com “a nova velha web” e seus conceitos, deixo dois ótimos links. Leitura recomendada.

Você sabe o que é Web 2.0? Nossos clientes também não…, por Mauro Amaral, Cris Dias, Fabio Seixas, Humberto Oliveira e Rafael Apocalypse. Possivelmente um dos melhores textos, escritos em português, conceituando de forma didática a nova web e os seus princípios. Com certeza, vale a pena.

What Is Web 2.0, por Tim O’Reilly. Um artigo longo, porém indispensável. Ademais, foi onde tudo começou.

É chegada a hora de finalizar meu texto, não sei ao certo se você, leitor, é profissional da área, ou curioso, seja como for, saiba que nossa web está mudando, sempre e em constante evolução. Eu e você vamos, também, amadurecendo e compreendendo melhor o mundo em que vivemos, absorvendo novas idéias e, o mais importante, nos faremos notar.

Temos todo o potencial de ser uma voz ativa, bastará exercê-lo. [Webinsider]

Sobre o autor

João Pereira (joao.pereira@addcomm.com.br) é profissional de usabilidade e arquitetura de informação junto à Addcomm

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "A nova web já existe há um bom tempo, sabia?"

Rogério Morais Data: 13/07/2006 às 12:38 pm

Atividade:

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Gostei da visão apresentada a respeito da Web 2.0. Muitos associam este termo somente ao conjunto de tecnologias (algumas já antigas) que estão sendo utilizadas (como Ajax), mas concordo quando você disse que o termo está associado a vários conceitos, principalmente ao conceito de o humano como criador, compartilhador de informações na web.

Joe Polo Data: 27/07/2006 às 7:35 pm

Atividade: Ciência da Computação

Cidade:

No mundinho lindo que Darwins e Hawkings nos ensinam a fazer descobertas, não nesse superficial dado por Deus que poucos notam, vejam que toda informação se relaciona entre si.

Nossa história tem início nos pensamentos de Alan Kay, um dos pais da linguagem Smalltalk e do conceito de programação orientada a objetos que lhe valeu o Turing Award em 2003. A idéia é genial, construir sistemas de informação adaptativos, modularizada e baseada na analogia biológica.

Mercado, empresas e portanto profissionais começaram a perceber que para a economia a única coisa certa é a mudança, e a chave para a sobrevivência nos atuais ambientes caóticos de negócios é a capacidade de rápida adaptação e os sistemas de informação que ditam as técnicas dos softwares tem que acompanhar essas mudanças.

Ainda há aqueles que deveriam se preocupar em não perceber que agora vivemos na cibercultura, consequência da globalização e da forma como o uso do ciberespaço afeta nossas vidas. Tudo muda, tudo sempre mudou, como gênios de Einstein à Nietzsche enchergaram.

Nietzsche concebe o corpo como uma unidade organizada de relações complexas de aliança e oposição entre células, tecidos, órgãos e sistemas. Elege o corpo como fio condutor e ponto de partida para uma nova concepção de subjetividade, nesse sentido, está à multiplicidade com um só sentido. Mas é preciso entender a vida como jogo; o jogo se faz e refaz em guerra e paz, no que ainda não é, e no que já é, uma permanente luta. Onde as forças não se anulam, mas se superam. A Luta quem garante a permanência da mudança. Tudo é um eterno vir-a-ser constante.

A linguagem humana exige a presença de um sujeito: eu escrevo; vocês lêem; vocês criticam. Não possui recursos para definir ou conceituar o fluxo, o movimento, como a linguagens orientada a objetos utilizada nos softwares.

Eis aí uma grande mérito aos verdadeiros desenvolvedores de software desse paradigma: abstração.

Explicam-se rapidamente. Alguns conceitos da web 2.0 existem a pouco tempo, isso é verdade, mas por alguma razão a maioria encara a tecnologia como motivo de lucro.

Realmente, talvez a grande sacada seja simplesmente da tecnologia, vivemos na cibercultura e parece que só agora despertamos para este mundo, estamos a descobrir a nossa voz, a falar e a ser ouvidos. Antes dependentes da falta de interação entre as mídias tradicionais um-todos, padre-ouvintes, televisão-ouvintes agora todos podemos interagir com a mídia, que é a mensagem, falamos e escrevemos.

Inteligência colaborativa, democracia direta e descentralização da informação são alguns dos conceitos que começaram a ganhar destaque apoiadas sobre as idéias tecno-sociais como a do movimento do Software Livre, Creative Commons, Copyleft, que influenciam diretamente em nossa cibercultura.

Podemos, a partir de agora, nos organizar de tal forma a exercer a democracia direta, e não a atual democracia representativa do, falido estado. Sistemas de informação, como as redes sociais que organizam nossas idéias de grupo, a inteligência coletiva fruto da cibercultura poderá ser algo de muito importante para a humanidade em escala planetária.

Potencializamos nossas necessidades primárias, compartilhamos informação por redes P2P, aceleramos nossos contatos sociais, consumimos mais informação em 1 ano que a maioria dos humanos na década de 30 - em toda sua experiência de vida. Potencializamos a vida, afetamos o tempo.

Planetários, aqui vamos nós…

Max W. Ourique Data: 10/08/2006 às 12:24 am

Atividade: Orientador Educacional

Cidade: Santo Angelo

Tanta complexidade em função de nossas necessidades primárias, evolução social e virtualismo. Não sei, ainda vale lembrar de nossa natureza humana não só como seres pensantes, mas também como seres orgânicos.
Pierre Lévy prevê algo que, creio poder acontecer, uma implosão da identidade da sociedade gerada pelo virtualismo.
“Conhecimento sem caráter é pura estupidez.”

João Pereira Data: 11/08/2006 às 12:45 am

Atividade: Profissional de usabilidade e arquitetura da informação

Cidade: Rio de Janeiro

Max, acredito que o primeiro passo seja abstrair o termo “web 2.0″, a proposta é justamente tornar simples, e não complexo.

Se o virtualismo é (ou virá a ser) uma necessidade básica e natural, então haverá sim simplicidade. Mas essa necessidade é criada por nós mesmos. Assim, quando cito “simplicidade”, interpreto como um meio para alguma determinada naturalidade, através da evolução e amadurecimento na forma como interagimos com as tais coisas virtuais. Passa, simplesmente, a ser natural porque assim se quiz.

Somos nós os responsáveis por nossas ações e reações… Neste sentido criamos complexidades e necessidades. E, às vezes, vemos o necessário no desnecessário.

Mas vá lá, não sou filósofo, nem sociólogo, ou sei lá o quê, só penso e observo um pouquinho as coisas, e não preciso estar necessariamente correto o tempo todo. São somente humildes conjecturas.

Para finalizar, queria deixar uma citação do Mario Quintana (li, pela primeira vez, no finalzinho de “Fatos Consumados”, um texto da Martha Medeiros publicado no jornal O Globo - 30/07/2006, na Revista de nº105 -; desculpem-me pelo longo parêntesis).

“A filosofia é a triste arte de ficar do lado de fora das coisas, então longa vida aos que preferem estar dentro, mesmo sem entender muito de nada.”

Um abraço.

Avisos
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