Webinsider

Mídia interativa - Comportamento - Branding

Brand experience com alta propagação? Tente sexo.

18 de maio de 2006, 0:00

Shaï, marca francesa de moda, tenta uma ação viral para divulgar novo catálogo de roupas. Até aí tudo normal. O curioso é que a campanha é baseada em filmes de sexo explícito.

Por Caio Cesar

O conceito de experiência de marca (ou, do inglês brand experience) é bastante simples: sempre que o consumidor tem contato ou recebe uma mensagem referente a alguma marca há criação, adição ou destruição de valor.

E aqui devemos ser bastante cuidadosos com o conceito de valor. Neste contexto, o valor refere–se muito mais às percepções e associações feitas pelos consumidores às marcas do que aquela relação entre o que eu pago e o que eu recebo quando eu consumo a marca.

O conceito de valor envolvido aqui está muito mais relacionado, neste contexto, portanto, ao conceito de imagem.

Assim sendo, há uma série de ações de comunicação que não têm a direta função de vender algo, mas sim criar a experiência de marca.

Ações como as que estamos acostumados a ver da Chilli Beans, da Nike (o filme Puddles é um exemplo), da Honda (aquele comercial intitulado Cog, para o Accord, é um bom exemplo) e da Diesel têm o intuito de criar a experiência de marca.

A internet, e mais precisamente a web, podem ser excelentes veículos de suporte para ações de comunicação de marcas que visem a criação de brand experience. No que diz respeito às causas sociais, a campanha contra o tabagismo que fez uso de uma fictícia empresa que fabricava um fictício produto chamado ShardsO’Glass (ou picolés de cacos de vidro) pode ser considerado um excelente exemplo de criação de brand experience para uma causa social usando a rede.

Ontem, fui alertado de uma outra campanha um tanto quanto agressiva, mas, desta vez, de uma marca francesa de moda chamada Shaï. Trata–se de uma ação um tanto contundente feita pela agence7seven para criar brand experience para seu cliente. Com o mote “there is no reason to be shy”, a empresa pretende associar o consumo de produtos a situações bastante – digamos – íntimas e envolventes.

Em um microsite específico para o lançamento da coleção de verão de 2006, a marca divulga seu catálogo no formato de pequenos filmes de sexo explícito onde os produtos são coadjuvantes de uma ação principal. São três filmes, que visam agradar todos os gostos, com relações heterossexuais e homossexuais femininas e masculinas.

Quando me apresentaram a ação, o fizeram sob a argumentação de que “esses publicitários não têm limite”. Ao observarmos as peças, numa primeira e superficial análise, o que achamos é isso mesmo.

Numa segunda análise, um pouco mais fria e distante desta campanha, o que percebo é que há, sim, uma espécie de teste dos limites daquilo que é ou não aceitável ou, em outras palavras, “vamos ver até onde podemos chegar”.

Isso porque é difícil falar de limites numa sociedade como a que vivemos. Neste ambiente cada vez mais globalizado e, por consequência, imediatista, onde a superficialidade (“parecer ser” é mais importante do que “ser”) e as sensações encabeçam as listas de prioridades. Muito embora não seja este tipo de avaliação que é nosso foco aqui.

Uma ação como esta da Shaï tem tudo o que é necessário para que a marca fique globalmente conhecida. É um caminho ousado e, muitos diriam que é “sem volta”. Uma vez criada esta imagem junto ao público, fica difícil (quase impossível, dá pra arriscar) desassociar a marca ao sentimento que ela causou nas pessoas com esta ação. Novamente, não é isso que estamos analisando aqui.

Olhando esta campanha podemos claramente perceber em seus componentes os objetivos centrais desta criação: espalhar a idéia. Há uma versão do site específica para acesso via PlayStation Portable e também há versões dos filmes para fazermos download, assistirmos em nossos celulares, iPods ou até mesmo publicarmos em blogs. Além disso, há um espaço para que os usuários manifestem suas reações (positivas ou negativas, não há censura) no próprio site, criando um propósito para que o usuário retorne ao espaço não só para assistir novamente os vídeo–catálogos, mas também para interagir e discutir com outros a sua experiência e suas reações perante aquela iniciativa.

Ou seja, o que eles querem é criar o brand experience e, ao mesmo tempo, espalhar para o mundo (e por isso a escolha desta linguagem pouco ortodoxa em seus comerciais) de uma maneira rápida e, ao mesmo tempo, perene (os filmes, embora contenham produtos que possam vir a sair de linha no futuro, têm mote eterno: o sexo).

Para tanto, o conceito de que a web é uma rede democrática e caótica é usado naquilo que estamos começando a aprender a chamar de “viral”; ou seja: usar a web como suporte e ferramenta de divulgação de mensagens de comunicação através de agendes espontâneos (os usuários) que repassam a mensagem e multiplicam a cobertura. Este repasse e multiplicação da mensagem é parte da ação em si, o que diferencia as iniciativas “virais” de simples reflexos de algo que já ocorreu (ou, em outras palavras: boca–a–boca).

Dessa forma, a web se configura, mais uma vez, numa rede de pessoas, onde o poder de cada um dos usuários é importantíssimo para atingirmos nossos objetivos de comunicação.

Assim sendo, ao invés de condenar a ação da Shaï (como fizeram comigo), ao repassá–la a vocês, alerto para que assistam e entendam os objetivos de criação de experiência de marca que a ação contempla. [Webinsider]

Sobre o autor

Caio Cesar (caiocgo@caiocesar.cc) é professor, pesquisador e consultor em marketing, comunicação, usabilidade e tecnologia.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Sem Categoria

Comentários

8 pessoas comentaram o artigo "Brand experience com alta propagação? Tente sexo."

Rafael Beckel Data: 01/09/2006 às 3:39 am

Atividade: Empresário

Cidade: Salvador

Foi a campanha mais genial que já vi na vida.

Eu não conhecia a marca Shai até ontem, recebi o link via Orkut e agora virei fã deles, simplesmente pela coragem e ousadia. Deu até vontade de comprar. Juro.

Achei esse artigo através de uma pesquisa no Google, com o intuito de saber mais sobre a marca.

Quer algo mais efetivo do que isso? As opiniões sobre a abordagem da campanha se dividem, mas o fato é que ela não teria o mesmo efeito se fosse um softcore. Tinha que ser explícito mesmo. A polêmica, em si, faz parte da campanha e contribui significativamente para o seu objetivo (que é a mídia espontânea).

Gênio quem deu a idéia.

cross Data: 25/09/2006 às 5:19 pm

Atividade: redator

Cidade: londrina paraná

.

olá,
vi shai há mais de 6 meses, em março creio eu e, baixei os vídeos tb.
soube pela primeira vez, acessando o site propaganda interativa e, lá, dizia-se o mesmo que você: antes de atirar a pedra, tente entender o que estão falando.

eu particularmente gosto de todo tipo de audácia e por mais assustador que seja, deixando o queixo caído literalmente, não penso que seja um tipo de ação negativa para a marca, em termos futuros, até pq como vc mesmo disse, hoje em dia esse tipo de coisa é tão normal, sexo e sensualidade, não tanto a sexualidade, no caso os vídeos homo tem um impacto complicado, mas todos assistem.

faço rodinha pra mostrar os vídeos pra muita gente que vai em casa, tomar umas, ver filme e é sempre um sucesso… rs!

no blog também falava-se sobre essa ação ser tão inusitada, que daqui uns anos, quando outras marcas estiverem usando esse mesmo tipo de “apelo apelativo”, shai será sinônimo de propaganda crua e explícita.
tomara que seja.

abraços
cristiano hackl!

.

karine Data: 02/11/2006 às 7:12 pm

Atividade: acompanhante

Cidade: joinville

quero conhece-lo

sara Data: 02/11/2006 às 7:14 pm

Atividade: RH

Cidade: joinville

quero conhecer gente nova

patricia Data: 02/11/2006 às 7:15 pm

Atividade: executiva

Cidade: joinville

procuro novas emoções

Luz Vaalor Data: 08/01/2007 às 11:35 am

Atividade: Consultora de Marketing

Cidade: São Paulo

Caio,
Obrigada por dividir esse seu conhecimento conosco.
Gostaria de dividir esta matéria com vocês sobre o mercado de luxo:
104 • ALSHOP NOTÍCIAS NOVEMBRO • 2006
P O R L Ú C I A TAVA R E S
fi que por dentro - CJE
ALSHOP
um líder de tendências de comportamento e consumo,
“primeiro os ricos fazem, depois todos copiam”,
afi rmou Luz.
O preço defi ne o luxo contemporâneo? Luz respondeu
que não, porque “evoluímos da mera ostentação – a
do ter – para uma forma de luxo aplicada a valores
– a do ser. Quando o consumidor passar a ser o coautor
da marca de sua preferência (incorporando-lhe
valores socialmente aceitáveis) e exigir que o produto
seja politicamente correto, a exorbitância no preço
traduz-se em aspectos desfavoráveis à sua imagem.
De acordo com Luz, recente pesquisa realizada nos
Estados Unidos mostrou que 90% dos
consumidores pensam que o luxo não é
comprar coisas caras ou a marca mais
exclusiva, mas sim ter coisas que traduzam
um comportamento inteligente de consumo,
coerente, por exemplo, com atitudes
de bem estar e consciência social. Um
exemplo dessa tendência de comportamento
no mercado brasileiro, segundo a
consultora, foi a H.Stern ter redesenhado o
mercado mundial de joalheria ao abandonar
a clássica idéia de “ter uma jóia é ter um
diamante”, para criar peças com pedras brasileiras de
menor custo. Essas jóias estão hoje num dos endereços
mais nobres do planeta, a La Croisette, famosa vitrine
de Cannes, ponto de encontro de pessoas famosas
e milionárias; além de outras 160 lojas espalhadas
pelo mundo.
Lembrado o caso das sandálias Havaianas, de tão
baixo custo no Brasil, mas um verdadeiro trading up
de marca nos mercados norte-americano e europeu,
com preços chegando à casa dos US$ 150 o par
estilizado, Luz concluiu que “vivemos num país onde
as pessoas têm muita difi culdade em conseguir se
posicionar e ascender socialmente, então precisamos
ajudá-las ter um comportamento de luxo inteligente
e sem ostentação, mas com bem estar, elegância e
comportamento humanitário”, concluiu.
Associar bom gosto a valores como ética e cultura são
as premissas básicas nas ações do mercado do luxo
contemporâneo. Isso é o que afi rma a consultora de
varejo especializada em pesquisas de tendências do
mercado premium, Luz Vaalor, palestrante na reunião
do Conselho de Jovens Empresários (CJE) da Alshop,
no dia 3 de outubro.
O luxo das cortes européias entre os séculos XVII e XVIII
era baseado em “ter” o melhor e o mais exclusivo entre
obras de arte, jóias, móveis, tecidos, propriedades e
demais valores que estavam ao alcance unicamente
de membros de uma classe conservadora,
situada no topo da pirâmide social. Seu
conceito estava inserido nos atributos,
qualidades e característica daquilo sobre
o que se tinha posse.
Já o luxo contemporâneo, segundo a
consultora, deixa de ter como objeto o
produto em si e desloca-se para o subjetivo
universo do consumidor, repleto
de sentimentos, necessidades e valores
que envolvem especialmente o aprimoramento
sociológico do indivíduo. Hoje envolvido em
questões como responsabilidade social e ecológica,
o consumidor tem parâmetros para avaliar produtos
ou serviços que, além de “lhe tocarem o coração”
respondam à sua preocupação com valores essenciais
à própria “moral da marca”, envolvendo pontos como
a integridade da origem e da confecção dos produtos.
E mais: não há mais o aspecto de exclusividade da
posse do produto. Há, sim, o aspecto da mobilidade
social da aquisição entre as classes, porque a evolução
natural do mercado contemporâneo – massifi cação do
consumo – apregoa que “o luxo de hoje torna-se a
necessidade do amanhã”. Sendo o mercado do luxo
Mercado do luxo consciente
De acordo com a convidada do mês do CJE, a consultora Luz Vaalor, “evoluímos da mera
ostentação – a do ter – para uma forma de luxo aplicada a valores – a do ser”.
Nos EUA, 90% dos consumidores pensam que o luxo não é
comprar coisas caras ou a marca mais exclusiva, mas ter coisas
que traduzam um comportamento inteligente de consumo. ‘ ‘
Luz Vaalor, especialista em
mercado “premium”.www.valorvalor.com.br

YUHI Data: 09/01/2007 às 8:04 pm

Atividade: SEXO

Cidade: GOIANINHA

OI

naninho Data: 22/04/2008 às 8:33 pm

Atividade: estudante

Cidade: salvador bahia

procuro alguem que possa me sastifazer

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider