Ano que vem serei jornalista. Cheguei tarde?
05 de maio de 2005, 0:00Estudante de jornalismo não gostou de artigo sobre a banalização da profissão aqui publicado. Vale pela discussão e o contraponto entre ideais de juventude e anos de prática e realidade.
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Começar o dia e ver um artigo, indicado por um amigo de trabalho, que diz que os jornalistas viraram commodity, um bem consumível. Como assim? É a desvalorização total da profissão, onde ele - Julio Borges - diz que o blog facilitou a publicação e qualquer um pode ser jornalista hoje, em artigo publicado no Webinsider (Jornalista virou commodity. Aceite e aja, veja ao lado).
“O blog facilitou a publicação de tal forma que qualquer pessoa pode ser um jornalista hoje. Ou, então, um repórter. Muitos jornalistas (com a cabeça antiga) demoraram a aceitar esse fato - mas ele é inegável.”
Eu me pergunto: O que é ser jornalista, afinal? Escrever em um blog caracteriza a pessoa como um jornalista? Ou será que dois anos e meio de faculdade de jornalismo até agora não me adiantará em nada no meu futuro?
Pensar que a profissão de jornalista é vista como meros escritores” e que qualquer um pode escrever. Desanima, mas não o suficiente para me fazer desistir de ser uma boa jornalista, com estudos criteriosos de tudo, para não acabar sendo mais uma “mera escritora”, e muito menos de um blog.
“Portanto, se você for prestar vestibular para jornalismo, desista. Ou então insista; mas pratique primeiro em blog”, diz Julio em seu artigo. Essa frase foi triunfal para perceber o quanto ele - que é um jornalista - desfaz de sua profissão.
Não é necessário escrever em um blog para poder ser jornalista. Força de vontade, dom da curiosidade, leitura sobre todos os assuntos e estudos (não apenas durante quatro anos de faculdade, mas sempre) irão contribuir para a formação de um jornalista sério - e não um qualquer, como ele mesmo disse.
E espero que todos os estudantes de jornalismo como eu não desistam, por mais que desanime saber que muitas pessoas pensam como Julio, sempre resta alguém que pensa que nossa profissão é valida, é reconhecida e vista com bons olhos.
“Bem–vindo à democracia. As ferramentas, quase todas gratuitas, estão aí para quem quiser pegar. Você monta seu site em cinco minutos. Despeja reportagens a qualquer momento. E, se for bom, garanto que, em alguns anos (ou meses), vai ficar famoso. Não famoso como antes. Não famoso como o Paulo Francis. Mas famoso”.
Como diz o professor de “Preparação de originais, provas e vídeotexto”, Paulo Roberto Botão, da Universidade Metodista de Piracicaba: “Jornalismo e democracia são excludentes? Só agora, com os blogs podemos falar em democracia? E as contribuições e o papel do próprio jornalismo enquanto instituição para a construção da democracia?”
E pra finalizar, será que ser “como Paulo Francis” é um ideal que vale a pena? Será que este é o sonho de consumo daqueles que estudam jornalismo? Será que para muitos as ambições não seriam muito maiores e, por que não dizer, mais ‘nobres’?
Deixo as dúvidas do Paulo e as minhas no ar e espero a resposta. [Webinsider]


1° Paola Frassinetti Coelho Botelho Data: 08/10/2006 às 12:04 pm
Atividade: Universitária - 1° período de Jornalismo
Cidade: São Luís-Ma
Estou, ainda, curtindo a felicidade de passar no vestibular de uma universidade federal.E o curso que escolhi foi jornalismo.Quando as pessoas me perguntavam o que eu queria fazer na vida, eu respondia que queria ser jornalista.A interjeição era imediata e impactante “Jornalista!!”. É engraçadfo perceber como a sociedade é repleta de preconceitos, as vezes, pensava que queriam que eu fosse médica,advogada…mas,jornalista não!!
Hoje,ao pesquisar na internet,”como ser uma boa jornalista”, encontrei esse artigo que me proporcionou ter uma análise crítica da pergunta que quero responder,e concluí que não ha resposta. Ser ou não um bom jornalista é algo que os moldes sociais tentarão responder,agora, o mais importante é você sentir o prazer da profissão que abraçou.Por mais que digam que qualque um pode exercer esse papel, é importante a ressonância entre vocação e prazer.
Talvez, a visão do modismo social seja tão impregnante, que até nós nos deixamos levar por sentimentos externos que, na verdade, deveriam ser crivados e direcionados para que, realmente, nos sintamos jornalistas de fato e não,somente, de fatos.