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Os micreiros crescem e alguns viram designers

09 de janeiro de 2005, 0:00

Sim, há muitos profissionais desqualificados atuando como webdesigners. É natural. De certa forma, quase todos começamos assim. O que importa aqui é prestar atenção em algumas lições.

Por Nenhum

Guilherme Bova



Salvem os micreiros! Pois são eles a salvação do nosso ofício! É deles a luz que cegará as retinas vaidosas dos designers de gravata! Viva os micreiros! Viva! Não. Isso não é um manifesto. Nem um protesto. É só uma confusão mesmo. Pois nada como uma boa confusão para esclarecer algumas coisas.



A primeira delas é o mercado de trabalho. Se existem muitos profissionais desqualificados atuando no mercado, vulgo “micreiros”, é simplesmente porque há espaço para estes. Nada mais elementar. Este tipo de “intervenção estrangeira” por profissionais oportunistas e sem formação existe em muitas profissões. A diferença é que em outras profissões (engenharia, por exemplo) o cliente sabe qual a importância do projeto e o risco que corre ao escolher um serviço menos qualificado.



Infelizmente, esse critério acertado de escolha não acontece na vida de quem trabalha com design (principalmente webdesign). Aqui, os clientes não sabem diferenciar qualidades e suas escolhas são feitas a partir de fatores como preços e prazos.



Até aí nenhuma novidade. O erro está em apontar como culpado uma classe que na verdade é vítima. Os denominados “micreiros” não são os culpados pela concorrência desleal de mercado, ou pela baixa qualidade dos serviços prestados. Pelo menos não diretamente.



Esses profissionais na verdade são o produto de um segmento profissional muito frágil e abalado por problemas reais, como o uso ilegal de softwares, o despreparo na educação, a falta de esclarecimento sobre o que é design e por aí vai. Estes problemas são os verdadeiros culpados.



Mas se há a necessidade de apontar apenas um culpado, ótimo. Os culpados somos nós profissionais. Pois cabe a nós conseguir criar um mercado de trabalho lúcido o suficiente para resolver as necessidades dos clientes e sustentar as ofertas de trabalho. Mas não vamos ser redundantes. Dê uma lida nos ótimos artigos que já foram escritos sobre isso ao lado.



Escrevi este artigo para dizer que nunca se deve cuspir pra cima. Todos os profissionais atuantes em design com certeza começaram como amadores algum dia. Mesmo que tenha sido apenas para fazer uma capa mais elaborada para o trabalho do colegial ou até mesmo um logotipo para o tio. Esse processo é natural. Todos nós já fomos “micreiros” um dia.



Mas a evolução também é natural. Logo o garoto(a) que aprendeu a usar o Corel Draw vai comprar um livro sobre o programa, depois vai correr atrás de cursos particulares, depois vai pra faculdade, arranja seu primeiro estágio onde só ganha o vale transporte, e assim por diante.



Se este garoto(a) virá a ser um bom profissional de destaque no mercado já é uma outra história. Mesmo porque ser profissional não garante qualidade alguma. Sem querer entrar no senso comum ou fazer demagogia, conheço pessoas sem formação em design cuja produção tem uma linguagem muito mais experimental e sofisticada que muitas campanhas multinacionais desenvolvidas por “profissionais”.



O que define o designer é sua experiência e conhecimento. Se ele os conseguiu na faculdade ou na rua, quem somos nós pra julgar? Talvez estes profissionais “desqualificados” venham abrir os olhos dos “qualificados” e fazê–los prestar atenção no que é ser designer, e não apenas no que é fazer design. [Webinsider]



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