Webinsider

Comportamento - Games

Crianças e jogos violentos: mistura explosiva?

20 de janeiro de 2005, 0:00

Muita gente acha que jogos com armas, cada vez mais realistas, não são boa influência para crianças e adolescentes, e contribuem para legitimar condutas violentas. Você concorda?

Por Paulo Rebêlo (reportagem)

Com o lançamento de jogos bem violentos - como Doom 3, Half–Life 2 e Pacific Assault - , pais e psicólogos redobram atenções ao papel que os jogos podem representar na educação de crianças e adolescentes. O que pensar de jogos com bastante sangue, assassinatos, roubos e situações moralmente questionáveis? São dúvidas reincidentes sobre até onde as crianças são influenciadas pela imersão no computador e se a violência gera reflexos na vida real, transformando a garotada em crianças violentas e irritadas.

O argumento costuma ser o mesmo, de que a violência nas telas pode induzir seu filho a cometer atrocidades nas ruas. No caso, violência contra mulheres e assassinato de policiais, por exemplo, como ocorre em alguns jogos. Se isso acontecesse de verdade, seria culpa da influência dos games ou da educação que os filhos recebem dos pais, incluindo falta de diálogo e acompanhamento?

Cada família com sua própria regra. O único consenso existente entre psicólogos e pais preocupados é que uma boa educação doméstica, aliada ao convívio harmonioso com os filhos, são os melhores remédios contra qualquer tipo de efeito multimídia da violência, seja do computador ou da televisão.

Evidente, a regra tem exceções e não é incomum uma criança vir a apresentar mudanças de comportamento sob efeito dos jogos. Para muita gente, porém, a polêmica não passa de bobagem e, às vezes, pode servir apenas como desculpa pela ausência de pais que não dão a devida atenção aos filhos.

O auditor fiscal Marcelo Nunes fez questão de repassar os “conhecimentos” de jogos para o filhos Pedro, de 4 anos, e Caio, de 9. Pedro joga Counter–Strike e outros jogos tidos como violentos desde os 3 anos, apesar de preferir os de corrida. Por ser muito novo, o pai movimentava o personagem e avisava a hora certa para Pedro “dar o tiro”, clicando no mouse e fuzilando terroristas e policiais.

O mesmo vale para Caio, que gosta de GTA, em que o personagem trafica drogas, rouba carros e mata policiais. “É uma bobagem, a criança não vai virar ladrão, ficar violenta ou sair batendo nos amigos por causa de um jogo. Qualquer pai que acompanha o crescimento e a educação dos filhos sabe reconhecer quando algo está errado. Tem muita coisa pior na rua”, opina Nunes.

Ele ainda questiona a eficácia de proibir as crianças de jogar o que gostam e de brincar se, no colégio, os colegas vão comentar sobre o assunto de qualquer jeito. “É inútil, as crianças reconhecem o que é realidade e ficção no jogo”, completa.

A advogada Ana Silva (preferiu não dar o nome verdadeiro) pensa diferente. Preocupada com os filhos, uma menina de 4 anos e um menino de 6, ela restringe o acesso a jogos violentos e até a programas de televisão. “Não os deixo ver telejornais, filmes adultos, novelas, seriados do tipo Malhação e proíbo alguns canais de desenhos da TV a cabo”, diz.

Na opinião da advogada, eles são muitos novos e já têm acesso a um volume grande de informação. “As crianças não têm discernimento para várias coisas, incluindo informação visual”, explica. Um ponto polêmico levantado pela advogada é a questão do autocontrole. “Ao jogar, fico profundamente irritada quando morro durante o jogo. É frustrante esperar este autocontrole da criança, é esperar demais”, avalia.

No Núcleo de Pesquisas de Psicologia em Informática da PUC, os psicólogos não concordam que jogos violentos sejam completamente responsáveis por estimular a violência entre crianças, mas apenas se ela já tiver uma predisposição a ser violenta. E, neste caso, não apenas jogos podem influenciar, como também a televisão, o comportamento dos pais, entre outros fatores externos. Por outro lado, há o consenso de que, cada vez mais, jogos e televisão estão tornando a violência algo muito banal e cotidiana.

Realismo questionado. O escritor equatoriano Oscar Echevérri costuma ser referência em pesquisas sobre violência urbana. Na obra “La Violencia: ubicua, elusiva, prevenible”, de 1994, Echevérri já afirmava que mais de 3 mil estudos mostram uma correlação entre assistir à violência e possuir uma conduta violenta. Os jogos com armas contribuem, segundo o autor, para legitimar condutas violentas e podem ajudar na formação de personalidades anti–sociais.

Por outro lado, Echevérri lembra que não se deve repreender ou castigar atos errados com violência, pois o efeito pode ser o mesmo e talvez até ajude a criar, no jovem, a idéia de que atos violentos são aceitáveis.

O publicitário Eden Wiedemann está entre os que não vêem com bons olhos a idéia genérica de que jogos violentos fazem mal à educação das crianças. O filho, Filipe, joga desde os 3 anos de idade (hoje tem 5) vários jogos no PC e no Playstation. “O principal é a criança ser orientada a separar o real da ficção, saber que se trata de jogo. Talvez ajude o fato de eu estar sempre presente, mostrando o que é certo ou errado”, explica Wiedemann.

“Não acredito nessas generalizações de que o impacto dos jogos mude ou transforme meu filho. Se ele fosse sozinho no mundo, sem orientação, talvez fosse influenciável, mas não como algumas pessoas pregam por aí”, desabafa o publicitário. O filho não apenas gosta de jogar, como joga bem. Adora o Counter–Strike, em que terroristas lutam contra policiais. “A televisão exibe cenas tão fortes quanto os jogos. Vários desenhos animados mostram sangue espirrando, novelas apresentam cenas simuladas de sexo e muito mais”, alfineta.

“Você morre, mas renasce; você mata mas não paga os pecados”.

O doutor em Sociologia, Valmor Bolan, em artigo publicado na internet, explica que existe uma certa empolgação nos adolescentes vinda de jogos que estimulam fantasias extravagantes. Jogando, eles supostamente dão asas a desejos que não podem se manifestar no mundo real, geralmente expressões de transgressão e crueldade: eliminar adversários, estraçalhar corpos, ensangüentar vítimas, exterminar criaturas.

E o problema, na opinião de Bolan, é quando certos jovens não conseguem deixar esse mundo da fantasia e querem repetir os atos no mundo real. “Devemos ter um discernimento que permita fazer prevalecer uma ética da vida, que seja capaz de erradicar o joio da violência e desabrochar o respeito à vida humana em todos os aspectos”, sugere.

O analista de negócios para a Sony Latin America, René de Paula Jr., lembra que é preciso acrescentar um outro componente ao debate: o excesso de realismo nos jogos de última geração. “O hiper–realismo, o tiro em estéreo, o joystick que vibra, a agonia escandalosa e berrante dos baleados. Isso mexe com estruturas primárias, com instintos profundos. Você morre, mas renasce: você mata, mas não paga os pecados”, pondera.

René questiona se esse aprendizado dos jogos violentos serve para alguma coisa, se a capacidade de ser feliz ou bem–sucedido no mundo aumenta por causa disso. “Se estivéssemos no século XII, talvez. Ou na pré–história. Ou na Rocinha”, ele mesmo responde. [Webinsider] (com Folha de Pernambuco)

.

Sobre o autor

Paulo Rebêlo (rebelo@webinsider.com.br) é subeditor do Webinsider.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ]

Comentários

19 pessoas comentaram o artigo "Crianças e jogos violentos: mistura explosiva?"

Marina Martins Data: 06/11/2006 às 6:49 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Belo Horizonte

bom, eu acho que com muitos jogos violentos as crianças estao ficando mais violentas e que esta sendo uma mistura explosiva sim!

george Data: 07/11/2006 às 4:40 pm

Atividade: JOGOS

Cidade: PALMAS

QUERO JOGA GTA

Rafael Data: 30/11/2006 às 1:47 pm

Atividade: Estudante

Cidade:

Naum eh tao explosivo…a culpa real são dos Pais q naum sbm cuidar d seus filhos.

Rodolfo Data: 07/12/2006 às 12:35 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Lençois Paulista

Esses tipos de jogos fazem mal a saude de quem joga,com essa atitude de :matar, estrangular, sufogar,etc.As crianças, como fazem nos jogos, tambem fazer na realidade e elas vão ficando cada vez mais viciados e podendo causar desturbios no cerebro.E se os pais não vigiarem o filhos os pais que são cupados de deixar os filhos jogarem esses jogos violentos !!!

rafael Data: 05/01/2007 às 8:22 pm

Atividade: gta

Cidade: são paulo

voces devia colocar jogos do gta

vania Data: 30/01/2007 às 8:00 am

Atividade: tecnica

Cidade: são paulo

tenho uma filha de 6 anos que aprendeu a jogar com o pai, nao usamos o play como babá, ela tem outras atividades, estuda, nada, brinca de boneca, assiste tv,tem horários para condicionar as atividades, nao adianta eu PROIBIR, como uma ditadora.

simplesmente jogamos com ela, mas nada nos impede de cobrar educaçao no comportamento e palavras, isso com jogo ou sem jogo, exigimos que tenha cuidado com os mais fracos e fale com educaçao aos mais velhos, ensinamos que aquele jogo nao passa de um jogo e que na vida real, as consequencias sao outras e que somos preocupados com o bem estar dela e das pessoas que nos cercam.

a minha criança é calma e alegre, mas cada pai conhece seu filho, as pessoas sao diferentes, e cabe a cada um julgar o que é permitido ou nao.

emanuelle Data: 16/06/2007 às 10:33 am

Atividade: THE SIMS o encontro marcado

Cidade: brasilia DF

o the sims encontro marcado é um jogo com atividade romantica

Rosane Data: 25/07/2007 às 2:17 am

Atividade:

Cidade:

Iniciei o meu filho no videogame com 3 anos pois
o primo dele na época com 9 anos passou a lhe en-
sinar. Aos poucos, conforme minha orientação, ele
já diferenciava o fantasioso do real.E hj é normal pois até eu jogo desde aquela época.

maik Data: 12/11/2007 às 2:01 pm

Atividade: esudante

Cidade: são lourenço

eu acho que tem jogos que emfluencial mas porém tem jogos q ñ fariam mal a uma mosca,sõ poucos jogos q fazem mal, só depende da pessoa saber o q é certo e o q é errado….
É melhor os jovem descontar suas raivas em jogos doque fora deles… pq o jovem hoje, no meio de um mundo como o nosso,se sente reprimido, enão encontra nos jogos uma segunda vida(como os rpg, cheio de aventuras).
E pergundo aos pais q ñ gostaram do meu comenari:
vocês já perguntaram para seus filhos como foi no dia hoje? Claro q seus filhos ñ vão falar nada, por q eles ñ fiseram nada além de jogar(e vc pode nem saber mas em jogos aprendem mais q escola, pq jogo não omite fatos, já a escola sim.Porisso se seu fiho sair da frente de um pc(como eles chamão)canssado ñ o oprima mais sim talvez fassa um suco a ele!

10° william Data: 28/01/2008 às 5:55 pm

Atividade: gta

Cidade: são paulo

gta e loko eu tenho no meu pc e legal se voce quer saber como abaixar fale comogo.. faloooooooo

11° luiza ferreira de albuquerque Data: 30/04/2008 às 3:35 pm

Atividade: guinasrica olinpica

Cidade: vitoria es

o counter e legau eu não sei por q os pais falham q o counter vicia mais todo jogo vicia eu comecei jogar com 4 anos e agora tenho 8 anos

12° eduarda Data: 30/07/2008 às 2:46 pm

Atividade: gisnastica ritimica

Cidade: maringa

eu acho que é sim explosivo mas os pais tem que aprender a diser não aos filhos.mesmo que eles não aceitem deve ser feito algo

13° ssamia Data: 30/07/2008 às 2:57 pm

Atividade:

Cidade:

eu gosto muito de jogar os jogo de sexssualismo oooouviuu…………………

14° ssamia Data: 30/07/2008 às 2:59 pm

Atividade:

Cidade:

os jogos violentos são um veneno para as crianças e os pais devem faser os filhos pararem de jogar esses jogos

15° eduarda Data: 30/07/2008 às 3:01 pm

Atividade:

Cidade:

os jogos de computador são um veneno não jogue11111111111111111111111111111111111

16° M Data: 22/09/2008 às 3:03 pm

Atividade:

Cidade:

Eu tenho 13 anos, vou fazer 14 no dia 27 de setembro e ja joguei muitos jogos violentos, dos quais posso citar:

Grand Theft Auto: San Andreas (mais popularmente chamado de GTA).
Onimusha: Dawn of Dreams
Resident Evil 4
God of War 1 e 2
Prince of Persia: The Two Thrones
Matrix: The path of Neo
The Punisher
Devil may Cry 1, 2 e 3

Todos esses jogos, excluindo Prince of Persia, eu ja terminei e nunca saí brigando, traficando drogas e etc. É claro, infelizmente existem pessoas com mente fraca que se deixam influenciar por esses jogos, mas nesses casos, deve-se haver uma atenção especial dos responsaveis.

17° fabio Data: 10/02/2009 às 3:44 pm

Atividade: SEXOLOGO

Cidade: rio das ostras

blz … vlw pela dica vou jogar CS agora …

18° Caio Martins Data: 21/03/2009 às 3:38 pm

Atividade: Educador

Cidade:

Jogos Viôlentos? Sabe porque isso acontece? Por causa dos pais eles mesmos que tem a culpa, quando os filhos estam jogando esses joguinhos de violencia não querem mais saber de outra coisa e é por isso que os filhos muitas vezes bate nos pais e eles (pais) so fazem gritar so isso pois
na minha opinião tenque ter uma regra na casa como (não falar palavrão principalmente com os pais não bater no irmão,quando estiver com raiva não quebrar os vazos ou coisas eletronicas) isso que faz a criança jogar Jogos Viôlentos

Muito Obrigado

19° LETICIA Data: 30/04/2009 às 7:56 pm

Atividade:

Cidade: sao paulo

acho q os jogos violentos fazem um dia as crianças serem violentas

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider