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A arte de enxugar aplicações para PDAs

03 de maio de 2004, 0:00

Ao criar aplicações para PDAs, é comum o desenvolvedor ceder à tentação de transportar todas as funcionalidades da versão desktop para a telinha. O resultado pode ser um sistema difícil de usar e, talvez, inútil.

Por Nenhum

André Nogueira

Uma das maiores causas da mortalidade dos ursos panda gigantes recém–nascidos é o excesso de carinho. A mãe panda, com seus mais de 160 kg, na euforia de amar e proteger seu filhote (que pesa pouco mais de 100 gramas), esquece a grande diferença de tamanho e sufoca sua cria com um forte abraço.

Triste e cruel, esse é um dos motivos do risco de extinção que esta espécie enfrenta. Coisas que aprendemos ao assistir o National Geographic Channel.

No mundo digital, algo parecido com a maldição dos pandas acontece com os softwares para dispositivos portáteis.

Na ânsia de disponibilizar para o mercado o mais completo e evoluído software da categoria, empresas desenvolvem softwares até mais complexos que os programas desenvolvidos para desktops.

Nos últimos meses analisei diversos softwares para Palm voltados para a área médica. Recurso é o que não falta em cada um deles. Tudo à disposição, para levar e usar onde bem entender.

Em vários deles, por exemplo, você pode acompanhar toda a vida de um paciente, desde as primeiras consultas, agendar uma consulta nova, ver imagens de exames, históricos de visitas, remédios tomados. Pode também ler a bula desse remédio, pesquisar a dosagem adequada e efeitos colaterais, ver outros pacientes que tomaram o mesmo remédio, mandar e–mail pra eles, saber quem são seus pais, seus filhos…

Muito bonito. Só que esqueceram de levar em conta um detalhe. A tela desses aparelhos tem em média 5×5 centímetros, onde são mostrados 320×320 pixels. Não precisa ser nenhum guru da usabilidade para perceber que todas essas informações vão ficar meio apertadas ali, se é que vão caber. São tantas informações disponíveis na tela, que realizar as funções mais básicas é um grande desafio.

Alem disso, o médico provavelmente não precisa de todo esse volume de informação guardada no bolso. O Palm não precisa nem deve substituir o desktop da clínica, muito menos a secretária.
Eles devem jogar juntos, integrados, para disponibilizar as ferramentas e informações realmente essenciais ao usuário, no volume e local adequado, construindo a solução ideal.

Não se esqueça da lição dos pandas. Tudo tem sua dose certa, até as coisas boas. Funcionalidades demais podem resultar em usabilidade de menos. [Webinsider]

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