A Teoria dos Jogos no dia-a-dia das organizações
11 de maio de 2004, 0:00Cooperação: a Teoria dos Jogos é uma análise matemática de situações que envolvam interesses em conflito a fim de indicar as melhores opções de atuação para que seja atingido o objetivo desejado.
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Todos se cumprimentam, se falam, tomam cafezinhos, almoçam juntos e vivem em uma aparente harmonia. Isso acontece todos os dias e não se trata de um lugar em especial ou de acontecimentos isolados, mas de muitas organizações em qualquer parte. Pode ser onde você está ou onde estou, mas com certa observação é possível perceber que nem tudo vai ser dito, mostrado ou pensado.
Depois de refletir um pouco sobre o que acontece nas empresas atualmente - isto é, há um bom tempo - acredito que muitas das situações pelas quais cada profissional passa em suas jornadas diárias tem suas explicações na já célebre Teoria dos Jogos.
Certamente reflexo da feroz competição que assistimos em qualquer área do conhecimento, um contraponto à liberalização de idéias das correntes humanistas que pregam o compartilhamento do conhecimento - quase uma utopia.
A Teoria dos Jogos é uma série de ensaios dentro da Economia que atua sobre expectativas e comportamentos. Sendo mais abrangente, trata da cooperação. É uma análise matemática de situações que envolvam interesses em conflito a fim de indicar as melhores opções de atuação para que seja atingido o objetivo desejado. Sua origem está em jogos conhecidos, como o pôquer e o xadrez, por exemplo, mas o foco é muito mais amplo, relacionando–se a temas da sociologia, economia, política e ciência militar.
Os primeiros textos sobre a Teoria dos Jogos foram criados pelo matemático francês Émile Borel, que lançou as raízes desse estudo. Entretanto, foi o matemático americano John Von Neumann e o austríaco Oskar Morgenstern aqueles que conceberam, por volta da década de 20, uma teoria matemática (The Theory of Games and Economic Behavior) apurada mesclando economia e organização social aos jogos de estratégia. É aplicada em áreas tão diversas como logística, guerra e defesa, corridas presidenciais, negociações salariais, política, relações internacionais etc.
Uma relação do tema com o dia–a–dia das organizações em geral são os aspectos geralmente analisados pela teoria: as estratégias adotadas e suas conseqüências, as alianças possíveis entre os indivíduos (”jogadores”), o compromisso dos contratos, inclusive aqueles não formalizados (tácitos), a repetição de cada jogada, entre outras análises possíveis. Sem dúvida que um pouco de abstração é recomendada para que se entenda melhor sobre o tema.
Se fossem observados e analisados os atos de cada profissional em seu ambiente de trabalho, talvez os aspectos citados se desdobrem em outros não falados ou mesmo adormecidos, mas não esquecidos. Como todas as organizações, as empresas são um microcosmo em nossas vidas e têm seus sistemas técnico e social, segundo classificação do Instituto Tavistock, de Londres inter–relacionados. Nessa classificação, o sistema das tarefas e métodos de trabalho (técnico) e o das pessoas e suas características e relações (social) interagem nas organizações, movendo–as.
Qualquer alteração em um levará a repercussões em outro e visualizá–los de forma isolada não faz sentido. Dentro dessa abordagem, ambos sistemas seriam um pano de fundo para o desenrolar das atitudes estudadas na Teoria dos Jogos.
O dilema dos prisioneiros
Dentre os temas e jogos explorados por essa teoria, o Dilema dos Prisioneiros se destaca por oferecer uma visão simples e realista de como são medidas as relações humanas na atualidade. Popularizado pelo matemático Albert W. Tucker, trata de uma situação fictícia na qual dois conspiradores e cúmplices de um crime são presos e colocados em celas separadas e sem comunicação.
Eles devem escolher a opção que mais lhes favoreça em um interrogatório, mas o detetive lhes oferece um acordo: se apenas um deles confessar, estará livre e o outro pegará dez anos de cadeia. Se nenhum dos dois confessar nada, ambos ficarão por cinco anos na prisão. E ainda, se os dois confessarem, cada um ficará preso por oito anos. O dilema desse caso é que a melhor opção para um dos suspeitos, confessar o crime, pode ter conseqüências bem diferentes para os dois ao mesmo tempo. Já se mantiver o silêncio, o destino será desagradavelmente o mesmo para eles.
Assim, dentro da Teoria dos Jogos, esse exemplo clássico é uma boa metáfora para o problema da cooperação entre as pessoas dentro das organizações e a ação coletiva. Como se pode prever em diversas ocasiões, a melhor decisão individual pode prejudicar o grupo em sua totalidade, vide os casos recentes de escândalos nas multinacionais, dos quais a italiana Parmalat foi a última a explodir. E mais: se a situação se estende a muitas pessoas e todos se esforçam para conseguir o melhor para todo o grupo, é comum que um se esforce menos ou nem se incomode com a atuação dos demais, conseguindo, ao final, o mesmo benefício sem esforço.
Muitas vezes, em um instante de individualismo inconseqüente e ignorante, nos pegamos pensando sem sobressaltos que, se ninguém faz algo, não nos cabe fazê–lo também. E se ninguém não faz nada, nunca, e cada um pensa da mesma maneira, o bem coletivo se distancia ainda mais. O resultado é fácil de identificar, com uma crescente angústia organizacional, a falta de motivação e a dificuldade em cooperar quando todos estão no (tão falado e pouco visto) “mesmo time”.
A grande dúvida é se vale a pena fazer a parte que lhe cabe no conjunto ou estabelecer uma estratégia nociva em que obtenha vantagem máxima às custas dos outros. Em outras palavras, ser a estrela do espetáculo, nem que seja por méritos obscuros.
Enfim, a cada ano que passa, todos esses fatos nas empresas se repetem como um loop ao infinito. Segue em frente, mas sem direção. O impacto sobre cada indivíduo depende de suas idiossincrasias e seus ideais. Ideal é que tenhamos a competência e rapidez necessárias para marcar nosso espaço e sobreviver. Não obstante, para jogar o jogo sem se ferir é preciso, primeiro, saber as regras, entender como se comportar e estabelecer seu personagem do jeito mais conveniente possível. Ser real não vale tanto nesse jogo organizacional, ou não se poderá comemorar nada.
Quando todos estão sob a mesma consciência e agem de acordo com as mesmas diretrizes, ser autêntico e verdadeiro, mesmo que por convicções e caráter pessoais, destoa e soa inclusive pedante, por mais irônico que isso possa parecer. Afinal, o dia–a–dia nas organizações é mesmo um jogo, mas também um grande paradoxo. [Webinsider]
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1° Sergio Abu Jamra Misael Data: 14/08/2006 às 6:38 pm
Atividade: Engenharia e Construcoes
Cidade: Curitiba -Paraná
Muito interessante e real o artigo a respeito da Teoria dos Jogos nas Organizacoes!
Temos que estar ligados a todos os “sinais” presentes nos ambiemtes empresariais!
Saudacoes
Sergio Abu Jamra Misael