O navegador que aparentemente ninguém usa
13 de janeiro de 2005, 0:00Estatísticas são um poderoso recurso para tomada de decisões. Mas nem sempre nossa leitura é a mais correta. No caso específico dos números sobre o uso de navegadores é bom evitar alguns enganos.
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Números não mentem, mas para quem sabe lê–los. Estatísticas são um poderosíssimo recurso para tomada de decisões, mas é preciso saber lê–las. Neste tempo de mudanças na web, especialmente no mercado de navegadores, há muitos dados controversos circulando por aí, por isso é preciso cuidado se você quiser extrair pelo menos um pouquinho de verdade de todos os números disponíveis. Neste assunto específico de estatísticas de uso de navegadores há alguns enganos que é preciso evitar.
O primeiro: seus amigos e a meia dúzia de pessoas que você conhece não são uma amostra estatística válida. Se você é um viciado em tecnologia é muito provável que tenha um grupo de amigos que também são geeks, e portanto, early adopters de qualquer inovação tecnológica. Então o fato de a metade dos seus amigos estarem usando um navegador moderno não significa que a metade do mundo também esteja. Da mesma forma, se todo mundo que você conhece ainda usa o mesmo navegador de três ou quatro anos atrás, lembre–se de que isso não prova nada.
O segundo: sites incompatíveis com determinado navegador tendem a “mentir” para seus donos, sugerindo que aquele navegador não existe. Assim, se determinado navegador praticamente não aparece nas estatísticas do seu site e por isso você não se preocupa em tornar as coisas compatíveis com ele, você pode estar se enganando. Há o sério risco de que os usuários daquele navegador, uma vez tendo entrado em seu site, não voltem nunca mais, enquanto os usuários de outros navegadores visitam o seu site várias vezes. É o famoso paradoxo de Tostines: você não torna seu site compatível por conta dos baixos números e os números são baixos porque você não torna seu site compatível.
Vi um exemplo interessante hoje em um site com uma grande comunidade, muito ativa. As estatísticas do site mostravam que menos de 4% dos usuários usavam Firefox. Uma pesquisa feita com os usuários do site revelou resultados muito diferentes: mais de 25% deles disseram ter o Firefox como navegador padrão (sim, era um site que atende um público técnico). De onde vem essa discrepância? Simples, o site não funciona em Firefox. Um quarto dos usuários estava usando um navegador “secundário”, e isso deve acrescentar uma considerável carga de sentimentos negativos em relação ao site. E quantos outros usuários este site não está perdendo porque não têm a paciência de usar dois navegadores?
O terceiro problema: seu sistema de estatísticas pode não ser tão exato assim. Alguns bons navegadores modernos vêm configurados por padrão para se identificar como Internet Explorer. Fazem isso para evitar sniffers, aqueles detectores de navegador chatos que não deixam você acessar determinado conteúdo se não tiver o mesmo navegador que o autor do site. O que isso significa? Que é natural que os números do Opera, por exemplo, sejam baixíssimos nas estatísticas. Quantos usuários ao instalar o navegador se preocuparam em descobrir como alterar a string de user agent? Quantos sabem o que é isso?
Outro fator a considerar é a idade do seu sistema de estatísticas. Um amigo me reclamou há pouco tempo de que não havia usuários de Firefox acessando seu site. O gerador de relatórios de estatísticas do provedor de hospedagem dele não era atualizado desde 2001, quando não existia Firefox. E a versão instalada em 2001 provavelmente não detectava corretamente todos navegadores existentes então. Se você está vendo uma insistente quantidade de usuários de Netscape visitando o seu site, talvez seja hora de atualizar as coisas.
O quarto ponto: é importante se lembrar que sistema operacional, navegador ou qualquer outra característica da plataforma de software dos seus usuários não são determinantes de perfil de consumo. Deduções como “o perfil de usuário para meu produto usa determinado navegador” ou “as pessoas que tem interesse em meu conteúdo tem determinado plugin instalado” geralmente são baseadas na mais ilógica “palpitologia”, sem nenhum dado que as sustente. Não deduza que seu cliente possui determinada velocidade de conexão, capacidade de processamento, plataforma de software ou navegador, a não ser que você tenha dados para isso.
A linha entre achar e saber é às vezes muito difícil de distingüir. Espero que estas linhas tenham lhe inspirado algo mais de espírito crítico e vontade de saber e não achar. Se me permite um último conselho, talvez não seja uma loucura tão grande imaginar atender algum número próximo de 100% das possíveis combinações de navegador e plataforma de software. Temos feito muito isso. Assim você dorme tranqüilo, sem se preocupar com estatísticas de navegadores. [Webinsider]

1° Rafael Zamana Data: 25/08/2006 às 9:48 am
Atividade: Web Develop
Cidade: Campos dos Goytacazes
Interessante salientar que com a continua desatualização do provedor de hospedagem.
Passei por problemas parecidos. Mas hoje eu me preocupo mais em deixar os sites desenvolvidos pela minha empresa acessivel a todos os navegadores.
Por mais complicado que seje fazer isso, com o tempo se tornou uma atitude padrão no ambiente de trabalho.
A cidade aqui é pequena e poucos pensam em web standarts, mas aqui a diferença é crucial. Você chegar hoje em um provavel cliente e dizer a ele que o site dele será visto daquela mesma maneira idependente do browser usado, tem sido um critério relativamente alto na venda de website.
As estatisticas dos sites me mostram um potencial de visitantes, mas ainda assim existe uma pequena minoria que ainda assim deve ser ouvida.
Atenciosamente