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Design - Criação - Redes sociais

Frederick van Amstel
Hipermídia

Webdesigner 2.0

22 de março de 2006, 0:00

É chegada a hora do upgrade profissional.

Por Frederick van Amstel

A Web está mudando muito nos últimos anos para atender a crescente demanda por interatividade. As pessoas querem mais do que hipertextos, elas querem um meio para realizar atividades em conjunto com outras pessoas à distância. Para atender essa demanda, estão sendo criadas inúmeras aplicações que rodam na “plataforma Web”, ou seja, aproveitam a arquitetura cliente–servidor do protocolo http para seu funcionamento. O desafio de projetar uma aplicação dessas é muito maior do que projetar simples websites estáticos, portanto, é chegada a hora do webdesigner expandir seus horizontes.

Quem tem experiência na área sabe que não tem muito segredo projetar sites estáticos simples. O cliente especifica a mensagem que deseja transmitir com o website, o webdesigner cria a forma da mensagem e, uma vez aprovada, o site é produzido. Raramente é preciso fazer planejamentos detalhados e pesquisas com usuários.

Projetar uma aplicação é bem diferente. O centro das atenções não é mais nosso cliente e sim o cliente de nosso cliente, o usuário. A aplicação é feita para atender as demandas dele. Se ela falhar nesse objetivo, estará tudo perdido, mesmo que nosso cliente tenha gostado da interface.

É por isso que não adianta começar uma aplicação sem entrar em contato com seus usuários potenciais para verificar se eles realmente precisam das funcionalidades da aplicação ou se há alguma discrepância entre seus desejos (e os desejos dos clientes) e a realidade. É comum clientes e usuários solicitarem funcionalidades que depois de implementadas ninguém usa, ou porque não tem utilidade ou porque são complicadas demais.

O mercado está precisando de profissionais que saibam conversar com clientes, usuários e programadores para projetar aplicações, seja qual for a plataforma necessária: PC, Palmtop, celular ou TV Interativa. Alguém que sente numa mesa de negociações preparado para argumentar com engenheiros, administradores, publicitários e até políticos, de igual para igual.

Além do conhecimento necessário para isso em Psicologia, Negócios, Comunicação e Tecnologia, esse profissional precisa de um título respeitável. Webdesigner é coisa de sobrinho. O profissional maduro entende que a web é só um dos meios que pode utilizar para viabilizar a interação entre pessoas, portanto, o título mais adequado seria designer de interação.

Nos Estados Unidos, o título interaction designer já é usado há alguns anos pelos profissionais responsáveis por definir a maneira como as pessoas interagem com produtos e como o design do produto explica essa maneira.

Designers de interação concentram–se na função do produto, enquanto designers gráficos e designers de produto preocupam–se com a forma. Se no design é a forma que segue a função e não o contrário, o design de interação começa antes do design gráfico, mas ambos se entrelaçam em determinada altura do projeto. O designer de interação deve, então, reconhecer que a forma não é menos importante do que a função e colaborar para que esses dois aspectos estejam em consonância perfeita.

Devido à sua forte ligação com a tecnologia e o racionalismo, o designer de interação prefere abordagens analíticas e metódicas para a solução de problemas. A abordagem criativa e espontânea não é rejeitada, mas sim delegada ao designer gráfico. Por um lado isso permite que cada profissional vá mais a fundo em seu problema, por outro, minimiza a visão holística do produto final, que pode acabar se tornando um Frankenstein. Já que a tendência do mercado é estimular a especialização, o jeito é aumentar a integração entre esses profissionais.

A maioria das empresas brasileiras que fazem design de produtos interativos organiza seus projetos apenas pelo encargo de funções. “Você será responsável por isso, você por aquilo”, diz o gerente de projetos. O risco dessa abordagem é cada profissional ficar alienado do resto do processo e interagir com os demais apenas quando recebe suas tarefas e depois quando repassa o resultado. Além do encargo de funções, é importante ter uma metodologia de projeto consistente, que defina etapas e procedimentos padrão para todos os projetos. Assim, cada profissional pode entender melhor o papel do seu trabalho e dos demais membros da equipe no projeto.

O designer de interação pode contribuir muito para a elaboração de uma metodologia de projeto, pois além de contar com a capacidade analítica necessária para abordar um problema por partes, ele conhece métodos para interagir com usuários durante o projeto. O bom designer de interação sabe entrevistar usuários, organizar testes de usabilidade, aplicar sessões de card–sorting e realizar outras atividades com usuários se for necessário.

Se você era feliz com o título de webdesigner antes de ler esse texto e não conhecia esses métodos e nem como elaborar diagramas de fluxo de tarefas, documentar padrões de interação, escolher controles de interface (widgets), interpretar resultados de pesquisas, montar protótipos e outras atividades comuns aos designers de interação, então é hora de rediscutir sua carreira, consigo mesmo e com outros profissionais. Se os estadunidenses, que são líderes nessa área, criaram o termo “Web 2.0” para definir as mudanças que estão ocorrendo no mercado, é porque elas não são fracas, não. Quem não estiver preparado para elas, vai perder espaço. [Webinsider]

Saiba mais sobre o assunto:

Sobre o autor

Frederick van AmstelFrederick van Amstel (fred@usabilidoido.com.br) é editor do Usabilidoido e mestrando em Tecnologia pela UTFPR.

Apoio:

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ viral ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Webdesigner 2.0"

Moisés Ribeiro Data: 14/07/2006 às 5:17 pm

Atividade: Designer de Interfaces

Cidade: Porto Alegre

Agora que o Webinsider tem comentários, vou trazer pra cá o que eu já tinha escrito lá no usabilidoido:

O que mais me intriga no texto é que parece que tu citas esse momento como um start de algo que já existe há muito tempo:

“Projetar uma aplicação é bem diferente. O centro das atenções não é mais nosso cliente e sim o cliente de nosso cliente, o usuário. A aplicações é feita para atender as demandas dele. Se ela falhar nesse objetivo, estará tudo perdido, mesmo que nosso cliente tenha gostado da interface.”

O cliente do nosso cliente, sempre foi o centro das atenções. É o usuário final, aqueles que muitos designers de interface desejam conhecer. Isso não se estabelece nesse momento. O Jakob Nielsen, por exemplo, fala disso desde que ele começou a escrever sobre o assunto, e não foi agora, em 2006, que ele resolveu se preocupar com o usuário.

Mesmo quando, “O cliente especifica a mensagem que deseja transmitir com o website, o webdesigner cria a forma da mensagem e, uma vez aprovada, o site é produzido” o designer de interface não é um mero arrastador de pixels. Ele pensa no projeto, entende necessidades e questões relativas ao público-alvo e usabilidade, e só por fazer isso já pensa no usuário.

Se essa “aprovação da forma da mensagem” é feita pelo cliente (não o usuário), mesmo sem pesquisas ou testes com usuários, ainda assim o designer reuniu o seu conhecimento e experiência como profissional e especialista para resolver a tarefa. Dentro do contexto, o nosso cliente aprova o que atende ao seu usuário, o seu ´prospect´, o seu cliente.

Obviamente que o texto é bem-vindo, no sentido de despertar aqueles que ainda não focaram em uma especialidade. Mas acredito que haja diversos designers já trabalhando, há bastante tempo, pró-usuário.

Talvez seja a realidade do mercado onde atuo, diferentemente da experiência que tens vivido onde passas.

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