HTML simples, tableless, com XML e CSS
10 de novembro de 2003, 0:00HTML complexo, com várias tabelas, uma dentro da outra - o resultado é confusão e páginas que demoram para carregar. A solução está em uma filosofia de desenvolvimento baseada na simplicidade.
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Qualquer um que codifique HTML, ou mesmo use um editor WYSIWYG, já esbarrou no problema. Se você trabalha com internet, já deve ter tido também esse problema. O ódigo se tornou complexo, com várias tabelas, uma dentro da outra. Vários frames, com uma porção de scripts para manter o conteúdo atualizado entre eles. Uma parte da aplicação rodando em um pop–up, com um script que atualiza o conteúdo principal.
Então, cumprindo a lei de Murphy, um dos seguintes fatos indesejáveis acontece:
-
Um cliente liga reclamando que o site está dando um tal de “erro de script” quando clica num link, você tenta, mas não consegue reproduzir o erro em nenhum
navegador. -
Alguém da diretoria resolve que os títulos devem ser azuis, não vermelhos. E você se põe a localizar <font face=”verdana” size=”5″
color=”red”> para poder mudar a cor. -
Alguma tabela não fechada corretamente está
dando problemas no Netscape, mas o código tem cinco
tabelas aninhadas e você perde um dia tentando achar
o defeito. -
Você percebe uma certa demora para carregar algumas
páginas, vai conferir o código e descobre
algumas coisas assim: <font
face=”Verdana”><b></b><i></i><font
size=”1″><b></b></font><font
face=”Arial”>Texto</font></font>
Que fazer? É claro que com muito cuidado e talento
esse tipo de problema pode ser evitado, mas isso envolve uma
quantidade de trabalho insana. Já vi muitos projetos
onde se gastou mais tempo preso nas entranhas de um
código complexo do que em qualquer outra fase do
projeto.
Tem um pessoal na web que propõe uma solução bastante interessante para isso. É a turma do WaSP (www.webstandards.org.) As soluções não são apenas uma lista de novas tecnologias, mas também uma filosofia de desenvolvimento baseada na simplicidade.
Baseado nessa filosofia da simplicidade, que tem me rendido resultados surpreendentes, gostaria de fazer algumas sugestões interessantes:
XHTML
Quem já trabalha com XML certamente percebeu o poder da flexibilidade e da smplicidade. É impossível escrever um XML com erros de sintaxe, porque os interpretadores reclamam imediatamente. É muito simples escrever documentos XML, sendo fácil extrair dados de qualquer banco de dados e
transformá–los em XML (a maioria dos SGBDs incorpora ou tem planos de incorporar o suporte nativo a XML.)
Através da poderosa linguagem XSL e da farta oferta de
parsers gratuitos, XML pode ser transformado em praticamente
qualquer formato de arquivo.
XHTML nada mais é do que uma forma de escrever um
documento HTML de modo que ele também seja um
documento XML válido. Ou seja, seu documento HTML
ganha a coerência e flexibilidade de um documento XML,
podendo ser facilmente lido por ferramentas
automáticas e convertido em outros formatos de
arquivos. Com XHTML torna–se muito fácil oferecer os
dados do seu site através de WAP ou de um RSS
(http://rssficado.pilger.inf.br) por exemplo. Torna–se fácil também transformar o resultado de uma consulta a banco de dados ou um documento XML numa página web.
A boa notícia é que é muito fácil
escrever XHTML. Qualquer um que escreva HTML pode aprender a
fazê–lo sem muita dificuldade. Existem inclusive uma
série de ferramentas interessantes para tornar esse
processo mais produtivo, como o excelente HTML Tidy
(http://tidy.sourceforge.net)
que tem uma eficiência impressionante para uma
ferramenta automática.
CSS e a Abordagem Semântica
Como você cria um título num documento HTML?
O meio comum hoje em dia para fazê–lo é:
<font face=”Arial” size=”4″ color=”blue”>Texto do
Título</font>.
Quando eu estudei HTML, em 1996, aprendi que existia uma tag
específica para criação de
títulos. É a tag h1. Assim, a maneira de se
criar um título em HTML seria: <h1>Texto do
Título</h1>.
Extremamente mais simples, não é verdade? E
torna o código também mais significativo. Assim
um interpretador pode saber, por exemplo, onde estão
os títulos no meio do texto. Ou seja, esta abordagem
dá significado semântico ao código.
Aquele tag passa a significar alguma coisa, mesmo que
não seja vista num browser que renderize a fonte maior
e azul que você tinha planejado.
Aliás, por falar no texto azul, se você usar a
segunda abordagem seu título será exibido com
os estilos padrão do navegador, e seu azul vai para o
beleléu. Como você não quer perder a
bonita formatação que havia planejado, aqui
entra uma segunda linguagem, o CSS. Com CSS você pode
colocar toda essa informação sobre
formatação num arquivo externo. Assim
você fica com um arquivo HTML apenas com
informação (que fica muito mais simples,
organizado e rápido de se escrever) e mantém
toda a formatação num arquivo externo. Se um
dia seu chefe resolver que todos os títulos do site
tem que ser vermelhos ao invés de azuis (acredite,
isso é muito comum) você só
precisará alterar uma palavra em um único
arquivo e todos os títulos do site estarão
automaticamente ajustados.
No Tables
Tabelas são um recurso muito útil do HTML. Sem tabelas como exibiríamos informações como uma lista de produtos, um extrato bancário ou um calendário? O problema é que tabelas tem sido usadas para muito mais do que isso. É preciso colocar o menu ao lado do texto? Cria–se uma tabela. É preciso que o texto tenha uma largura delimitada? Cria–se uma tabela. Imagem junto ao texto? Menu no cabeçalho? Duas colunas de texto? Tabela neles!
E como fica, nessa situação, a semântica
do documento? Como você deve imaginar, não
há aqui aquela prática separação
entre informação e formatação.
Além disso, temos um outro sério problema: em
browsers antigos, ou mesmo em browsers modernos mal
desenvolvidos, como o Internet Explorer, as tabelas só
são exibidas depois que a última tag
</table> chega ao navegador.
É por isso que, quando você está
conectado via dial–up, em alguns sites a tela fica em branco
durante longos segundos (às vezes minutos) até
que é exibido de uma vez só.
Abrir mão de tabelas para montar layouts vai tornar
seu código muito menor, mais simples e organizado. Vai
também centralizar a formatação,
colocando tudo que se refere a layout em um único
arquivo. Imagine a facilidade de manutenção.
Melhora também a experiência do usuário,
pois a informação é exibida
instantaneamente, assim que chega ao browser.
Dá–se a esta abordagem o nome de tableless. Apesar do
nome, não é a ausência total de tabelas,
mas o seu uso apenas onde é semanticamente
justificável. De lambuja, um documento tableless bem
pensado vai funcionar em qualquer navegador, em qualquer
sistema operacional, mesmo em PDAs.
No Frames, No Pop–ups, No DHTML
Pense muito antes de aplicar uma solução
baseada em frames, DHTML, scripts absurdos, pop–ups, plugins,
ActiveX, Applets ou qualquer outra tecnologia que quebre
essas duas premissas da internet:
– A web é um ambiente multiplataforma.
– Cada documento na web tem um endereço associado a
ele.
Não vou me alongar nesse tópico, mas gostaria
que você tomasse um tempo para ler:
-
http://www.wired.com/news/culture/0,1284,55675,00.html -
http://www.digital–web.com/features/feature_2001–6.shtml -
http://www.digital–web.com/features/feature_2002–09.shtml - http://www.useit.com/alertbox/990530.html
- http://www.useit.com/alertbox/9612.html
Vamos com calma
O interessante dessa abordagem baseada na simplicidade é que você não precisa fazer tudo de uma vez. Se está inseguro para começar, pode apenas eliminar as tags <font> e criar um arquivo CSS único. Ou pode começar usando os recursos de XML do seu banco de dados para gerar XHTML, ou criando um RSS. O importante é começar a simplificar antes que você fique maluco! [Webinsider]

1° marcia sisi Data: 23/08/2006 às 8:33 pm
Atividade: aluna forever
Cidade: capão bonito
ninguém comentou, pois eu faço questão de comentar… pela primeira vez, em meses, consigo ler algo sobre o assunto e ENTENDER o que está sendo explicado. Parabéns ao autor, por não só incentivat a criação de uma web mais simples, organizada e leve, mas principalmente por ser ele próprio em sua maneira de escrever, a simplicidade em pessoa.
A maneira como discorreu sobre o tema, a terminologia que utilizou, a sequência lógica do raciocínio e principalmente a objetividade. Explicou sem confundir. Incentivou a utilização de forma intuitiva.
Bem, como já deu para perceber, meu discurso não é tão objetivo. Portanto paro por aqui. Obrigado pelo esclarecimento.