Por uma computação móvel sensata
22 de dezembro de 2004, 0:00Opinião: não é sensato replicar no seu PDA o sistema operacional de seu PC. Deixe que o desktop ou notebook converta para os mais variados formatos o conteúdo que você cria no PDA. Veja como.
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Em discussões religiosas básicas entre geeks, sempre se argumenta que a plataforma A é melhor que a B para um PDA, pois em A é possÃvel fazer tudo que se faz no desktop, do mesmo modo.
Evidentemente que adotando este paradigma, a evolução da plataforma caminha para uma “miniaturização” do hardware, para que, enfim, você possa instalar seu sistema operacional preferido no seu PDA.
Uma pergunta a fazer é: seria isso realmente sensato? Nas próximas linhas vou tentar convencer o leitor que é preciso voltar ao estado nascente da computação portátil num PDA.
Se já temos no desktop e no notebook um bom poder de processamento e armazenamento, seria realmente sensato duplicarmos isso para termos um outro equipamento com quase o mesmo poder de processamento e armazenamento, só que com maior portabilidade/mobilidade?
Penso que seria mais sensato deixarmos o processamento pesado e o armazenamento completo de todos os dados que consideramos vitais para a nossa vida para o desktop ou notebook. Quando necessário acessar uma informação, ela é levada para o nosso dispositivo móvel, em um formato mais leve, de modo que não seja necessário nem muito processamento nem muita memória!
Ainda que você precise editar estas informações no PDA, o processo inverso também é possÃvel, com a conversão sendo feita no desktop. O foco aqui, como quis demonstrar, é que não há inconveniente em fazer conversões no desktop, que em 98% dos casos tem capacidade de processamento ociosa, deixando o mÃnimo de processamento no PDA.
Com isso você pode ter PDAs com processadores mais simples com menos demanda de energia e consequentemente maior autonomia do equipamento, que, convenhamos, é um grande limitador dos dispositivos móveis.
O leitor, amigo da onça, poderia argumentar que, com tanta necessidade de trocas de informações entre o PDA e o desktop, perderÃamos em mobilidade. O argumento é cada dia menos verdadeiro. Na medida que a comunicação sem fio se torna cada vez mais abundante, estável e acessÃvel em termos de preço, o acesso à s informações, em tempo real, é tarefa relativamente simples.
Mas e se eu precisar mostrar ao meu cliente como ficou aquele projeto? Aquela apresentação, aquele vÃdeo, onde a aparência é realmente mais importante que o conteúdo? Ora, a menos que o seu cliente esteja no meio do caminho entre a Lua e a Terra, sempre haverá um desktop por perto. E, se realmente isto é necessário, então você precisa de um notebook e não de um PDA!
Talvez seja uma pretensão de quem vos escreve fazer a seguinte afirmação: na grande maioria dos casos o importante é o conteúdo que queremos disponÃvel no nosso PDA.
Por isso, a forma de apresentação é que deve ser adequar ao equipamento e não o contrário. Ou, como diriam os engenheiros, o foco é na solução e não no problema.
Isso é válido para vÃdeo, música e documentos com dados, com maior ou menor adequação. Não parece razoável que alguém queira levar toda sua dvdoteca com centenas de horas de vÃdeo no PDA. Ou levar a sua coleção completa de cânticos gregorianos no PDA. Com o aumento cada vez mais rápido das taxas de transmissão de dados, você poderá levar consigo o básico e baixar do seu repositório virtual sob demanda aquilo que necessitar.
Um exemplo hipotético de aplicação do paradigma
Vamos fazer um exemplo hipotético de um profissional que necessita escrever documentos técnicos ou profissionais, em viagem, usando o paradigma aqui defendido. No paradigma antigo ele desejaria ter um editor que, no PDA, produzisse um texto com a mesma aparência que teria se produzido no desktop. Tanto quanto possÃvel, que este editor fosse uma réplica do que ele tem no desktop. Como ele vai precisar se concentrar no conteúdo e na aparência, sua produtividade diminui e ele precisa de um software mais sofisticado, consequentemente de uma máquina com mais poder de processamento.
Se ao invés disto ele considerasse que quem tem que processar o texto é o seu desktop, ele usaria no PDA um editor de texto puro, simples, com algumas marcações simples para estilo (bold, itálico etc.) e deixaria para o desktop a função de converter seu conteúdo para os mais variados formatos (web, impressão etc.).
Para tornar o exemplo mais realista, durante a viagem ele receba a informação de última hora de sua empresa: precisa produzir uma proposta para um cliente, onde a apresentação impressa é fundamental (o cliente é um gerente que acha marketing mais importante que aspectos técnicos, digamos).
Então na viagem ele escreve o conteúdo da proposta. Ao chegar ao aeroporto envia, via wi–fi, para seu desktop da empresa, com um parâmetro que faz com que seu script no desktop converta seu texto para pdf, com todos os embelezadores e aparência profissional.
Ao chegar ao escritório do cliente, ele baixa a proposta e caso não haja discordância a imprime para o seu cliente.
Se você acha que isso é ficção, a solução acima é possÃvel, no PalmOS, por exemplo, usando txt2tags no desktop, com um script para ler um e–mail, enviar o arquivo para o programa (txt2tags) e finalmente enviar o arquivo de saÃda para um disco virtual. Tudo isso de modo automático e com o nÃvel de segurança que se desejar.
No PDA você usa o memo (se o arquivo tem no máximo 4Kb) ou um editor de palmdoc simples (para arquivos com mais de 4Kb), que existem à s dezenas para esta plataforma. O script pode ser feito em shell–script se o desktop usa Linux, ou em outra linguagem de script se o desktop usa Windows (python, PHP, etc.).
Conclusão
Talvez a indústria do hardware prefira o bi–processamento máximo, por motivos óbvios. Profissionais de visão, talvez prefiram uma computação móvel mais sensata. A escolha do paradigma vai definir a escolha de plataforma no seu PDA. [Webinsider]
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Nota de Copyleft. CopyLeft Sérgio F. Lima 2003 2004 – Este documento está licenciado sob os termos da FDL (Free Documentation License) publicada pela Free Software Foundation.

1° Techbits Data: 26/10/2006 Ã s 7:10 pm
Atividade:
Cidade:
Escritório móvel: você ainda vai usar um…
O tÃtulo é totalmente clichê, mas imagine a seguinte cena: você é um profissional que necessita de mobilidade, mas está cansado de carregar aquele notebook para cima e para baixo. Tudo que você precisa é acesso ao e-mail, o poder de ver e edita…