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Usuário: alguém conhece realmente esse cara?

02 de março de 2004, 0:00

É um erro comum supor que os usuários são iguais. E iguais ao próprio desenvolvedor. Técnicas de pesquisa e testes de usabilidade ajudam a descobrir o que o usuário pensa, quer e como ele age.

Por Nenhum

Luiz Agner

Muito se tem falado em usabilidade e na importância de considerar o usuário para o adequado projeto de interfaces. Mas até que ponto nós conhecemos realmente quem é esse cara – “o usuário”? Todos já sabemos de cor e salteado que o princípio fundamental do design de interfaces é “conhecer o usuário”. Mas quantos de nós somos capazes de distinguir as categorias de usuários relevantes para um projeto?



De acordo com MAYHEW (1992), o erro mais comum entre os desenvolvedores seria fazer duas pressuposições apressadas: primeiro, que todos os usuários são iguais; segundo, que todos os usuários são iguais ao próprio desenvolvedor.



Essas pressuposições levam às conclusões: primeiro, se a interface for fácil de aprender e de usar para o desenvolvedor, ela também o será para o usuário; e, segundo, se a interface for aceitável para um ou dois usuários, ela será aceitável para todos. Nada poderia estar mais longe da verdade.



A dimensão do conhecimento e da experiência é um continuum; existe um número grande de tipos de conhecimentos a serem considerados quando se descrevem os usuários. Exemplos: o nível educacional, o nível de leitura, a alfabetização tecnológica, a experiência na tarefa (conhecimento semântico), a experiência no sistema (conhecimento sintático), a experiência no aplicativo, a língua–mãe e o uso de outros sistemas informatizados.



Usuários experientes e inexperientes têm necessidades distintas, garantem os pesquisadores LEULIER, BASTIEN e SCAPIN (1998). Quanto à organização da informação, é necessário desenhar o sistema para os diferentes tipos. Pode ser desejável oferecer ao inexperiente uma explicação passo a passo das ações. Deve–se guiar o novato através de passos progressivos, permitindo aos mais experientes o by–pass (salto) de certas partes do hipertexto para atingir diretamente o seu destino.



Na visão de LYNCH e HORTON (1999), os usuários da web se subdividem em surfistas, usuários novatos ou ocasionais, usuários freqüentes (experts), e usuários internacionais. Surfistas precisam de home–pages análogas a capas de revistas. Usuários novatos e ocasionais tendem a se sentir intimidados com menus de texto. Já os usuários freqüentes e experientes ficam muito irritados com exageros gráficos: como têm objetivos definidos, apreciarão menus de textos detalhados e rápidos, além de engenhos de busca bem programados e poderosos.



Segundo FLEMING (1998), um website será bem sucedido se ele der suporte adequado às intenções e ao comportamento do seu usuário específico. Por isso, compreender quais são essas intenções e comportamentos é a etapa mais importante do projeto e a meta do designer de interfaces e do arquiteto de informação.



Deve–se descobrir o que o usuário pensa, quer e como ele age, empregando técnicas de pesquisa como grupos de foco, entrevistas e testes de usabilidade, nos diversos pontos do processo de design.



No próximo artigo, continuaremos a conversar sobre usuários e seus diversos tipos, na visão de diferentes autores do estudo da interação humano–computador. Te aguardo. [Webinsider]



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Referências:

FLEMING, Jennifer. Web navigation: designing the user experience. Sebastopol: O’Reilly, 1998. 256p.

LEULIER, Corinne; BASTIEN, Christian J. M.; SCAPIN, Dominique. Commerce & interactions: compilation of ergonomic guidelines for the design and evolution of web sites. Roquencourt: Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique, 1998. 88 p.

LYNCH, Patrick J.; HORTON, Sarah. Webstyle guide: basic design principles for creating web sites. New Haven: Yale University Center for Advanced Instructional Media, 1999. 165p.

MAYHEW, Deborah J. Principles and guidelines in software user interface design. New Jersey: Prentice Hall, 1992. 610p.

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