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A contribuição do Flash para a hipermídia

18 de outubro de 2003, 0:00

Opinião: áudio, vídeo texto e interatividade juntos trazem alto poder de envolvimento. O Flash reúne tudo isso numa única ferramenta e alguns experimentos já apontam para o que vem por aí.

Por Nenhum

Frederick van Amstel



Até alguns anos atrás, construir interfaces era algo para privilegiados. Hoje, muita gente com pouca habilidade em programação consegue criar interfaces inovadoras usando o Macromedia Flash. É um grande avanço nessa disciplina.

Quando conheci esse software, a facilidade de uso foi o que mais me atraiu. Já tentara antes criar interfaces com o Delphi, mas a quantidade de código necessário era frustrante. Na época não tinha intenção de explorar o mundo obscuro da programação, queria apenas comunicar através de uma interface. Por oferecer esta facilidade, o Flash ocupa uma posição importante na história das interfaces gráficas.

Muitas pessoas cometem o erro de projetar websites como software. Adicionam funcionalidades, codificam e verificam se está usável. As páginas da web podem conter softwares, mas sempre serão hipertextos. Ao invés da aplicação, que se propõe a realizar uma tarefa, o website se propõe a comunicar uma mensagem.

Então, devemos usar todas as nuances de uma interface para transmitir essa mensagem. Como na célebre frase de McLuhan: “O meio é a mensagem”. Com o Flash é possível criar interfaces mais adaptadas a essa finalidade, escapando das limitações que há em outros suportes.

Já que falamos de McLuhan, autor do livro A Galáxia de Gutemberg, vejamos o hotsite do carro Phaeton. O visitante navega por um espaço cheio de estrelas, cada uma contendo um conteúdo, seja texto ou imagem. As estrelas são ligadas visualmente por linhas que sugerem nebulosas e há links no corpo do texto. A metáfora criada não prejudica a facilidade de uso e acrescenta uma experiência marcante. E tudo isso inserido na estratégia de branding.

Se acreditarmos no que href=http://www.boxesandarrows.com/archives/the_substance_of_style_how_the_
rise_of_aesthetic_value_is_remaking_commerce_culture_and_consciousness.php
rel="externo">Virginia Postrel diz (em inglês, site Boxes and Arrows), fica ainda mais cabal a necessidade de usar Flash: “A forma não segue mais a função. A forma agora segue a emoção”. Para ela, vivemos a era da estética, compramos e consumimos muito em favor de embalagens bonitas e produtos fascinantes, deixando em segundo plano outras características.

O exemplo dela é convincente: Imacs. Bonitos por fora, não tão práticos por dentro para certas pessoas. Um profissional da informática talvez prefira um PC turbinado a um desses computadores que mais parecem videogames.

Donald Norman, um dos Ns do NN
Group
, o “time dos sonhos da usabilidade”, diz que é bom que as coisas sejam agradáveis. Encher os olhos, tocar uma música, um som na hora certa, valorizar os comandos do usuário e usar animação para suavizar uma interface e torná–la mais coerente todos são artifícios válidos para garantir uma boa experiência ao usuário. Tudo isso é muito novo, antes do Flash isso só era usado nos CD–Roms multimídia, que tiveram pouca penetração.

De qualquer forma, o momento é para ousar. Chegamos a um ponto em que a experiência em hipermídia se tornou brincadeira de adolescentes. Mais do que ter suporte para áudio, vídeo, texto e interatividade, o Flash reúne isso numa mesma ferramenta, com custo relativamente baixo. Se a tecnologia de comunicação é popular, a técnica como um todo se transforma.

Por exemplo, os weblogs nasceram como ferramentas populares e hoje são utilizados por colunistas de grandes veículos noticiosos. Na televisão aberta, a técnica de utilização de câmeras pouco mudou nos últimos 30 anos aqui no Brasil. Porém, com o recente aumento do número de câmeras de vídeo nos lares, já há influência na TV aberta. Na minissérie Os Maias, foi ao ar a primeira cena de novela gravada com uma câmera sem apoio de tripés,
na mão.

Falando em televisão, fiquem atentos, porque Flash é um prelúdio do que será a TV Interativa. Mixar movimento e interação já é possível com o Flash, a limitação é
o broadcast.



Interatividade



Muita gente lamenta que as crianças de hoje só querem saber de videogame, mas é importante perceber que o game sempre tem uma história e que o jogador faz parte dela. Interatividade desperta curiosidade, exploração.



Há décadas atrás, os href=http://www.geocities.com/Baja/Dunes/2049/rpg.htm rel="externo">livros–jogos fizeram muito sucesso entre crianças e adolescentes. Era um sistema rudimentar de hipertexto. Cada bloco de texto perguntava para qual próximo o leitor, ou melhor, aventureiro gostaria de ir. Na mesma época, começaram a surgir os href=http://www.historias.interativas.nom.br/historias/textos/2002–2.htm rel="externo">RPGs, muito mais complexos. Hoje, estes têm href=http://www.the–underdogs.org/genre.php?id=7 rel="externo">versões eletrônicas, mas não substituem a aventura que se desenrola na roda de amigos.



Nessas ocasiões, todos os sentidos do jogador estão ocupados:

  • ele vê a ficha de personagem, o mapa, os dados rolando
  • escuta as palavras do Mestre (o narrador), dos companheiros
  • xinga, canta, se cala
  • usa expressão corporal
  • come algum lanche

Além disso tudo, a imaginação vai a mil. O modelo mental que o jogador constrói é altamente complexo e ao mesmo tempo, muito próximo de sua realidade. Não é à toa que esse jogo faz sucesso.

Se queremos criar a realidade virtual, então que cada canal de entrada de dados do homem esteja plugada. O hipertexto plano oferece profundidade de informação num espaço muito compacto, mas com interatividade baixa.

Áudio e vídeo juntos ocupam mais espaço e também tempo, mas são tão imersivos que podem colar pessoas numa poltrona por horas. Se adicionarmos interatividade a esse conteúdo, temos a hipermídia, ainda mais envolvente.

Mas o que é essa interatividade afinal? Bem, isso é assunto para um artigo inteiro. O que quero ressaltar é que com o Flash, essas possibilidades aumentam. Hoje, já vemos muita experimentação no campo da interatividade visual, porém ainda não dispomos dos melhores recursos para a interatividade sonora e tátil.

Mesmo assim, dois experimentos conseguem tocar na ponta do iceberg usando o
Flash: o divertido website vencedor de prêmios da href=http://www.thunderhouse.com.br/awards/laramara_port/ rel="externo">Fundação Laramara e o carrinho real controlado à distância, num experimento realizado no Japão. O primeiro cria uma experiência sonora envolvente, o segundo uma experiência tátil pobre.

Os sentidos estão sendo plugados, o Flash é um hub. Para onde vão, não sei. [Webinsider]


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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "A contribuição do Flash para a hipermídia"

Lorival dos Santos Rosa Data: 05/09/2007 às 10:18 pm

Atividade: Urbana

Cidade: Ji-Parana

como funciona Flash e qual e sua especialidade

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