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Como desenvolver no Brasil e vender lá fora

13 de março de 2004, 0:00

Opinião: desenvolvedores brasileiros poderiam explorar muito mais a possibilidade de vender software para o mercado internacional. É possível chegar lá observando bons exemplos e algumas medidas.

Por Nenhum



João Prado Maia

O advento da globalização muitas vezes corre contra o Brasil, quando países pressionam pela abertura de nosso mercado e os nossos produtos encontram uma enorme competição nos mercados externos, por exemplo.

Na internet, no entanto, o mercado é realmente aberto. Mas poucos empreendedores brasileiros estão atentos para a possibilidade de exportar software.

Por que os desenvolvedores brasileiros não têm interesse ou pelo menos a curiosidade de tentar vender software para um mercado internacional? Obviamente não existe muita discriminação sobre de onde vêm as aplicações para a web, desde que sejam de qualidade. Por que então não vemos mais empresas virtuais brasileiras abrindo as portas para vendas online?

Como um exemplo do tipo de empresa a que me refiro posso citar duas, que fazem a maioria dos seus negócios pela web, senão todos:

Fog Creek Software

Atlassian

Elas são razoavelmente conhecidas no mundo de weblogs porque seus donos são bloggers e discutem vários assuntos relacionados à desenvolvimento de software.

A Fog Creek foi fundada pelo Joel Spolsky, que escreve freqüentemente sobre desenvolvimento comercial e administração de projetos. A Atlassian foi fundada por Mike Cannon–Brookes, conhecido no mundo Java pelo trabalho em vários frameworks, entre eles OpenSymphony e o java.blogs.

Eles conseguem sucesso nesse mercado através da venda de licenças para aplicações web com ferramentas para equipes de programadores. Um conceito simples como bug tracking aparentemente tem demanda suficiente para manter essas duas empresas (e tantas outras) no mercado. O ponto importante nesses dois exemplos é que o mercado nicho para ferramentas de bug tracking já estava mais ou menos saturado, com várias empresas vendendo produtos especificamente para times de desenvolvedores.

A diferença aqui, mesmo não sendo óbvia, é que os produtos têm qualidade e por isso uma base de clientes sustenta as necessidades destas empresas.

Como o próprio Joel Spolsky diz muitas vezes, pequenas empresas não devem lutar por novos clientes abaixando demais os preços dos seus produtos. Uma guerra de preços só ajuda as empresas grandes, que possuem recursos disponíveis para bancar isso.

A pergunta agora é para o desenvolvedor brasileiro: – o que você está esperando para entrar nesse tipo de mercado? Tudo o que necessita é seguir a seguinte lista:

– Escolha um mercado nicho onde você tenha competência no assunto; criar uma empresa num mercado totalmente desconhecido para você não vai dar certo

– Pesquise um nicho de mercado interessante, onde os competidores atuais não fornecem produtos de boa qualidade

– Desenvolva o seu software com um foco no seu usuário. O que ele precisa para trabalhar mais eficientemente? O que falta nos produtos existentes no mercado que poderia fazer com que o seu produto se destacasse?

– Crie um web site profissional para a sua empresa em inglês e faça o seu foco principal o mercado internacional

– Quando estiver desenvolvendo a sua aplicação, pense em meios de abstrair para que funcione corretamente em várias línguas. Ou seja, pense em possíveis traduções da sua aplicação desde o início

– Entre em contato com o seu banco para conseguir processar cartões de crédito pela web. Lembre–se, clientes internacionais não podem usar boletos bancários ;)

Falo com experiência. Há um ano e meio vinha desenvolvendo nas horas depois do meu emprego normal uma ferramenta similar para lançar no mercado. Quando comecei a me preparar para vender licenças, um cliente interessado propôs adquirir os direitos autorais dessa aplicação e me empregar para trabalhar em tempo integral nessa ferramenta para eles. Não é realmente um exemplo de uma empresa, mas acho que vale assim mesmo. [Webinsider]

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