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Comportamento - Relacionamento

Seriado Lost mostra modelos de liderança empresarial

24 de junho de 2006, 12:29

Sucesso de seriado da TV apresenta a metáfora de dois tipos de liderança que encontramos nas empresas e organizações. O médico Jack Shepard é o integrador, essencial em um grupo ameaçado.

Por Tadeu Alvarenga

Quem ainda não viu o seriado Lost deve pelo menos saber que se trata de um dos maiores do gênero e também um dos grandes fenômenos de mídia dos últimos anos. Quem já viu, sabe do que estou falando.

A trama é muito simples: um avião cai em uma ilha deserta do Pacífico, perdida no meio de lugar nenhum. De início, os sobreviventes ficam esperando por um resgate, mas logo percebem que este resgate nunca virá. Aos poucos, eles começam a constituir grupos, amizades e alianças. Existe a necessidade de se organizarem a fim de garantir a sua sobrevivência. Líderes – ou candidatos a líderes – surgem e são, de alguma forma, testados.

No fim sobram dois: o médico Jack Shephard e o enigmático John Locke. Todo o eixo da primeira temporada revolve ao redor destes dois. Eles representam formas diametralmente opostas de se encarar a realidade – e, também, por conseqüência, formas inteiramente distintas de se exercer a liderança.

Falaremos aqui do primeiro destes dois e deixaremos o segundo para uma outra oportunidade, caso se apresente.

O Dr. Jack Shephard é o típico líder integrador. Este tipo de líder se caracteriza principalmente por duas coisas: primeiro, por um alto senso de coerência interna, ou seja, de integridade, no sentido maior desta palavra – ou, pelo menos pela busca desta coerência.

Em segundo lugar, este tipo de líder se caracteriza por uma capacidade de transpor esta integração – que lhe é inerente – para o meio que o cerca. Este tipo de líder está sempre buscando integrar as pessoas à sua volta em torno de um propósito comum.

Quando se fala em “liderança baseada em caráter” ou algo do tipo, se fala principalmente deste tipo de líder – do líder integrador.

Também quando se fala que “primeiro se deve buscar a auto-liderança para depois se exercer a liderança junto aos outros” é quase impossível não pensar no líder integrador, pois é exatamente isso que ele faz: ele primeiro busca se integrar para depois integrar o grupo.

Uma imagem simples e poderosa deste tipo de líder é a do pastor de ovelhas. Quando uma ovelha se perde do rebanho, ele vai atrás dela para trazê-la de volta.

O nome do personagem, “Shephard”, em sua origem, não significa outra coisa a não ser exatamente isso: “pastor” e, mais precisamente, “pastor de ovelhas”. Em vários momentos ao logo dos episódios nós vemos pessoas que se afastam emocional ou mesmo fisicamente do convívio do grupo e são resgatadas por Shephard – como um pastor atrás de suas ovelhas.

Este comportamento, inclusive, gerou, em páginas de fãs, a seguinte discussão: “Por que o único médico do grupo de sobreviventes está sempre se embrenhando na floresta atrás de qualquer um que some?”. A resposta já foi dada aqui: não seria possível a Shephard fazer de outra forma, pois esta é a natureza do líder integrador. Nisto consiste, ao mesmo tempo, a sua força e a sua fraqueza.

Muito embora Jack Shephard tenha se firmado na segunda temporada como o líder inconteste dos sobreviventes do vôo 815, houve um momento em que esta liderança parecia oscilar entre ele e o misterioso John Locke (vivido no seriado pelo ator veterano Terry O’Quinn, em magnífica atuação).

Talvez um dos acontecimentos mais significativos e marcantes da primeira temporada foi quando vimos Locke “abdicar” do papel de líder em favor de Jack. Acredito que Locke tenha de alguma forma pressentido que o grupo necessitava daquele tipo de liderança que só o Dr. Jack seria capaz de proporcionar e, por isso, deu um passo atrás. De fato, a presença de uma liderança integradora permitiu que o grupo se tornasse coeso, construísse uma rotina e superasse as adversidades do ambiente.

Isto fica particularmente claro na segunda temporada, quando somos apresentados a um outro conjunto de sobreviventes – que haviam sido separados do grupo principal após o acidente.

No desenrolar da trama, se torna evidente que a falta de uma liderança neste segundo grupo fez com que seus membros fossem abatidos um a um, até se encontrarem com o grupo liderado por Shephard.

A chegada de novos personagens – que por sua vez possuem diferentes estilos de liderança – parece já ter alterado, de alguma forma, o comportamento de Shephard. Que conseqüências isto trará para os sobreviventes do vôo 815? Aguardamos ansiosos. [Webinsider]

Sobre o autor

Tadeu Alvarenga (contato@tadeualvarenga.com) é consultor, palestrante, médico especializado em comportamento e sócio da Alves & Alvarenga Consultoria em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas.

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Comentários

6 pessoas comentaram o artigo "Seriado Lost mostra modelos de liderança empresarial"

Joaquim Data: 17/07/2006 às 6:34 pm

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Não gostei do tom do artigo, por conduzir toda a questão das relações humanas aos indivíduos, e especialmente a um indivíduo. A questão da liderança no seriado nada tem a ver com uma situação real: é apenas uma espécie de caricatura de uma sociedade individualista. Lost parece mais uma colônia de férias (onde todos tem necessidades garantidas, e por isso podem ficar com suas intrigas) do que uma situação de risco. A liderança de Jack nada mais faz além de apagar os outros integrantes, para haverem alguns indivíduos notáveis em cena. Nada a ver com realidade, mas sim, com roteiro, e com fixação do espectador. É um excelente seriado, mas esses fatores que ultrapassam os indivíduos deveriam ser considerados…

Lindenberg Data: 19/07/2006 às 9:35 am

Atividade: Analista de Sistemas

Cidade: rio de janeiro

Gostei do artigo, e acho que sim, de Lost dá para se tirar a visão de liderança que o artigo passa, e se Jack aparece mais é pq é exatamente isso que acontece com um líder, ele quase sempre aparece mais que os outros, seja em Lost no seriado, seja na quadra de volei com o Bernadinho como técnico, seja na seleção de Portugal com Felipão,etc…

Parabéns, espero a continuação.

Fernando Data: 03/09/2006 às 9:51 am

Atividade: Professor

Cidade: Fortaleza

Por que não relacionou o texto a liderança de Jack com a de Locke já neste artigo mesmo para compararmos os modelos de liderança que ora se vincula à realidade empresarial? Tudo pode se vincular a tudo por princípio. Fiquei curioso sobre a análise do segundo personagem.

A série é interessante e intrigante por usar nomes de filósofos e psicólogos famosos em personagens que se ligam às propostas desses pensadores.

Roberta Data: 21/09/2006 às 7:51 pm

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Pra gente poder usar no nosso trabalho.

Anderson Data: 20/10/2006 às 2:05 pm

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Esse artigo é interessante, em concordo em parte também com o amigo do primeiro comentário, essa seriado é uma ficção as atitudes do Dr. Jack estão centradas em seu destaque dentro do seriado mas em alguns momentos podemos tirar uma boa licão para nós.

Debora Data: 26/11/2007 às 7:13 pm

Atividade:

Cidade: salvador

UMA PERGUNTA: O SERIADO LOST FICARÁ SÓ COM O 3ºEPISÓDIO? OU VIRÂO OUTROS?

Avisos
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