Mozilla, uma pequena jóia subversiva
11 de agosto de 2004, 0:00Nosso amigo viveu uma experiência que se torna comum: experimentou o cliente de e–mail Thunderbird e o browser Firefox. Além de gostar, começou a ter estranhas idéias libertárias.
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Usted es argentino? Perguntou o general Bolívar a um oficial argentino, em uma recepção. Si, mi general, respondeu o capitão. Disse Bolívar: Lo reconozco por el aire arrogante que ostenta. O oficial, curvando–se, respondeu: Es el aire de los hombres libres, mi general.
Sempre lembro dessa historinha, clássica no nosso país vizinho, quando penso em meus diversos amigos argentinos. Ontem pensei muito em um deles, o Vicente, um cidadão brincalhão, extremamente inteligente e um mestre em tecnologia: um destes caras que sabem tudo de computador e para quem todos os leigos ligam quando o Windows dá pau.
Pois bem, cheguei em casa, cansado e ainda com trabalho por fazer, quando o Netscape Mail resolveu me deixar na mão: sumiu com meus e–mails. Foi a gota d’água. Liguei pro Vicente e, depois que ele me ajudou a recuperar as preciosas mensagens (não sem antes fazer uma ou outra piadinha sobre a minha incompetência em informática), perguntei qual o cliente de e–mail que ele utilizava. Mozilla Thunderbird, tche, el mejor...
Se o Vicente fala algo em relação aos computadores, eu me curvo e digo: sí, mi general. Fui correndo baixar o programa, gratuito, e fazer a mudança.
No começo achei muito parecido com o Netscape Mail: um pouquinho mais bonito, um pouquinho mais rápido, mas basicamente com as mesmas funcionalidades: filtros configuráveis e eficientes, corretores de mensagem, simplicidade de manuseio. Lentamente, entretanto, fui descobrindo pequenas subtilidades que tornam o Mozilla Thunderbird especial. Em particular, as extensões: pequenos programinhas feitos por entusiastas, que lhe adicionam funcionalidades diversas.
Entre as que mais me chamaram a atenção, a extensão que permite que você selecione mensagens e crie automaticamente cartões no seu catálogo de endereços (addressContext 0.5) e aquela que permite consultar um dicionário de inglês online (www.dictionary.com) apenas selecionando uma palavra no corpo do e–mail (DictionarySearch 0.6.1). Além dessas, dezenas de outras funcionalidades que vão desde opções de segurança até a possibilidade de dar zoom em imagens recebidas.
O mais interessante é que todos estes programinhas são instalados com um único clique no menu do Mozilla (há também uma versão traduzida para o português em Mozilla.org.br). Sim, o Mozilla é feito propositadamente de maneira que cada um possa criar as suas próprias funções ou adicionar as funções criadas por outros…
Obviamente, duas horas depois de uso, liguei pro Vicente para dizer que estava fascinado pela dica! Com um certo tom de superioridade ele me chuta: “Ya lo sabia, tche, ahora bajas el brownser”. Não precisou mandar duas vezes. Fui correndo e baixei o Mozilla Firefox, o navegador da família. Inútil dizer que o general, outra vez, estava certo.
O Firefox é rápido, agradável, simples. Inclui uma versão melhorada dos tabs do Netscape (a possibilidade de abrir várias páginas ao mesmo tempo, em uma única janela, e mudar de uma a outra com um único clique). E, é claro, inúmeras extensões que permitem personalização segundo as necessidades do usuário (e, não se preocupe, sempre há alguém que já pensou naquilo que você quer, programou, e disponibilizou no Extension Room).
Exemplos de ferramentas são os acessórios de download como o Download Sort 2.0.3, que permite que você direcione facilmente os arquivos baixados para as pastas desejadas ou o Copy Plain Text 0.1, que permite copiar textos sem a formatação (e evitar misturar fontes em documentos word, em e–mails, etc.).
Mas, de longe, as mais legais são as diversas Mouses Gesture (que, até onde sei, estão disponíveis para outros navegadores, como o Opera) que permitem executar comandos como o voltar à página anterior, abrir ou fechar uma nova janela, mudar de tab (e uma infinidade de outros) a partir de movimentos simples do mouse mantendo–se segurado o botão direito.
Isso evita de se ter que levar a flechinha até a parte superior do navegador e proporciona um conforto excepcional, especialmente para usuários compulsivos que, como eu, abrem quatro ou cinco janelas simultaneamente e ficam freneticamente mudando de uma para outra.
Poderia ficar mais umas boas horas fazendo propaganda do Mozilla, mas tenho que ir lá, pagar uma cerveja para o argentino porque, afinal, ninguém merece trabalhar de graça… Na mesa do bar, certamente vamos discutir esse programinha que, nas suas palavras é uma verdadeira jóia subversiva: criada por um punhado de programadores quer querem, nada mais nada menos, que fazer face à gigante Microsoft e seu quase onipresente IE…
Pensem bem: um punhado de gente achando que pode vencer a Microsoft e seus bilhões… Muitos veriam aí um tanto de arrogância. Eu, meu general, vejo ares de liberdade! [Webinsider]
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