Webinsider

Software Livre

O Linux está pronto para o desktop? Sim e não.

19 de novembro de 2003, 0:00

A pergunta na verdade tem três respostas possíveis: sim, não e depende, esta última talvez a mais adequada. Depende da aplicação e dos objetivos do usuário. A IBM parece entender bem a questão.

Por Alexandre Figueiredo

Acompanhando o mundo open source bem de perto, percebi que uma declaração deixou a comunidade muito agitada. Há algumas semanas atrás, o CEO da Red Hat, Matthew Szulik, sugeriu que os usuários continuassem usando o Windows nos computadores desktop, pois, segundo ele, o Linux não está pronto para isso.

Vindo da Red Hat é de se estranhar. Até a sua última versão oficial - Red Hat Linux 9 - a empresa defendia o Linux no desktop. Investiu em facilidade, beleza, estabilidade. Mas pouco depois do lançamento disse que não disponibilizaria mais a “caixinha” para os usuários comuns, já que estes a baixavam da internet e que algumas empresas compravam diretamente dela.

Depois disso tudo, a Red Hat diz que não fará continuará a série – Red Hat Linux 9.1 ou 10 – e que estaria passando o núcleo do sistema para o Projeto Fedora*, que continuaria o desenvolvimento e seria sustentado financeiramente por ela. Dessa forma, a Red Hat se dedica com exclusividade ao segmento que mais lhe traz benefícios, o corporativo.

Isso quer dizer que ela usará o Fedora Linux como base do Red Hat Linux Enterprise, que será fornecido com suporte e serviços de valor agregado. Terá ainda compatibilidade e parceira com terceiros, como a Oracle.

Como dissemos, a declaração do CEO causou um reboliço, pois as facilidades trazidas pela empresa e complementadas por outros ajudam a atingir o desktop.

Certa vez, os criadores do Ximian defenderam que o Linux está pronto para o desktop corporativo, mas não para o micro doméstico, que possui uma infinidade de configurações e aplicativos feitos exclusivamente para os sistemas proprietários. Sim, exatamente esse joguinho que seu filho ganhou no dia das crianças.

Agora, como toda generalização é incorreta, o Linux pode atingir esse segmento se houver um esforço conjunto de diversas empresas. Não basta fornecer a ISO via internet. Deve–se fazer mais InstallFests**, vender a máquina com a distro pronta para usar, mais tutorias, mais artigos e How–tos, desenvolver aplicações específicas etc.

Há usuários que apenas usam seus PCs para navegar na internet, ler e–mails, conversar via ICQ (MSN ou AIM, ou que você quiser), escrever textos, fazer planilhas, escutar música e quem sabe ver um DVD ou DivX***. Esse usuário poderia usar Linux ou qualquer outro sistema operacional, pois o que importa é a aplicação.

Uma pesquisa feita na Alemanha descobriu que as pessoas conseguiam executar as suas tarefas em um tempo muito próximo no Linux e Windows XP. Isso prova que as interfaces dos sistemas estão ficando parecidas e com boa usabilidade.

Hoje, as pessoas que possuem dificuldades em determinada aplicação no Windows possuem também dificuldades no Linux. Ou seja, gravar um CD com suas músicas preferidas é tão fácil em um quanto no outro.

Devemos entender que há aplicações que têm seu nome associado a seus objetivos. Em outras palavras, é editor de texto e não Word; é planilha eletrônica e não Excel; é cliente de e–mail e não Outlook; é software de manipulação de imagens e não Corel ou Photoshop.

Onde quero chegar? Há substitutos. Conheça o OO.org (Um Office open source, veja ao lado), o Ximian Evolution o Mozilla Thunderbird ou o Gimp. Todos eles tentam usar a maioria das características de seus correspondentes proprietários.

Entusiastas da Microsoft procuram fazer seu marketing sobre as frases “mal ditas”. O CEO da Red Hat está visando o segmento corporativo de servidores. Exatamente isso que você leu, servidores. É aqui que o “pinguim arrebenta a janela”. Sejam servidores web, banco de dados, impressão, arquivos etc.

Se você quer usar o Linux como desktop ou servidor mas não quer pagar pelo suporte, existem diversas distros – veja o primeiro artigo da série. Os que mais facilitam o uso no desktop são o Fedora 1.0 e o SuSE 9. Este último, pertence à SuSE, empresa alemã, recentemente adquirida pela Novell com a ajuda da IBM. Sendo que a Novell comprou a Ximian há menos de três meses. Vamos ver onde ela quer chegar.

Já a IBM semana passada liberou uma apresentação na qual mostra que o Linux está pronto para o desktop corporativo. A IBM primeiramente classifica os tipos de desktop de acordo com as tarefas executadas por seus usuários: jogos, aplicações cientificas, aplicações multimídia, navegar na web, entre outras. Depois, defende qual segmento terá facilidade de adoção das alternativas open source. Pelo visto ela sabe onde quer chegar…

Conclusão: o Linux está pronto? Sim e não. Acho que os advogados diriam: depende. Só o tempo poderá nos dizer.

…………………………………………….

* Um tipo de chapéu. Alguns dizem que é o estilo do Indiana Jones.

** Festival de Instalação de Linux. Geralmente grupos de usuários fazem este evento em suas regiões. Eles instalam e deixam configurados, pronta para usar, qualquer distribuição. Seja o Kurumin, Debian, Slackware, Conectiva, Fedora ou Red Hat. Depende do Grupo de Usuários Linux (GUL) que fizer o festival.

*** Um formato de vídeo que acomoda um filme inteiro em um CD comum. [Webinsider]

.

Sobre o autor

Alexandre Figueiredo (a.figueiredo@ibestvip.com.br) é formado em Ciência da Computação e possui especialização em Rede de Computadores.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ windows ] [ linux ]

Comentários

Ninguém comentou o artigo "O Linux está pronto para o desktop? Sim e não."

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Ricardo Bánffy

Quem paga a conta do software livre?Há quem pense que software livre é diletantismo. Não é bem assim, muita gente escreve software de 9 às 6, às vezes até de gravata, em empresas públicas e privadas. Entenda porque.
Por Ricardo Bánffy

Suite open source tipo Office. Mais uma chance.Nada mais feio do que usar Office pirata. Se este é o caso de sua empresa, não deixe passar mais uma chance de sair desta lama. O OpenOffice.org 1.1 é em português e tem quase tudo igualzinho.

Jabber, o protocolo de IM (open source V)Mensagens instantâneas são ferramentas de Gestão do Conhecimento e estão pegando nas empresas. Mas não dá para usar servidores públicos, por uma questão de segurança. Ponto para as soluções de código aberto.
Por Alexandre Figueiredo

Firebird, o browser peso-pena (open source IV)Vale a pena conhecer o Firebird, browser open source leve para Windows, Linux e Mac. É o Mozilla em versão mais rápida e algumas facilidades que o Internet Explorer não tem.

Thin clients, a volta da boa idéia (open source III)O conceito de terminais finos (ou burros) de anos atrás foi detonado pelo mercado. Hoje retorna através do Linux Terminal Server Project, onde um 486 pode agir como uma supermáquina. Por Alexandre Figueiredo

Uma introdução ao mundo open source (II)O Linux e as diversas aplicações GNU podem ser obtidos de graça, desde que observadas algumas regras de licenciamento. Veja quais são e como funcionam as principais distribuições.

Uma introdução ao mundo open source (I)Soluções baseadas em software livre provocam revoluções e podem ser tão bonitas e fáceis para o usuário final quanto a alternativa proprietária. Vamos começar a falar delas aqui neste espaço. Acompanhe.

Webinsider