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Comportamento - Redes sociais

Ricardo Bánffy
Not for sissies

Sobre o comportamento de brasileiros no Orkut

11 de junho de 2004, 0:00

Nosso amigo fica um pouco irritado com certa má educação típica de alguns brasileiros, como fazer posts idiotas para todos os amigos dos amigos e assim tornar inviável a leitura das mensagens.

Por Ricardo Bánffy

Eu odeio os brasileiros malas do Orkut. É. Eu odeio.

Mania de brasileiro achar que americano não liga para nós e que isso está errado. Você sabe qual a capital da Albânia? Não? Pois é. Nós brasileiros não damos a mínima para os albaneses. Se um dia tiver amigos lá, vou tratar de me informar um pouco mais (provavelmente, até terminar de escrever isto eu já terei dado uma espiada em alguma enciclopédia para ver qual é a capital da Albânia).

Nos últimos dias eu tenho visto um aumento pronunciado no nível médio de estupidez na net. As pessoas são, no geral, estúpidas – eu não tenho ilusões a esse respeito desde minha adolescência. Meu maior problema é que, quanto mais estúpida a pessoa, mais barulhenta ela é – mais comunidades cria, mais mensagens posta, mais barulho faz. A cada estúpido barulhento que eu vejo, minha fé na humanidade morre um pouco. Isso eu não perdôo.

E quanto mais barulho os brasileiros estúpidos fazem, menos as pessoas (eu inclusive) gostam dos brasileiros em geral.

Isso vale para todos os povos, a propósito. Outra hora eu traduzo o texto pro inglês para que estúpidos barulhentos de todo o mundo possam lê–lo.

O Orkut é ruim

Outro dia vi um imbecil (não posso dar outro adjetivo sem mentir) reclamar que as estatísticas do Orkut não são divididas por estado no caso do Brasil.

Poupem–me, por favor.

Eu não sei de cor os nomes dos departamentos da Argentina (já acho que sei muito por saber que é assim que eles chamam os “estados” deles) e metade do meu carro foi feito lá. Do Japão, eu só lembro das ilhas de Hondo e Hokaido. Meu telefone foi feito na França e eu nem sabia que valia a pena economicamente fazer celulares lá. Eu não saberia dizer os nomes de 20% dos estados dos EUA (e eu converso com um monte de gente que mora lá). Porque diabos eles têm que saber os nomes dos estados brasileiros? Quem, além de brasileiros, se interessa por isso?

Ah… Mas somos a segunda maior comunidade do Orkut.

E daí? O que é que eles têm com isso? Que bom que somos - sinal de que temos muitos amigos (ou que somos menos seletivos), de que somos um povo saudável, de que cultivamos as virtudes da amizade e da cortesia e que gostamos, de verdade, do nosso próximo. Bom para nós.

O que não dá é ficar cobrando que um serviço gratuito (alimentado pelos seus dados) se desdobre para acomodar as necessidades de uma população específica. O Orkut (site) é do Orkut (pessoa) e ele faz com ele o que bem entender. Ele e seus padrinhos corporativos (o povo do Google) já fazem bastante mantendo a coisa de pé.

O Orkutês

Qual a língua do Orkut? Assim, a primeira vista, eu diria que é inglês. As interfaces estão em inglês, os botões estão em inglês - tudo, exceto as mensagens, está em inglês.

Alguns americanos gostam de reclamar do número de comunidades com mensagens e títulos em português. Quando eu procuro alguma informação, eu procuro algo em alguma língua que eu entenda. Quase todos nós (os que me lêem ao menos), entendemos um pouco, pelo menos, de inglês. É a segunda língua de quase todos os povos. Justo ou injusto, bonito ou feio, é um fato da vida. Coitadinhos dos americanos (e de mais meia dúzia de países) que só falam uma língua. O fato de existirem comunidades em alemão não me incomoda, embora eu seja tão fluente em alemão quanto um orangotango. Eu respeito e acho absolutamente normal que os alemães prefiram escrever em sua própria língua. Eu, por exemplo, escrevi esse texto em português, que, embora não seja a primeira língua que eu aprendi, é aquela em que eu me expresso melhor.

De qualquer modo, o fato de existir uma língua na qual podemos todos nos comunicar, é extremamente significativo e é um passo na direção certa. Não me importa se é inglês, esperanto ou klingon. A língua é uma ferramenta. Se eu quero falar com pessoas de vários países ao mesmo tempo, eu uso o inglês - as chances de ser entendido serão maiores e ser entendido é o que eu quero. Se eu precisar falar com um bando de fãs de Star Trek, por exemplo, klingon seria uma segunda opção.

As comunidades

Os brasileiros também parecem adorar criar comunidades. Isso é um porre. O cara é convidado pro Orkut (devia dar para ver quem chamou esses malas), se cadastra na comunidade “Brasil” (ou fica amigo de um daqueles carentes “eu quero ter um milhão de amigos”) e manda uma mensagem para todos na comunidade (ou pior, para os amigos dos amigos, todos os 100 mil) dando conta da importantíssima e absolutamente única comunidade dedicada a falar daquele assunto que o fascina profundamente (e que não interessa a mais ninguém).

E depois o cara ainda me chama de mal–educado (ou nazista) quando eu conto para ele o que a essa altura não deveria ser novidade – que ninguém mais no mundo se interessa por aquilo e que ele, felizmente, é o único ser humano desperdiçando tempo com aquilo.

Xenofobia e ressentimentos

Eu não entendo o que Bush tem com tudo isso.

É esquisito, mas ele (e os militares mal–comportados) sempre acaba no meio dessa discussão. O homem é um imbecil. Isso não quer dizer que o povo todo do país dele seja – embora terem permitido que ele fosse eleito não fala muito a favor deles. O fato é que não se pode colocar todo um povo no mesmo saco que seu líder. Acidentes acontecem e ele é um. Eu ainda não decidi se ele é um imbecil bem–intencionado, um imbecil mal–intencionado ou um imbecil sendo manipulado por alguém muito mal–intencionado. Tomei a liberdade de descartar de antemão a possibilidade dele não ser um imbecil: eu não consegui me fazer acreditar nela.

Muitos americanos parecem ter medo do resto do mundo. Pudera – não conhecem. Para eles nós somos os atrasados, os esquisitos, os populistas, os socialistas, as republiquetas encravadas na selva.

A melhor forma de se combater o medo é com a informação. E nós não estamos ajudando em nada.

Adendo

Pouco tempo depois de escrever esse artigo, minha caixa de entrada do Orkut foi inundada por uma corrente. Acho bom avisar: Eu não vou pegar livro algum em estante alguma, não vou abrir na página 34, não vou transcrever o quarto parágrafo dela e, sobretudo, não vou pedir às 418.272 pessoas que são os meus “friends of friends” que façam isso. O brasileiro mala (particularmente mala, esse aí) que inventou essa estupidez devia ter matado menos aulas de matemática e entendido o que a expressão “crescimento exponencial” significa. [Webinsider]

……………………………………………………………………………

Nota do editor: é possível não receber no Orkut as mensagem enviadas para os amigos dos amigos e assim desentupir sua caixa de mensagens. Vá no seu perfil, escolha Settings e deixe desabilitada a opção “messages sent to friends of friends”. É o jeito..

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Sobre o autor

Ricardo BánffyRicardo Bánffy (ricardo@dieblinkenlights.com) é engenheiro, desenvolvedor, palestrante e consultor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ comunidades ] [ google ]

Comentários

10 pessoas comentaram o artigo "Sobre o comportamento de brasileiros no Orkut"

eduardo Data: 17/07/2006 às 1:39 pm

Atividade: capoeira

Cidade: camaragibe

o mal é que os participantes são muitos jovens e a grande maioria so pensa besteira e ainda esta naquela fase de criação de indentidade.Então acham que isso é simplesmente um meio de conhecer gatinhas e sacanear as pessoas de vario lugares temos que encontrar um meio de modificar isto. ainda não faço parte de nenhum orkut mais pretendo fazer parte de um se alguem quiser me convidar agradeço bom que fica melhor de conversar sobre esse assunto.

ass ;dudu

george Data: 04/09/2006 às 10:11 am

Atividade:

Cidade:

Só não entendi qual foi o ponto na parte sobre o idioma, me perdi.

De resto, muito bão, rapá! I couldn’t say it better!

mariana Data: 31/12/2006 às 1:25 pm

Atividade: orkut

Cidade: pocos de caldas

quetia fala com pessoas do orkut e queria ter um orkut como fasso

André Meirelles Data: 08/04/2007 às 1:04 pm

Atividade: Universitario

Cidade: Verona (Italia)

Muito bom o texto, muito verdadeiros os alvos das criticas, mas a conclusao de tudo isso é……. qual é mesmo?

Se se trata de um desabafo, està perfeito.

Vladimir de Sousa Carvalho Data: 17/04/2007 às 9:56 am

Atividade: Administrador sem Empresa

Cidade:

Não vejo nenhum problema de nacionalidade no orkut, mesmo porque nada me interessa dos outros países alem daquilo que possa melhorar o meu país, é claro que a comunicabilidade poderia ser melhor se a maioria dos brasileiros quisessem falar para o resto do mundo, mas, acho que estamos preocupados com o nosso umbiguo e não com o dos outros com raras exeções. O orkut é um instrumento técnico que possibilita essa comunicação e exteriorização do pensamento da maioria dos usuários brasileiros.

Eu particularmente leio em língua estrangeira apenas livros técnicos e de formação profissional, deixo os livros de auto-ajuda originalmente estrangeiros para ler o preâmbulo depois de traduzidos para o português, e te garanto não me faz nenhuma falta, prefiro os textos dos jornais e revistas nacionais, e como um ser humano comum e igual a todos do planeta, se preferível utilizando a tecnologia audio-visual na língua pátria.

Finalizando, sua analise é muito interessante, parabéns pelo bom texto escrito em nossa língua e sucesso na sua carreira.

ELZA A. Data: 20/04/2007 às 11:52 am

Atividade: Advogada e Protética

Cidade: Floripa

PARABÉNS.
DISSE TUDO COM MUITA PROPRIEDADE.
O ORKUT E A COMUNIDADE BRASIL SÃO ESPAÇOS SOCIAIS COMO QUAISQUER OUTROS E , POR ISSO DEVE SR RESPEITADO.
É UM ESPAÇO PARA MANIFESTAÇÕES LEGÍTIMAS DE CIDADANIA , DE AMIZADE ( FIZ GRANDES AMIGOS POR LÁ). É UMA PENA QUE ESTEJA DECAÍNDO O NÍVEL DESTA FORMA. MAS…. ELE É REFLEXO DA POPULAÇÃO DO NOSSO TRISTE “BRASIL”.
ABRAÇOS

Barbara Juliana Rodrigues Brito Data: 20/05/2007 às 2:57 pm

Atividade: Orkut

Cidade: pouso alegre

Quero saber como se faz um orkut mas nÃo consigo achar.Sera que ambos podera me ajudar?Espero que sim.Tchau.

Joyce Data: 28/02/2008 às 2:08 pm

Atividade: Atendente de Câmbio

Cidade: Guarulhos

Sangue no zóio esse artigo.

tony Data: 23/03/2009 às 12:27 pm

Atividade:

Cidade: maua

gostaria de saber como posso mudar o indioma do frefil d meu orkut

10° jian luzio Data: 19/10/2009 às 12:27 pm

Atividade: marketing

Cidade: criciuma- sc

Olá, tudo bom……(vamos numerar)

1- Relação a conhecimentos gerais, os ESTADOS UNIDOS e sua ignorãncia em relaçaõ ao mundo(sociedade civil) sim isso é fato. A analogia relação brasil/albania, tb é fato.
2- ESteriotipos, EXISTEM!!, como somos paises de só de indios e matas, o estado do MT tb é um estado de onças e jacares andando na praça central ou A aFRICAA É TODA composta por pessoas negras. Isso se chama ignORANCIA, o pior é que analogias são feitas sem ao menos estudar e analisar cada caso especifico de forma cientifica.
3- Relaçaõ a o ORKUT, eles não são altruistas , por isso não vejo como pessoas que querem só o lado social , porem nao fico agradecendo a eles por deixar de pé o ‘orkut” continuando a o assunto orkut, vejo como uma casa, cada um faz o quer, desde que não seja proibido ou ilegal, se o cra quer fazer um orkut q achas idiota, “e daí?” devemos ter a capacidade individual de analisar e filtrar tais assuntos, mesmo q os mesmos sejam bem sujetivos. Já pessoa a época de cliches intelectuais, imaginoq há muita besteira por aí, mas elas são necessaria s, para que possamos dar sentido as coisas q achamos serem boas para nós. Se a vida fosse só “intelectualidade” RAZÃO’ como saberiamos dar valor a isso, precisasmo dos dois lados da moeda!!!!
voltaire” sou “completamente” contra tudo oq dizes, mas sereei o primeiro a defender o direto em dizer”"

abs

Avisos
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