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Carreira - Redes sociais - Jornalismo

Jornalista virou commodity. Aceite e aja.

05 de maio de 2005, 0:00

O blog facilitou a publicação de tal forma que qualquer pessoa pode ser um jornalista hoje. Ou, então, um repórter. Muitos jornalistas (com a cabeça antiga) demoraram a aceitar esse fato - mas ele é inegável.

Por Julio Daio Borges

Eu era daqueles que liam o Paulo Francis. Assistia ao Manhattan Connection e queria levar aquela vida aparentemente boa que ele levava: livros, discos, filmes, exposições, restaurantes, às vezes teatro e até ópera. Fim de ano em Paris ou Londres. Nova York por aí… era o nosso sonho de consumo.

Então comecei a escrever. E a contatar jornalistas depois da morte do Francis. Eu não era formado e não ambicionava uma vaga na redação. Queria escrever; queria colaborar. Peguei os últimos estertores - e, mesmo assim, não rolou. Não como eu imaginava.

A alardeada crise da grande mídia, mais a internet subindo a ladeira, implodiram com tudo. Primeiro que as redações foram desaparecendo. De repente, com os investimentos em tecnologia dos grandes grupos (em portais, em TVs a cabo…), ficou muito caro manter jornalistas na folha de pagamento. A onda de demissões então começou.

Da noite para o dia, eram quase todos colaboradores. Os que sobravam: super–repórteres ou supereditores. Natural que com a saída de muita gente boa, incluindo alguns medalhões, explodisse o mercado de freelancers. Lei da oferta e da procura: o valor da colaboração começou a desabar na bolsa. Não havia espaço para novos colaboradores. Eu estava de fora.

Bati na porta da internet. Ela abriu escancarada. Montei meu primeiro site. Constitui um público leitor. Montei uma revista eletrônica. Cresci. Recrutei colaboradores. (Também gente da imprensa grande.) Arrumei patrocínios. Fiz uma revista impressa. Cinco anos se passaram, mas os jornalistas continuam valendo pouco… Por quê?

Porque, como todos sabemos, a internet não vingou como negócio. Não como se esperava. Não em termos jornalísticos, estou falando. Ao mesmo tempo, as redações continuaram encolhendo, as editorias continuaram terceirizando, e novos jornalistas continuaram a ir para a rua da amargura…

Isso sem considerar a chegada de um terceiro ator nesta história: o blog.

O blog facilitou a publicação de tal forma que qualquer pessoa pode ser um jornalista hoje. Ou, então, um repórter. Você agora pode dividir seu ponto de vista com milhares de leitores online. Eu, como tantos outros jornalistas (com a cabeça antiga), demorei muito para aceitar esse fato - mas ele é inegável.

Talvez não aqui no Brasil, ainda. Mas nos Estados Unidos, virou realidade. Tanto que blogueiros foram processados pela Apple, de Steve Jobs (ontem na vanguarda; hoje na retaguarda).

Portanto, se você for prestar vestibular para jornalismo, desista. Ou então insista; mas pratique primeiro em blog. Não vai ser muito diferente depois: as incertezas serão as mesmas. Você vai escrever quase de graça; às vezes, não vai ter certeza de estar sendo lido; sua influência parecerá diluída; seu respeito e sua cobiçada aura de jornalista não serão maiores… do que a de qualquer pessoa.

Bem–vindo à democracia. As ferramentas, quase todas gratuitas, estão aí para quem quiser pegar. Você monta seu site em cinco minutos. Despeja reportagens a qualquer momento. E, se for bom, garanto que, em alguns anos (ou meses), vai ficar famoso. Não famoso como antes. Não famoso como o Paulo Francis. Mas famoso.

O que eu quero dizer é o seguinte: a distância entre eu, aqui nesta página, e você, aí me lendo, nunca foi tão curta.

Desisti, claro, dos meus arroubos de Paulo Francis. Quando disseram que não havia mais espaço para gente como ele na mídia, eu não acreditei, mas era verdade. Os grandes jornalistas, além de considerados caros, estão sendo ultrapassados todos os dias por um coro de vozes internet afora. Falta rigor? Falta checagem? Falta apuração? Falta, mas não duvido que essa gente aprenda logo - e que novos editores surjam para, como nos velhos tempos, colocar ordem na casa.

Ah, e você sabe: também na música; também no cinema; também nas artes em geral. Não é só jornalista que virou commodity. Daqui a pouco, é escritor, é ator, é pintor. Daqui a pouco, em inúmeras profissões, todos terão a mesma chance. A mesma do Paulo Francis. [Webinsider]

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Sobre o autor

Julio Daio Borges é o editor do Digestivo Cultural.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

5 pessoas comentaram o artigo "Jornalista virou commodity. Aceite e aja."

Silvio Ribas Data: 17/08/2006 às 3:03 pm

Atividade: Belo Horizonte

Cidade:

Socorro! Esse cenário é tão assombroso quanto desafiador para nós. Jornalistas! Vamos conversar mais sobre isso

Michelle Soares Data: 11/09/2006 às 10:02 pm

Atividade: Universitaria e Bancaria.

Cidade: S’ao Jose do Rio Preto -SP

A revolucao do conhecimento.

A internet hoje, nao pode ser considerada uma ameca e sim uma arma benefica que propicia ao seu usuario constantes aprimoramentos.
O mundo e suas complexas regencias,a cada segundo se transformam…..
Com o conhecimento nao seria diferente.O ciberespaco traz ao usuario inumeras abordagens sobre o conhecimentos tornando- o inacabavel.

Alexandre Vaz Data: 29/09/2006 às 1:39 pm

Atividade:

Cidade:

De uma certa forma, é bom que a internet tenha dissolvido a importância dos jornalistas na sociedade. Sinal de que a internet vem se convertendo em sinônimo de democracia da informação. A nós, jornalistas, cabe repensar a profissão e abrir o leque de possibilidades. Que são muitas, se formos parar para pensar.

Edgar Sousa Data: 16/02/2009 às 9:04 am

Atividade: Estudante

Cidade: Bambui

Será que tem como v6 me falar um pouco mais arespeito de commodity????

Roberto Data: 03/03/2009 às 11:47 am

Atividade:

Cidade:

Os médicos vão virar commodity. Qualquer um vai poder operar, dar receitas, diagnosticar pacientes.

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