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Como (e quando) o executivo deve procurar emprego

27 de março de 2006, 0:00

A habilidade de compreender o mercado e seus movimentos leva o executivo a antecipar–se e começar a elaborar a carreira na busca de melhores patamares. Há qualidades em alta. Conheça estes requisitos.

Por Federico Guillermo Mauro

O executivo moderno deve ter, além de um bom currículo, a habilidade de compreender como o seu mercado se comporta e a capacidade de se adaptar rapidamente às suas transformações. Só assim terá possibilidade de sobreviver num cenário de economia globalizada em que a rapidez nas decisões é diretamente proporcional à velocidade das informações.

Se pudéssemos elaborar um “Manual do Executivo Moderno”, seu primeiro capítulo seria “Como e quando procurar emprego”. Começa aí a habilidade de compreender o mercado, seus movimentos e antecipar–se a eles. A experiência de anos na seleção de executivos mostra que o simples fato de elaborar o currículo já dá indicações do perfil do profissional. Por meio dele, sabemos se o candidato é objetivo, estratégico, burocrático, etc.

Empresas de recrutamento e seleção de executivos recebem centenas de currículos por dia, e os consultores, por maior que seja sua boa vontade, não têm tempo hábil de lê–los integralmente. Assim, quem monta um calhamaço para falar da carreira profissional pode perder a chance de ser indicado a uma vaga simplesmente por falta de tempo do consultor.

Por isso, os currículos devem ser sucintos, diretos, materializando, em duas ou três folhas, o que o candidato tem de bom, suas habilidades, competências e seus objetivos, despertando a curiosidade e interesse do consultor.

É importante mostrar em termos palpáveis o conhecimento do negócio e suas realizações. Assim, se o candidato é um profissional de vendas, por exemplo, é importante que ele mostre o que vendeu, que resultados alcançou, qual era a cota, quanto superou da cota, como fez para acessar o cliente, etc.

Faz parte também desse conceito de compreender o mercado, perceber a época mais adequada de lançar–se nele, quer para uma primeira oportunidade, quer para um novo desafio em outra empresa. Estatísticas baseadas em dados obtidos no segmento industrial nos últimos cinco anos mostram que, em geral, há dois picos anuais de contratação: o primeiro no período de março/abril/maio, devido à natural expectativa de aquecimento da economia no começo do ano, e o segundo, em setembro/outubro, por conta da correção de rumo de projetos e da projeção de metas para o ano seguinte.

Esses dados mostram também que as empresas costumam planejar suas ações de admissão ou demissão com uma antecedência média de quatro a cinco meses, sempre com os olhos voltados para o desempenho da economia. Isso quer dizer que quando as empresas começam a contratar, esperam um pico de mercado dentro dos próximos quatro ou cinco meses. Da mesma forma, quando param as admissões é porque prevêem uma queda no negócio em quatro ou cinco meses.

Como essas políticas são elaboradas por quem ocupa o topo da pirâmide corporativa, uma boa rede de contatos faz as vezes de termômetro do cenário profissional, permitindo uma noção geral do panorama.

O executivo moderno tem também de saber quais qualidades o mercado procura para seus futuros colaboradores de acordo com o nível hierárquico a ser preenchido, e habilitar–se de alguma forma para desenvolvê–las.

É interessante notar que, segundo demanda colhida nos mais significativos segmentos da indústria nos últimos cinco anos, existem qualidades que são tidas como indispensáveis em todos os níveis hierárquicos: ética, inteligência emocional, adaptabilidade ao ambiente e tenacidade.`

Para as funções do topo da pirâmide corporativa – CEO, comitês gerenciais e alta gerência – as empresas buscam em seus futuros colaboradores habilidades de negociação, visão estratégica, liderança, capacidade de formar equipes, capacidade de delegação e incentivo dos subalternos, orientação a resultados, gerenciamento de mudanças e fluência em outros idiomas.

De posse desses dados, o profissional de qualquer ramo de atividade pode começar a elaborar a carreira na busca de uma primeira colocação, ou modificar seu rumo, no intuito de galgar patamares ainda não atingidos.

O executivo moderno deve alcançar os objetivos propostos pela empresa, mas não pode esquecer que enquanto profissional ele é uma empresa individual e precisa correr atrás de seus objetivos. [Webinsider]

Sobre o autor

Federico Guillermo Mauro é consultor sênior e sócio da Transearch Brasil, especializado nos segmentos de bens de consumo, farmacêutico, hospitalar e tecnologia.

Apoio:

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