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As normas para a propaganda eleitoral na internet

24 de abril de 2006, 0:00

Eleições 2006: pelas normas do TSE, os candidatos podem ter sites, dentro de certas condições. Há algumas lacunas: link patrocinado pode? E participar de chat? Nada sobre spam.

Por Ana Amélia de Castro Ferreira

O Tribunal Superior Eleitoral disciplinou as normas da propaganda eleitoral para as próximas eleições de 2006 através da Resolução 22.158, editada março do corrente ano.

Permitida a propaganda somente a partir do dia 6 de julho (art. 1º), permanece inalterada a previsão de que não se caracteriza propaganda extemporânea a manutenção de página na internet, desde que nela não haja pedido de votos, menção ao número do candidato ou ao de seu partido, bem como qualquer outra referência à eleição (§ 3º do art. 1º).

Modernizando dispositivos da Lei 9.504/97 que estabelece normas para as eleições, a nova Resolução incluiu a Internet como instrumento de divulgação vetado para a propaganda intrapartidária pelo postulante a candidatura a cargo eletivo (§ 1º do art. 1º), sujeitando-se o responsável pela divulgação da propaganda – ou o beneficiário quando comprovado seu prévio conhecimento – à multa no valor de R$ 21.282,00 a R$ 53.205,00 (§ 2º do art. 1º).

Igualmente atualizou disposição legislativa anterior – no que se refere à faculdade de transmissão de debates sobre eleições majoritárias ou proporcional – inserindo previsão positiva da veiculação na internet ou em qualquer outro meio eletrônico de comunicação (arts. 19 e 20).

Continua em vigor a proibição de se veicular qualquer propaganda política na internet, entre 48 horas antes e até 24 horas depois da eleição (art. 2º), assim como o impedimento absoluto de qualquer tipo de propaganda eleitoral em páginas de provedores de serviços de acesso à internet, à qualquer tempo (arts. 5º e 74).

Como mecanismo de propaganda eleitoral, está prevista a possibilidade de manutenção pelos candidatos de página na internet – sob o domínio de primeiro nível “.can.br “ (art. 73). Cabe ao candidato interessado providenciar o competente registro de domínio, atendendo necessariamente a especificação de se fazer constar o nome do candidato – correspondendo aquele indicado para figurar na urna eletrônica – seguido do número pelo qual concorre (§ 1º do art. 73).

A concretização do pedido de registro desse domínio ocorre somente após o efetivo requerimento de registro de candidatura perante a Justiça Eleitoral, isento do pagamento de manutenção. Entretanto, corre às expensas do candidato as despesas relativas à criação, hospedagem e manutenção de página (§ 2º do art. 73), previsto o cancelamento automático de tais domínios após a votação em primeiro turno (§ 3º).

Apesar de permitida a utilização do domínio “pontocan” apenas durante o período eleitoral, a extensa maioria dos candidatos adota a terminação “pontocom” – como já ocorre com os anunciados candidatos à Presidência da República. Por não se sujeitar às regras determinadas pelo TSE, concede ao candidato a opção de escolha do nome de domínio que deseja figurar na rede, sem prazo de validade previamente definido.

Por mais esse pleito eleitoral a propaganda realizada por meios eletrônicos não recebeu destaques significativos, pendente de esclarecimentos um elenco de incertezas em relação à legalidade de práticas já utilizadas em eleições anteriores, somadas a outras aplicações ainda inéditas.

Permanecem dúvidas sobre a possibilidade de contratação de links patrocinados em sites de busca, da participação de candidatos em salas de conversação, bem como o envio de propaganda eleitoral através de mensagem eletrônica não solicitada. Nesse último tópico cabe ainda analisar a licitude do uso de listas de endereços eletrônicos livremente comercializadas na rede e o emprego de endereços eletrônicos falsos ou inválidos de emissores, que inviabiliza o descredenciamento por parte do receptor da mensagem.

Portanto, as lacunas legislativas continuarão a ser dirimidas em casos concretos, a exemplo de recente decisão do TSE – sobre o registro de domínio efetivado por terceiro em nome de pré-candidato – determinando a retirada de página na internet, por se configurar propaganda eleitoral extemporânea. [Webinsider]

Sobre o autor

Ana Amelia de Castro Ferreira (anamelia@ism.com.br) é professora da FGV, diretora do Departamento de Direito e TI do Instituto dos Advogados de Minas Gerais e e mantém o blog Propaganda Eleitoral.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ direito ]

Comentários

8 pessoas comentaram o artigo "As normas para a propaganda eleitoral na internet"

rofis elias filho Data: 21/08/2006 às 5:09 pm

Atividade: advogado

Cidade: sp

se não há legislação, o candidato e as empresas de marketing devem utilizar essas ferramentas de forma prudente, mas a meu ver não há nenhuma ingração a legislação eleitoral.

Tharley Igor de Paula Data: 28/09/2006 às 6:46 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Lins

.Tenho notado pedidos de votos em um site de relacionamento, afinal é ou não é permitido?

paulo cardoso Data: 26/03/2008 às 9:57 am

Atividade: atleta

Cidade: goiania

bom dia gostaria de saber, se é permitido usar varios computadores para fazer propaganda politica
não vou usar a internet, e sim uma tela de proteção, toda vez que vc clicar para abrir a internet vai primeiro abrir essa tela de proteção com a propaganda politica.
não estarei usando a internet e sim computadores de amigos e emprezas para fazerem propaganda politica

onde estarei fazendo um contrato com a empreza para que a mesma coloque no seu computador uma tela de proteção com a propaganda politica, toda vez que vc clicar para abrir a internet vai se abrir primeiro essa propaganda

Marcelo Gonçalves Data: 11/04/2008 às 10:04 am

Atividade: Publicitario

Cidade: São Paulo

Acho que deveria ser permitido a propaganda política, a qualquer tempo na internet

Felipe Leão Data: 22/07/2008 às 4:40 pm

Atividade: Médico

Cidade: São Paulo

Recebi spams sucessivos de um candidato a vereador, um tal de Marcelo Lobo, do PV…
Se o pilantra já não respeita os outros agora imagina se for eleito???
Como denunciar no TRE?

Arnobio Carneiro Araujo Data: 29/07/2008 às 12:58 pm

Atividade: Comerciante

Cidade: Ponto Novo

É legal exibir fotos, números e slogans de candidatos em telões?

Rodrigo Vallorini Data: 03/08/2008 às 3:35 pm

Atividade: estudante

Cidade: Vitória

Gostaria de saber se propaganda eleitoral através de site de relacionamento (orkut) é permitida?

Eduardo Data: 26/08/2008 às 5:39 pm

Atividade: Corretor de IMoveis

Cidade: Jardinopolis

Bom dia,
GOstaria de saber se o candidato pode fazer propaganda eleitoral atraves do site de relacionamento “orkut”, aguardo o retorno. Grato

Avisos
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