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Comportamento - Redes sociais

Juliano Spyer
Mídias sociais

Construindo comunidades virtuais (parte 1)

18 de agosto de 2003, 0:00

Mais do que um artigo, este é praticamente um manual didático, sério e conciso sobre como construir comunidades virtuais, escrito por um dos responsáveis pelo Slashdot.

Por Juliano Spyer

Este texto é uma tradução do artigo Building online communities, feita por Juliano Spyer, com a autorização e assistência do autor, editor técnico da O’Reilly Network. chromatic é também co–autor do manual “Running Weblogs with Slash”.

A internet existe para aprimorar a comunicação. Onde existe comunicação, surgirão comunidades.

Esta proposição tem implicações imensas, óbvias ou não. Quem está de acordo com ela costuma ver um site comercial menos como uma vitrine e mais como uma chance de se comunicar com consumidores. Para estas pessoas, o site de um fã–clube é uma comunidade e não um grupo de infratores de direitos autorais.

Cultive uma comunidade e você atrairá a atenção de pessoas interessadas em escutar o que você tem a dizer. Incentive discussões e você se cercará de gente disposta a compartilhar as próprias idéias.

Antes de começar a construir sua comunidade, você deve entender como elas funcionam. Eu já participei de várias e ocupei os mais diversos papéis, de usuário iniciante a veterano, de observador a administrador, de empregado a dono. E em todas as ocasiões eu me surpreendi com a dinâmica do relacionamento entre pessoas no espaço virtual.

Para escrever o manual do Slash, fui levado a me confrontar com esse tema. Depois do lançamento do livro, aprendi ainda mais com o comentário dos leitores. Eu não sou um sociólogo profissional nem este artigo tem base em uma pesquisa formal. Ainda assim, considero corretas as minhas conclusões.

Um motivo para existir. Antes de arregaçar as mangas, você deve saber porque o seu site existe. Se não, como medir a eficiência de suas ações? Ou, o que é ainda pior, como os visitantes saberão se querem pertencer à comunidade? Quais os benefícios que o participante terá? Por que alguém se interessaria por sua iniciativa? Sem a existência de uma diretriz, é difícil guiar usuários num sentido construtivo para que eles agreguem valor à comunidade. Agir assim seria como abrir uma empresa sem pensar que devem existir clientes para pagar pelo serviço.

Uma vez que você definiu uma diretriz, seja fiel a ela. É válida – e necessária – a mudança de foco para atender às necessidades da comunidade. Entretanto, sem ter um plano, você poderá apenas adivinhar o que fazer. Cada usuário seguirá seu próprio objetivo se o seu não for claro.

Tenha uma atitude positiva e firme. Aja com pulso e imparcialidade. Deixe o que for vago e ambíguo para a redação das missões corporativas. Invente um slogan se for preciso. Use Perl diz que lá os usuários encontram “soluções para extrair e gerar relatórios”. Advogato, um site que promove o trabalho colaborativo em projetos de código aberto, se diz “o defensor dos criadores de programas gratuitos”.

Usuários atraem outros usuários. Como dono, líder, e/ou divulgador da comunidade, sua tarefa é atrair usuários. As formas corriqueiras de promoção (ferramentas de busca, boca a boca, links para outros sites) são válidas. Mas esta é a parte fácil do trabalho. Assegurar–se que as pessoas certas visitem e gostem da comunidade é mais difícil. Mas este não deverá ser um problema seu numa comunidade saudável.

Dentro de um grupo, os usuários mais ativos conseguem atrair mais participantes do que você. Um grupo ativo exala um senso de ajuda mútua. Isso chama a atenção de quem procura pessoas com interesses em comum para se sentirem acolhidas e receber os benefícios dessa interação. Todo mundo gosta de encontrar gente com quem se identifica. Para a sua comunidade passar essa impressão, ela deve dar ao visitante a oportunidade de conhecer não apenas uma mas várias pessoas desse tipo.

O tráfego e o registro em comunidades populares revelam padrões de crescimento interessantes. Se o Slashdot publica um link para uma mensagem do Perl Monks, milhares de usuários conhecerão o Perl Monks. Muitos se registrarão. Vários continuarão freqüentando a comunidade e farão contribuições valiosas. Se a mensagem no Slashdot atraiu os novos membros, foi a comunidade que os convenceu a voltar ao site. O conteúdo do site talvez tenha chamado a atenção deles mas uma comunidade vazia ou fraturada afastará participantes em potencial.

Na maioria dos casos a comunidade pode não ser o único mas será o principal chamariz para aumentar seu próprio “capital social”.

Uma comunidade é sempre surpreendente. Os participantes de uma comunidade irão surpreender você a toda hora, especialmente se você nunca tiver participado de uma. Os problemas e os temas que você considera importantes talvez não interessem à comunidade. Por outro lado, alguns membros se entregarão apaixonadamente à discussão de idéias que você nunca considerou relevantes ou sequer conhecia. Eles também terão a propensão para desenvolver características estranhas. Nem todo mundo agirá assim, mas observei estas tendências em todas as comunidades que eu conheci.

Senso de territorialidade. Usuários assíduos desenvolverão um sentido de territorialidade pela comunidade. Como um todo, a contribuição deles provavelmente superará a sua e você terá que admitir isso. Esse sentimento se manifesta de inúmeras formas. Ele pode causar um senso de posse pelo site, levando alguns usuários a se ofenderem por causa de mudanças mínimas como o acréscimo de uma nova área ou a ampliação do foco da comunidade.

Se por um lado a territorialidade dificulta algumas coisas, ela também pode ajudar. Os usuários assíduos costumam assumir tarefas e responsabilidades dentro da comunidade. O sistema de moderação e meta–moderação do Slashdot canaliza essa energia para manter a alta qualidade do conteúdo gerado pelos usuários. Perl Monks e Everything 2 aplicam esse recurso de uma maneira um pouco diferente, aproveitando–o para definir o foco editorial da comunidade. Por isso, um site que está começando e depende do trabalho dos administradores terá menos força para se expandir.

Na medida em que o site cresce, a comunidade deve aprender a participar da manutenção dela própria. Algumas comunidades permitem que seus líderes julguem e castiguem usuários mal–comportados. Moderadores de listas de discussão freqüentemente utilizam esta estratégia de ação para não comprometer sua posição defendendo um lado.

As responsabilidades também podem ser distribuídas caso a caso e de uma forma não tão explícita. Por exemplo, a página de resultados estatísticos do Perl Monks é uma ação voluntária que não tem relação com o projeto original – e sim, com os interesses de uma espécie de sub–comunidade. Alguns membros entenderam que havia essa lacuna e agiram por conta própria. Ainda nesse site, apenas um grupo seleto tem permissão para editar a página com as perguntas mais freqüentes, mas voluntários podem ajudar na integração de novatos.

Ao constituir um espaço comunitário, você e a as pessoas que participarão da idéia terão um acordo. Você permitirá que líderes e usuários registrados assumam parte do trabalho administrativo – publicando e moderando conteúdo, desenvolvendo o código do site, doando equipamento ou ajudando a pagar pelo uso da banda. Por outro lado, não se esqueça de que a comunidade deverá ter uma participação na hora de decidir sobre seu próprio destino. Mesmo que você pague por tudo, se quiser preservar a comunidade, terá que entender que seu trabalho será em vão sem os usuários. [Webinsider]

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Veja a parte final do artigo: Construindo comunidades virtuais: conduta

Sobre o autor

Juliano SpyerJuliano Spyer (juliano@naozero.com.br), autor do livro Conectado e do blog NãoZero, é especialista em mídia social e projetos colaborativos na web.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ]

Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "Construindo comunidades virtuais (parte 1)"

Mateus Nogueira Data: 09/08/2007 às 8:43 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Rio Grande

Olá , gostaria de criar comunidades relacionadas a jogos que as pessoas possam se entreter .Obrigado .

SAIONARA MARQUES Data: 18/09/2007 às 2:30 pm

Atividade:

Cidade:

Desejo construir uma comunidade relacionada a comedores compulsivos anônimos

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