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Microsoft lança suíte Expression para designers

23 de setembro de 2005, 0:00

Com o anúncio da suíte de desenvolvimento Expression, voltada para designers, Microsoft passa a concorrer com Adobe e Macromedia e tem como trunfo o xaml, formato proprietário baseado em xml.

Por Wanderson Andrade

O Microsoft Expression Studio, anunciado semana passada, é formado por três aplicativos: Acrylic Web Designer, Sparkle Interactive Designer e Quartz Graphic Designer. Durante o evento PDC, a Microsoft realizou algumas demonstrações públicas de seu novo empreendimento.

O Expression Studio é fruto da aquisição em 2003 da Creature House Ltd, empresa desenvolvedora baseada em Hong–Kong. Trata–se de uma ferramenta de autoria gráfica que permite exportações no formato XAML – que se pronuncia ZAML –, o pilar de sustentação para o WinFX, que envolve geração de tecnologia gráfica e serviços web, ambos desenvolvidos pela Microsoft.

A principal inovação dessa tecnologia é que toda a transmissão dos dados, seja imagens 2D ou 3D, vídeos, áudio ou texto, será feita através de XAML, com as aplicações mais leves e rápidas.

A Microsoft pretende ampliar ainda mais sua atuação no mercado de desenvolvimento de softwares e aplicativos web – até então não dava nenhum suporte aos designers, a não ser pelo Paint, deixando essa boa fatia para “concorrentes” como a Macromedia e Adobe. Faz sentido porque o Expression Studio estará totalmente integrado à suíte de desenvolvimento do Visual Studio .Net, em função do formato XAML.

O Acrylic está disponível hoje para download gratuito no site da Microsoft (mediante registro).

São muitos os benefícios aparentes de utilizar uma suíte integrada a uma suíte de desenvolvimento já amadurecida, como o Visual Studio. Entre eles a integração do projeto em diferentes níveis de interação, a integração da própria equipe em seus diferentes níveis de desenvolvimento e o usufruto do ambiente e ferramentas de desenvolvimento já disponibilizado pela Microsoft, como o Microsoft Source Safe, que disponibiliza um ambiente para compartilhar, gerenciar e interagir arquivos entre uma equipe.

Assim como é hoje o Visual Studio, a nova suíte também suportará desenvolvimento para aplicações de desktop, ou Windows Forms. O designer que pretende trabalhar com essa nova tecnologia, além de desenvolver websites, poderá se interessar em desenvolver aplicações, como softwares.

Segundo a apresentação de Kerry Bodine, entitulada A nova expressão da Microsoft nos alvos das ferramentas de designer, “programadores de software têm consciência de seus prazos, escopo e qualidade. A complexidade de coordenar ou dividir essas metas com designers acaba criando uma enorme tensão. O resultado é que a experiência do usuário não se torna prioridade no desenvolvimento de sites e aplicações. Novas ferramentas que façam uma integração de maneira mais fácil entre o design e o processo de desenvolvimento podem ajudar a corrigir este problema, tornando mais fácil a equipes de desenvolvimento a criação de interfaces mais ricas e mais usáveis.”

Eis algumas características da suíte Expression, segundo a Microsoft:

Acrylic Graphic Designer. Ferramenta de edição de imagens, que pretende concorrer com as ferramentas de edição vetorial e de tratamento de imagens que já conhecemos. Possuí uma paleta de efeitos muito parecida com o de outras ferramentas gráficas, com a flexibilidade de produção de ilustrações baseadas em pixel e vetores. Facilidade de manipulação do design para o desenvolvimento. Exportação das imagens em diversos formatos e para outros softwares como Microsoft Visual Studio e XAML

Sparkle Interactive Designer. Ambiente de design rico que habilita a combinação de múltiplos elementos de mídia, tais como vetores, imagens baseadas em pixels, imagens 3–D, vídeo e ricas animações, como interfaces “cinematográficas”. Os estágios de protótipo, projeto e do desenvolvimento dentro do processo do desenvolvimento do software serão otimizados por compartilharem de uma plataforma e de uma integração comuns como o Visual Studio.

Quartz Web Designer. Não consegui ainda enxergar a vantagem dessa ferramenta, a não ser pela integração que terá com o Visual Studio .Net. Uma das características apresentadas é a criação fácil de padrões que poderão ser utilizados e construídos através de CSS, XHTML e HTML.

Tudo indica que essa integração será mais completa e digamos mais madura do que as que já conhecemos, como exemplo a do Macromedia Studio. Embora a Macromedia tenha apostado em uma suíte de desenvolvimento que faz tudo, percebemos muitas limitações nesses softwares, principalmente a ausência de um framework robusto. Sob esse aspecto, pode ser considerada uma solução limitada, mais focada em internet.

A Microsoft ainda não revelou quanto pretende cobrar pelo pacote, mas se a base for o valor do Visual Studio 2003, que custa atualmente U$ 799,00, teremos uma suíte com valores bem próximos aos da Macromedia.

É muito cedo para dizer, mas diante deste cenário a melhor aposta talvez tenha sido a da própria Macromedia, ao vender o fruto de seus dez anos de trabalho para a Adobe, que comprou um produto ao meu ver já atrasado, mesmo sendo a única solução para alguns.

Possivelmente o processo de escolha dessa suíte ocorra mais por imposição do que necessariamente pela vontade dos designers, principalmente se as empresas onde trabalham forem adeptas do Microsoft Pattern. Mas mesmo que seja assim, acredito que designers e desenvolvedores serão beneficiados, se o WinFX for tudo isso que a Microsoft diz ser. Neste caso, estaremos diante de uma nova metodologia de desenvolvimento com tudo para dar certo, pois envolve um software de criação e uma solução com grande suporte de outras tecnologias.

Agora é esperar que o Tio Bio tenha criado um aplicativo tão bom para ser difundido e evangelizado entre os desenvolvedores assim como foi o FrameWork .Net.

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Nota do editor: o fato do XAML ser um formato proprietário envolve uma importante discussão técnica e de negócios, mas é assunto para outro momento. Mais sobre isso, em inglês, no artigo A Standards–based Look at XAML’s Features, onde um desenvolvedor questiona se há diferenças entre o XAML e os padrões públicos do W3C. [Webinsider]

Sobre o autor

Wanderson Andrade (wanderson.andrade@gmail.com) é desenvolvedor de interfaces gráficas.

Apoio:

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