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Usabilidade e AI - Intranets e GC - Relacionamento

A intranet e as pessoas deficientes na empresa

02 de setembro de 2003, 0:00

O redesenho de uma nova intranet deve dar todas as condições possíveis para que os empregados deficientes qualificados se integrem com igualdade em todas as tarefas. Veja o exemplo da Prodam.

Por Aracy Maria Bernardes Gonçalves

É recente a discussão sobre a inclusão social e acessibilidade digital das pessoas deficientes. Para nortear este enfoque, alguns conceitos são necessários:

Acessibilidade ao meio físico: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Acessibilidade digital: flexibilidade do acesso à informação e interação dos usuários que possuam algum tipo de deficiência ou necessidade especial, no que se refere aos mecanismos de navegação e apresentação das páginas, operação de softwares, hardwares e adaptação de ambientes e situações.

Embora a maioria da população não perceba, pessoas com necessidades especiais deparam–se com inúmeras barreiras ao acessar a internet, devido à disposição das informações, às tecnologias utilizadas e às formas de comunicação.

Sites que fazem uso exagerado de figuras e exigem movimentos precisos com o mouse, por exemplo, são inacessíveis para aqueles que possuem dificuldades sensoriais, motoras e cognitivas.

Algo similar ocorre na intranet.

Algumas empresas, para cumprir os requisitos do Decreto Nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que regulamente a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, apenas contratam formalmente pessoas deficientes e as “esquecem” no contexto do dia–a–dia, priorizando questões e processos que não as inclui com amplitude.

“A empresa com cem ou mais empregados está obrigada a preencher de dois a cinco por cento de seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoa portadora de deficiência habilitada (..)” (Decreto Nº 3.298).

A obrigatoriedade pela lei não deve ser encarada como assistencialismo, no sentido ruim da palavra, as sim como avanço das tecnologias criadas com foco nos usuários. Neste sentido, é de vital importância se levar em consideração os empregados com deficiências, para incluí–los adequadamente nos processos internos e no dia–a–dia da corporação.

Nos Estados Unidos, a Section 508 (emenda da lei de reabilitação de 1973) é um esforço para a aplicação de acessibilidade pelo governo federal. Tudo que é adquirido, mantido, desenvolvido para a instância governamental deve ter acessibilidade.

É claro que muitos deficientes na empresa necessitam de apoio extra, adequação de mobiliário e treinamento especial para sua atualização em novas tecnologias, mas isso não isenta o desenvolvedor e o empregador de dar o primeiro passo para a acessibilidade digital, que fomenta o aumento das possibilidades de profissionalização e socialização de comunidades que antes eram excluídas.

Há situações em que e–mails importantes da empresa são enviados em forma de imagem (invisíveis para pessoas com alguma dificuldade de enxergar) ou a arquitetura de algumas intranets dificulta o acesso a diversas informações essenciais. É preciso maior esforço na via do compartilhamento de conhecimento e na valorização do design.

Ansiedade de informação. Wurman* diz que a “acessibilidade é a brisa que atravessa a janela do interesse”. Onde estou? O que existe ao meu redor? Para qualquer pessoa, deficiente ou não, estas perguntas são fundamentais. Afinal, geralmente o que se busca em um site é o conteúdo desejado. Para uma pessoa deficiente não é diferente.

Com empatia, o designer envolvido no desenvolvimento dos novos padrões para intranet – agora no caminho alargado dos Portais Corporativos – confronta–se com um fato definitivo: como um deficiente da empresa vê as páginas web do portal? Qual o nível de interação destas pessoas com este produto? Como um designer que pensa em usabilidade e arquitetura da informação pode colaborar? Num ambiente controlável, como é o de um portal corporativo para a intranet, estas questões são contornáveis.

Segundo o censo IBGE de 2000, os brasileiros com algum tipo de deficiência compreendem um total de 24,5 milhões de pessoas. O grupo mais numeroso desta fatia é o formado por deficientes visuais (por volta de 16,5 milhões de brasileiros).

Um deficiente visual pode utilizar completamente um computador. É surpreendente saber que colegas de trabalho deficientes podem acessar qualquer programa no desktop, páginas web e sistemas. Através de sintetizadores de voz e softwares de tecnologia de apoio, qualquer interface não é total mistério para eles.

Mas ainda é muito difícil e, em muitos casos, completamente impossível que a pessoa deficiente perceba, entenda e realize tarefas satisfatoriamente e em pé de igualdade com qualquer outra pessoa utilizando websites.

Redução de Custos. Se acessibilidade é um dos itens de foco inicial no planejamento estratégico do projeto, a aplicação dos conceitos propostos em novos projetos para web implica em investimentos significativamente menores se comparados com a reengenharia de sites já existentes, cujo tempo médio para adaptação é maior.

Iniciado no contexto da empresa, o esforço para adoção da acessibilidade digital em procedimentos certamente será palco para soluções que contemplam e sensibilizam clientes e fornecedores.

Separar a estrutura da apresentação em página web, simplicidade e coerência da apresentação, o uso de folha de estilo, o uso do XML e independência de dispositivo são algumas das recomendações de acessibilidade e que igualmente promovem a eficiência e a redução de custos.

Recomendações para Acessibilidade. Recorrer ao W3C–WCAG 1.0 (Web Contents Accessibility Guidelines publicado pelo W3C - veja a tradução em português), como nas recomendações gerais de acessibilidade para web e aplicativos baseados em navegadores, é o começo da viagem rumo ao trabalho de redesenhar um projeto web de forma acessível.

Estas diretrizes estão sendo mundialmente aceitas para acessibilidade na web e são a base para a formação das futuras normas da ABNT.

O W3C propõe três níveis de conformidade com as suas recomendações, o que facilita o desenvolvimento e versionamento de um projeto para a acessibilidade dentro de um planejamento estratégico.

É especial e singular a situação de empresas que têm sua própria equipe multidisciplinar coordenada por técnicos com e sem deficiências, engajados nas questões de desenvolvimento de sistemas e inclusão social, como é o caso da Prodam, Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo/SP. O Grupo de Acessibilidade Prodam disponibiliza várias informações e comenta dúvidas mais comuns na construção de uma página acessível aos usuários com necessidades especiais. [Webinsider]

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Referências:

WURMAN, Richard Saul. 2. ed. Ansiedade de Informação - como transformar informação em compreensão. Rio de Janeiro: Editora Cultura Editores ASS, 1999. p. 51.

W3C

Sobre o autor

Aracy Maria Bernardes Gonçalves (aracy@prodam.sp.gov.br) é designer e participante do Grupo de Acessibilidade Prodam.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ pesquisa ]

Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "A intranet e as pessoas deficientes na empresa"

alessandra ferreira galvao Data: 12/10/2006 às 4:16 pm

Atividade: estudante de rireito

Cidade: sao jose dos campos

oi gostei da matéria,estou fazendo pesquisas para meu trabalho de conclusão de curso,se vcs. puderem comentar mais,vou ficar feliz de receber seus email.obrigada desde já.

Philipe Coutinho Data: 06/04/2007 às 5:09 pm

Atividade: estudante de publicidade e propaganda e webdesigner

Cidade: Natal/RN

Alessandra Ferreira,
também estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso algo relacionado a isso. Caso tenha interesse em trocarmos idéias aí vai meu e-mail (philipecoutinho@digizap.com.br)

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