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Amadurecem as convenções para o uso do Flash

25 de setembro de 2003, 0:00

Diferente do html, o Flash permite fazer quase tudo em matéria de interface gráfica, movimento ou áudio. É preciso então avaliar a quantidade de caos que o usuário–alvo pode suportar.

Por Nenhum

Frederick van Amstel



Não quero impor regras até porque sou o primeiro a quebrá–las. Mas acredito que ter ciência das convenções que os desenvolvedores Flash aplicam para ter resultado prático no emprego dessa tecnologia é essencial. Boa parte destas convenções provém das regras propaladas pelos gurus da usabilidade, os racionais. Outra parte é fruto de experimentação de designers visionários, os emocionais.

A primeira regra é: use o Flash para agregar conteúdo sempre. A segunda regra: é faça esse conteúdo render, provocar emoção. O HTML é estático e, pela analogia termodinâmica, frio. O Flash é dinâmico, quente, e essa propriedade deve ser aproveitada, mas sem queimaduras.



Carregamento demorado e não–informativo é mortal. Som desproposital e repetitivo irrita. Navegação escondida ou ambígua gera confusão. Legibilidade baixa e excesso de animação inutiliza o conteúdo. O Flash deve ser usado para enriquecer a experiência do usuário e não frustrá–la.



O pior, é que na maioria das vezes o usuário culpa a si mesmo por não ter tido uma boa experiência: acha que não possui a banda larga ou a inteligência necessária para usar o site. Se não fosse por esse fator, acrescido do e–mail estar sempre enterrado nesse tipo de site e pela demora para enviar um e–mail através do Outlook, haveria muitas mensagens de reclamação de usuários insatisfeitos. Com o aumento da experiência e senso–crítico do usuário médio da web, isso vai aumentar e quem não souber lidar com o feedback, tá ferrado.



Caos. Ao contrário do HTML, o Flash não tem limites rígidos. É possível fazer quase tudo em matéria de interface gráfica, movimento ou áudio. Empregando mais termodinâmica, isso aumenta a entropia, a tendência da matéria em direção ao caos (desorganização).



É preciso então pesar a quantidade de caos que o usuário–alvo pode suportar. De qualquer forma, ele vai precisar de navegação, velocidade, clareza e legibilidade e se isso vai ser fornecido fora dos padrões, é preciso uma boa justificativa.



O caos do mundo fora das telas já é grande o suficiente para saturar as pessoas. Não sejamos pedantes. Quando se fala nesse assunto, o primeiro termo lembrado é "skip–intro" (pular–introdução). Não vou repetir, muito
já foi dito sobre
. Só ressalto que animação inicial pode ser útil para enriquecer a metáfora da interface ( justificá–la) ou reforçar o branding.



Já para solicitar interação do usuário, não há nada melhor do que uma tela congelada. A interface está lá, obediente, esperando o input dele, nenhum botão vai fugir do ponteiro. Para ler texto, a estática também é necessária. Mesmo um leve movimento pode distrair a atenção do leitor. Lembre–se de que a leitura na tela é sempre uma súplica.



Isso significa usar fonte legível. Mas quando digo legível, é legível mesmo, não é aquela fonte pixelizada de tamanho 10 em baixo contraste (esse erro é muito comum!). O designer no seu magnífico 17 polegadas com contraste e brilho impecavelmente ajustado tem uma certa vantagem sobre o usuário normal.



Outro grave e recorrente erro é tornar interação adivinhação. Chega dessa história de botão minúsculo correndo
de lá e pra cá
, sem rótulo descritivo, em baixo contraste e posicionado no ponto cego do layout. Isso acontece muito quando o designer deixa por último colocar as áreas de ação numa tela.



Além disso, é preciso mostrar reação ao clique do usuário. Isso gera muita satisfação, a interface valoriza o input. é nessa tarefa que o efeito rollover (mudar aparência quando o mouse passa por cima) é tão eficiente. Um botão claro e desabilitado após o clique pode servir muito bem como orientação de onde o usuário se encontra.



O fator reação também implica transições curtas. Animações rápidas podem incentivar o usuário a clicar mais, ficar mais tempo no site. O tiro sai pela culatra, entretanto, quando se clica em algo que parece clicável e nada acontece.



Depois desse show de retórica, pode–se pensar que interfaces inovadoras devem ser evitadas. Não, pelo contrário, devem ser muito bem exploradas. O Flash está aí para isso.



Dou uma dica: explique numa breve e destacada animação como é a interação com os botões (um esqueminha). Se tiver a sorte do usuário estar olhando para a tela naquela hora e não confundir com animações sem sentido tão comuns, isso é suficiente. Então, para garantir, adicione uns quick–hint (aqueles textos de ajuda que aparecem quando o mouse repousa sobre algo). O limite é quando você sentir necessidade de colocar um botão de ajuda no canto da tela. Não faça isso, navegação na web tem que ser intuitiva, ou quase.



O Flash enrustido. Alguns designers resolveram todos esses problemas montando páginas em Flash que mais parecem feitas em HTML. O problema dessa abordagem é que desperdiça a oportunidade de dar satisfação ao usuário com resposta instantânea ao clique. Além disso, se é tão estático assim, então que seja verdadeiro HTML com toda as suas vantagens (indexação, acessibilidade e compatibilidade).



Vejamos um case interessante do estúdio WDDG: o website da gravadora Maverick. O briefing especificava algo inovador, mas com muito conteúdo. DHTML logo veio à cabeça, mas o estúdio escolheu Flash 4 pela sua compatibilidade com browsers, suporte para áudio e precisão nos gráficos. O website contruído tem impacto visual grande, navegação é simples e freqüência de atualização alta, garantida pela utilização de um software que gera dinamicamente arquivos de Flash (SWF), o Generator.



Uma outra solução é usar o Flash somente para o menu do site. Para essa abordagem, recomendo o uso de frames internos (<IFRAME>) para mostrar o conteúdo, a transição entre as páginas é mais suave. Essa abordagem tem alguns problemas de usabilidade significantes, mas não vamos entrar em detalhes por ora.



Críticas do passado. O Flash não deve prejudicar a usabilidade. Só que a usabilidade prejudicou o Flash. Jakob Nielsen, o maior guru dessa área, quebrou o pau em 2000 e gerou o maior alarde. Ele afirmou que o Flash pode piorar websites por três motivos:

  • encoraja abusos no design
  • quebra com os princípios fundamentais de navegação
    da Web
  • desvia a atenção do usuário de seu real valor, o conteúdo




Graças aos erros cometidos no começo do uso dessa tecnologia, alguns empresários conservadores ainda excluem o Flash do mundo dos negócios. Dizem que animação é coisa pra criança. Porém, não podemos culpar a ferramenta pela forma como é utilizada.



O futuro do Flash é muito promissor nas Aplicações Ricas de Internet (RIA), principalmente em transações comerciais.



A nova versão do Flash MX possui integração nativa com Webservices e os softwares Flash Remoting e Flash Communication Server permitem mais rápida integração com banco de dados e outras linguagens de servidor. O Flash faz o HTML comer poeira no campo das aplicações.



O senhor Nielsen recentemente foi contratado pela Macromedia para avaliar a usabilidade do seu produto, o Flash MX. Já que agora o software suporta o botão "voltar" do navegador, está tudo OK, o guru mudou seu discurso. [Webinsider]



………………………………………………………………………………..



No próximo artigo, a conclusão (por enquanto) desta série sobre o uso do Flash em aplicações comerciais e uma explicação sobre porque devemos usá–lo. Veja os outros artigos da série na caixa ao lado direito.



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