Colaboração mobile, a nova fronteira
11 de agosto de 2005, 0:00Dizem que a internet aproxima quem está distante e separa quem está próximo. Novas soluções apostam em laptops, Palms e celulares para superar este dilema. Aqui vai uma idéia.
Por
(com a colaboração de Carlos Estigarribia)
Quem se lembra dos flash mobs, aquelas mobilizações públicas coordenadas através de e–mails e mensagens SMS, talvez tenha ouvido falar de Sean Savage.
Ele foi promotor desses eventos e hoje continua buscando formas de romper a suposta inércia provocada pelo ambiente digital. Seu novo projeto, apresentado na O’Reilly Where 2.0 Conference, se chama PlaceSite e serve para costurar relacionamentos online e presenciais.
É comum que estas idéias aconteçam fora do Brasil e depois, segundo a conveniência, cheguem. Aproveito, então, o gancho do PlaceSite para compartilhar com a comunidade Webinsider a idéia de uma solução tecnológica que também utiliza o digital para estimular o relacionamento off–line.
PlaceSite aproxima usuários de cibercafés
A idéia anunciada em San Francisco tem a marca dessa cidade, tradicional reduto da marginalidade intelectual norte–americana. Savage explicou em matéria publicada na edição de julho da Wired que o PlaceSite pretende romper com o que seria um dilema da conectividade: aproximar pessoas que estão distantes e afastar aquelas que estão próximas. Ele cita como exemplo o “efeito zumbi” que se percebe em cibercafés com conexão por Wi–Fi, em que os internautas estão lado a lado mas não se comunicam entre si. “E se você pudesse usar a tecnologia para reduzir o efeito zumbi ou fazer as pessoas terem mais consciência e serem menos alienadas em suas vizinhanças”, ele especulou na conversa com a Wired. Sua resposta é o PlaceSite.
A ferramenta foi idealizada para rodar nos computadores conectados a uma mesma rede por Wi–Fi em cibercafés. Ao abrir o programa pela primeira vez, a pessoa é convidada a preencher um formulário de apresentação parecido com o do Orkut, dizendo quem é, o que faz, e pode listar hobbies, livros preferidos, coisas assim. Quando esse computador estiver conectado junto de outras pessoas dentro da rede do PlaceSite, os usuários podem ler os perfis uns dos outros e se houver interesse mútuo, se apresentar e começar uma conversa.
E se a gente fizer isso usando celulares e Palms?
A realidade do PlaceSite está longe de ser viável para a realidade brasileira. Aqui os laptops não são tão populares por causa do preço alto e quem tem um, não costuma exibí–lo em lugares públicos para evitar assaltos e sequestros. Já os equipamentos móveis em geral, Pocket PCs, Palms e especialmente os celulares, se tornaram aparelhos de uso quase universal - e volume de usuários é determinante para que haja a emergência de redes colaborativas.
O projeto que formatei ainda não tem nome, mas poderíamos chamá–lo provisoriamente de Google to Go (G2G) que significa “Google para viagem”, fazendo referência à propriedade desta ferramenta de hierarquizar os resultados a partir dos hábitos de uso dos internautas.
A função do G2G é possibilitar que usuário de Palms, Pocket PCs ou celulares registrem e avaliem os lugares que frequentam e troquem essa informação com seus amigos, de modo a constituir uma ferramenta de busca e relacionamento personalizada, portátil e independente da rede. Sua base de funcionamento seria um programa organizador instalado no dispositivo, para gerenciar e trocar informação sobre estabelecimentos comerciais ou públicos: lojas, museus, cinemas, restaurantes, etc. O mesmo programa permite que essa informação seja compartilhada usando beam infravermelho, Bluetooth ou Wi–Fi, tecnologias normalmente encontradas nos dispositivos citados, de modo a incrementar o banco de informações de amigos e pessoas próximas.
O projeto abre inúmeras de possibilidades de ações comerciais, promocionais, e de desenvolvimento de serviços associados. Segue abaixo uma descrição detalhada desta solução.
Equipamentos necessários
- Palm ou Pocket PC ou um celular com tecnologia Java ou BREW para hospedar o programa cliente.
- Algum meio de transmissão de dados sem fio como Bluetooth, Wi–fi ou infravermelho.
Por que usar o G2G?
Pessoas se tornam amigas porque têm coisas em comum. Essa identificação geralmente condiz com seus hábitos de consumo: elas gostam de ver os mesmos filmes, de ler livros parecidos, usar roupas com identidade visual característica e comer em restautantes que condigam com uma faixa de custo determinada. As compras são uma forma de definir a personalidade de cada pessoa. Se ela troca seu dinheiro por um hamburger do Mc Donalds ou por uma visita a um determinado museu, esses elementos são definidores dos hábitos e portanto de sua personalidade.
Nós, seres humanos, trocamos informações sobre as nossas atividades cotidianas naturalmente. Não é novidade que uma pessoa encontre um produto em promoção e avise seus amigos e pessoas próximas. Mas isso fica restrito à capacidade de memorização da pessoa e ao tempo que ela tem disponível para se dedicar a esse intercâmbio. O G2G visa aumentar a capacidade de armazenamento de informação, facilitar o cruzamento e a transmissão de dados. Ele funciona inspirada na solução auto–organizativa dos insetos sociais: um conjunto reduzido de sinais possibilitando a coordenação de uma organização complexa.
Como funciona na prática
O usuário instala o programa em seus Palms, Pocket PCs ou celulares e o estabelecimento acopla o transmissor de dados sem fio como Bluetooth, Wi–fi ou infravermelho ao PC da loja. O usuário entra na loja e é notificado pelo transmissor que o estabelecimento oferece o serviço G2G. O usuário aceita a transmissão de informações cadastrais da loja para o organizador. O programa recebe a informação e pede para o usuário classificar o estabelecimento como: bom (+1), indiferente (0), ou ruim (–1).
O organizador relaciona essa informação com:
- local (CEP) da loja em relação à casa ou ao trabalho do usuário;
- local da loja em relação a outros estabelecimentos frequentados pelo usuário;
- quanto o usuário gastou na loja;
- data da avaliação;
- freqüência com que aquela loja aparece nas listas dos amigos do usuário;
- idade e sexo do usuário;
- categoria do estabelecimento.
Na medida em que frequenta os locais de consumo do seu dia a dia, o usuário registra as suas impressões e forma um perfil. Este perfil contém as listas dos lugares que ele frequenta para comer, vestir, ir ao cinema, etc. Quando o usuário encontra um amigo, eles podem trocar informações; esses amigos provavelmente têm padrões de gosto parecidos com os do usuário e podem enriquecer a base de dados. Ao trocar seus dados com outra pessoa, o programa convida o usuário a classificar essa pessoa como familiar, amigos, conhecido ou estranho.
O que fazer com essa idéia
Há tempos eu me pergunto por que o Brasil é fértil para cultivar ferramentas comunitárias internacionais e paradoxalmente, as empresas daqui não conseguiram emplacar uma solução de envergadura nessa área de atuação. O Orkut talvez seja o principal case sustentando essa hipótese, porque se trata de um produto ligado ao gigante Google, disponível em inglês, e que foi “colonizado” por brasileiros. Mas além desse, existem mais casos: ICQ, MSN, Meet Up, Bookcrosser, Blogger, Fotolog, entre outros; são ferramentas comunitárias que se espalharam a partir de ações virais.
A intenção de divulgar a idéia do G2G é contribuir para mudar esse quadro e estimular o desenvolvimento de um case de comunidade online para falantes de língua portuguesa do Brasil, que possa tirar proveito do volume de usuários treinados e permitir a formação de mais vínculos de colaboração dentro da sociedade. [Webinsider]
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1° Davi Nogueira Data: 08/09/2008 às 5:45 pm
Atividade: Eng. Software
Cidade: São Caetano
Muito interessane o seu texto, gostaria de saber mais sobre o assunto, principalmente sobre “o que fazer com essa idéia”.
Thanks