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Redação, edição - Jornalismo

O ensino de jornalismo e o trabalho nas empresas

31 de março de 2006, 0:00

O mercado de trabalho atravessa mudanças importantes, com perdas aqui e ganhos ali. Há demanda para a atuação de jornalistas no ambiente corporativo, o que deveria receber mais atenção por parte das universidades.

Por Guilherme Girão

Assim como em qualquer outro mercado, o tempo fez com que a profissão do jornalista sofresse algumas mudanças. Tanto de perfil do profissional quanto de áreas de atuação. Algumas portas estão se abrindo e outras se fechando. Vários fatores poderiam ser citados e enumerados para comprovar este fato. Porém, é preciso chamar a atenção para um ponto importante.

Atualmente, o segmento que mais absorve os jornalistas é a comunicação organizacional. E é sobre este prisma que se torna necessário reavaliar a formação dos novos profissionais. É para, no mínimo, estranharmos que uma mudança tão profunda no mercado não reflita em um novo rumo do ensino das faculdades e universidades.

Claro, não podemos deixar de lado a origem do jornalismo nem devemos esquecer a missão deste profissional. Não acredito que devemos rasgar as estruturas curriculares montadas para formar jornalistas. Mas, talvez, seja possível direcionar cada conteúdo para formar também a comunicação empresarial. Se ensinam como trabalhar em TV, pergunta–se: por que não aprender também a avaliar a imagem de uma empresa e qual posicionamento dela?

Se estudamos como redigir um texto de jornal ou revista de massa, porque não nos mostram que para escrever para funcionários de uma instituição – mural, jornal, revista ou intranet – é preciso entender o perfil do público e identificar a melhor linguagem para abordá–los?

Algumas questões poderiam ser levantadas nesse sentido, pois o que se vê no mercado é que o profissional de jornalismo é o menos preparado, em comparação ao relações públicas e ao publicitário, para assumir algum cargo administrativo. Grande parte dos profissionais que se destaca no meio organizacional aprendeu a trabalhar na prática. Isto porque é deficiente e insuficiente o que se ensinam sobre administração e marketing. Noções de avaliação de mercado, posicionamento e imagem, público–alvo, segmentação e custos que podem definir uma boa política de comunicação de uma empresa.

É possível perceber ainda uma carência em estudos acadêmicos relacionados ao assunto. Talvez este seja um agente responsável por criar barreiras nas instituições de ensino para a comunicação organizacional. Porém, se não há incentivos para que se reflita e discuta o assunto, a evolução do tema será lenta. Quem perde com isso somos nós, os próprios jornalistas, que conquistamos um mercado de atuação importante e em constante crescimento.

Uma nova mentalidade dos educadores pode modificar este quadro. Sugiro uma mudança de pensamento que poderá, inclusive, fortalecer a profissão.

De início, basta mostrar que antes de comunicar é preciso pensar. Aquele que planeja e segue uma estratégia terá mais chances de sucesso do que aquele mero reprodutor de modelos prontos de comunicação. O mais interessante a se fazer, neste caso, seria unir a visão de mercado dos profissionais e das empresas que investem neste segmento com as instituições de ensino. Definições unilaterais não farão consenso. [Webinsider]

Sobre o autor

Guilherme Girão (guilherme@2inc.com.br) é jornalista, com especialização em marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

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