Em defesa do Orkut, diante de tantos orkutcídios
05 de junho de 2006, 19:20Você deve conhecer alguém que não entra para o Orkut, por crítica ou timidez diante da idéia de relacionamento online. Diga a ele que entre, nem que seja como treino, pois verá cada vez mais ambientes assim.
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Abrir uma página no Orkut não requer prática nem habilidade. Apenas um convite, que hoje encontramos em qualquer esquina da internet. Porém, às portas da web 2.0, ainda existem aqueles que resistem bravamente a esse sedutor labirinto humano. Pessoas que fariam MacLuhan se revolver na tumba, já que este mesmo não pôde desfrutar da sua aldeia global tão sonhada. Porque internet sem Orkut pode até ser global, mas não tem cara de aldeia.
Eu mesma fui resistente no início. Achava que era um e-modismo entre meus amiguinhos de classe média. A não-deslumbrada aqui estaria fora dessa. Até que um dia, sem-querer-querendo, entrei. Deixei preconceito de lado e mergulhei nas páginas azulzinhas, lentas, cheias de erros e atrapalhadas aferições numéricas (hoje tudo isso resolvido).
Uma vez lá dentro, fiz minha morada, que redecoro de tempos em tempos, de acordo com a fase em que estou vivendo. No Orkut, reencontrei amigos perdidos pela vida, fiz novos amigos (alguns conheci pessoalmente depois), fui convidada para eventos e festinhas, entrei para comunidades (desde as mais insólitas às mais sérias e úteis), exercitei minha curiosidade, minha criatividade e o meu bom-humor, troquei informações e opiniões, fiz contatos profissionais e me perdi e me achei nas mais diversas acepções dessas palavras.
Querendo espalhar a comunhão entre os homens, tentei aliciar a menos que meia-dúzia de amigos não-orkutianos. Encontrei resistência. Vamos aos argumentos que ouvi:
“Como pode um burguesnauta passar boa parte do dia em frente a uma tela azul, cheia de fotinhas?”, disse-me um amigo jornalista. Segundo ele, Orkut é fanatismo. Reclama que para os que estão dentro, os que estão fora são “feios e bobos”. E parabeniza os que reencontraram velhos amigos de colégio e faculdade. Mas acha que é preciso respeitar os que têm os celulares dos velhos amigos. Ok, afinal moramos em um país livre. Mais tarde, em um encontro social regado a vinho, ele comentou, em tom de brincadeira, que “agora já era”, pois depois de dada essa declaração aos quatro ventos, corria o risco de perder a moral caso entrasse para o Orkut.
Outra amiga, também jornalista, respondeu negativamente ao meu convite da seguinte forma: “Eu não quero me expor, não quero que as pessoas tenham acesso a minha foto, meus amigos e meus gostos. Não gosto dessa exposição”. Está aí outro direito que a constituição deve garantir. Mas essa mesma amiga depois me confessou que bisbilhotava pelo Orkut do filho e que, em decorrência dos protestos do rebento, resolveu entrar no Orkut com uma identidade falsa, elegantemente chamada de “fake”. “Você sabia que agora eu tenho um Orkut fake?”, disse-me toda poderosa.
Essa questão da exposição deve realmente ser levada em consideração. Inclusive, já houve caso de seqüestro planejado com informações da vítima obtidas pelo Orkut. Porém, existem algumas maneiras de evitar ter a vida superexposta. Primeiro, o usuário não é obrigado a preencher todos os requisitos com os dados pessoais sugeridos pelo site. Nem foto colocar, se não quiser. Ou coloca uma foto de qualquer coisa que o simbolize.
Outra possibilidade é fazer um perfil falso com informações que não são suas e ter o poder de “fuçar” à vontade. Essa foi a opção que minha amiga encontrou para irresistivelmente entrar no Orkut. Repare que eu falei “entrar no” e não “entrar para”, porque com um perfil fake você entra, mas não “faz parte”. É minha opinião. É uma opção.
Além dessas atitudes, vários membros já adotaram o hábito de deletar e até zerar os seus scraps (recados) com o objetivo de não deixar rastros. Orkut é como tudo. Tem que saber administrar.
Acho que existem outros motivos que fazem alguns não quererem entrar para o site. Pessoas que exercem cargos de poder, por exemplo. Deve ser complicado participar de uma rede onde todos se relacionam de igual para igual. Isso pode melindrar e constranger os manda-chuvas acostumados a relações hierárquicas.
A terceira pessoa para quem perguntei sobre o porquê de não querer participar da festa Orkutiana, um intelectual da comunicação, respondeu-me simplesmente: “Preguiça de aprender como se usa”. Ele ainda não leu o primeiro parágrafo desse texto.
Minha última convidada, uma socióloga pós-doutorada, declarou; “Não tenho tempo”. Para essa não há contra-argumento.
Palmas para o sujeito mais anti-social que conheço pessoalmente, um profissional da área de saúde. Ele não só venceu a barreira de se cadastrar no Orkut, como, aos pouquinhos, vem adicionando amigos e influenciando pessoas. Já até escreveu um depoimento extenso e emocionado para o irmão. Bonito de se ler.
Retomo a questão da segurança como o fator menos atraente do Orkut. Senhas violadas, perfis clonados, comunidades roubadas, invasão de vírus, malucos de plantão etc. Mas nada que se compare às ruas de São Paulo, Rio de Janeiro ou outra grande cidade brasileira. Ainda me sinto mais segura no Orkut.
É claro que a vida é muito mais que uma tela azul. Mas pensemos: e se o sorvete que lambemos, o beijo que damos e o suor que nos escorre não forem virtuais também? E se há alguém do outro lado de uma grande tela negra, cheia de pontinhos brilhantes, brincando de labirinto humano. Pelo menos no Orkut, a gente brinca entre a gente, de mortal para mortal. Ou será que a morte também é virtual?
Restringir o Orkut a rever velhos amigos, fuçar a vida alheia e a todas as vantagens e perigos que descrevi acima é pouco. O Orkut é um caminho sem volta. E como não desisto fácil em se tratando de redes sociais e inteligência coletiva, deixo o meu e-mail para aqueles que subitamente se interessarem. Envio-lhes um convite. E se não gostarem da experiência, há sempre a possibilidade do Orkuticídio. [Webinsider]

1° Levi Data: 20/07/2006 às 11:24 am
Atividade:
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Ola! Muito Interessante o texto! Agora eu quero um convite pra participar do orkut, não conheço ainda a ferramenta! Pode me mandar?
Valeu!
Levi