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Dicas sobre como não escrever manuais inúteis

04 de julho de 2003, 0:00

O destino dos manuais de software muitas vezes é o lixo, quando são incompreensíveis e herméticos. Porém é possível torná–los atrativos, agradáveis de ler e até usá–los como aliados.

Por Karyn Nassif

Antigamente os materiais de referência dos sistemas eram somente manuais impressos. Eram escritos pelo profissional mais júnior da equipe de desenvolvimento, no fim do projeto e às pressas. Como resultado, os manuais não eram compatíveis com a realidade do sistema e eram difíceis de entender.



A internet invadiu as empresas e nossas vidas. O manual online facilita a disseminação da informação, é mais cuidadoso no design e no conteúdo, mas o manual impresso sempre terá o seu espaço nos armários.



Vivemos numa sociedade onde muitas pessoas não possuem computadores ou acesso à internet, onde é normal faltar energia elétrica, o telefone ficar mudo e o provedor de banda larga sair do ar. Pois é, acontece. Por estes e outros motivos, os manuais impressos continuarão existindo por muito tempo.



Este tipo de manual também demonstra o respeito da empresa para com o cliente ou usuário. Afinal ela expõe a outra pessoa detalhadamente como o produto que acabou de comprar funciona, os possíveis problemas, o que deve ser feito ou não. O usuário estabelecerá uma relação de confiança com empresa, que além de oferecer algo que ele queria ou precisava ainda o ajudou a superar dificuldades e forneceu informações. Provavelmente, no futuro, esta pessoa adquirirá outros produtos desta mesma empresa ou influenciará outras na compra.



O caso de manuais de software não é diferente. Eles devem transmitir confiança, guiar o usuário na utilização do sistema, explicar as ferramentas, a instalação (quando necessário), as tarefas típicas e as mais avançadas. E tudo isso de maneira natural, procurando despertar o interesse do usuário e evitar o destino de muitos: o lixo.



Mas como evitar este destino? Para isso existem algumas técnicas.



Defina a forma de apresentação



O objetivo do manual e seu público–alvo definem a forma de apresentação e não ao contrário. Se o necessário é um manual de referência completo, um tutorial introdutório, um cartão de referência rápida ou simplesmente um guia para iniciantes (conhecidos como “getting–started”) só será possível descobrir após definir o perfil do leitor e os resultados esperados após a leitura.



Após feita escolha do formato lembre–se que o manual deve ser ao mesmo tempo fácil de manusear e resistente . O próximo passo é definir a apresentação, que deve ser clara, sem cores fortes que agridam ou dificultem a leitura. Deve passar confiança e seriedade, mas ao mesmo tempo inovação e criatividade.



Desenvolva a organização e estilo



O autor deve saber o conteúdo técnico, ter testado o software, estar ciente dos conhecimentos que o usuário tem e a “língua” que ele fala, assim como ter habilidade para manter uma escrita lúcida e compatível com a realidade do sistema. Este é o maior desafio.



Facilitadores destas tarefas são a definição da organização e do estilo de escrita. A organização deve ser guiada pelas tarefas que usuário pode realizar, formatando a seqüência de aprendizado. O conceito das tarefas deve ser apresentado antes das ferramentas do sistema e das ações que o usuário deve tomar.



O estilo de escrita deve ser baseado no perfil do leitor, menos ou mais técnico, mas deve ser sempre claro, simples e didático. Escrever difícil não valoriza o texto e utilizar gírias ou excesso de palavras estrangeiras também não acrescenta informações.



Utilize exemplos



Apresente inúmeros exemplos sempre. Permita que o usuário veja o que acontecerá se ele realizar tal operação ou o resultado que obterá se executar determinada tarefa. Ele se sentirá mais seguro.



Forneça diagramas e ilustrações que sejam condizentes com a realidade do sistema. Não utilize imagens de telas se não tiver certeza de que o usuário poderá se deparar com elas.



Forneça meios de localização



Permita que o usuário encontre o que ele precisa. Forneça índices, tabelas de conteúdo, glossários e sumários. Uma lista de erros também é muito bem–vinda. Ele perceberá que não há nada escondido e não se sentirá obrigado a seguir uma regra de leitura.



Outro item importante: forneça sempre a opção de um contato em caso de dúvidas em relação ao conteúdo do manual ou forma de utilização e de criticas e sugestões. O feedback é essencial em todas as relações.



Tenha profissionais especializados



A maioria dos técnicos não gosta de escrever manuais; pelo contrário, acham que estão perdendo seu precioso tempo, afinal poderiam estar escrevendo código.



Porém, é possível sim encontrar profissionais que não só gostem de escrever como tem o dom para isso. Que precisam só de um estimulo, ferramentas adequadas e um pouco de treinamento. Estes profissionais se preocupam com o lado humano da tecnologia e produzem ótimos manuais.



…………………………………………………………….



Lembre–se: aprender algo sempre é um desafio. Este desafio pode ser prazeroso e satisfatório, mas quando se fala sobre aprender a utilizar sistema, muitas pessoas experimentam ansiedade, frustração e desapontamento. Muitas dificuldades nascem de designs de tela pobres ou instruções que conduzem ao erro, ou ainda a simples falta de habilidade dos usuários em saber o próximo passo a tomar.



Para facilitar essa tarefa existem os manuais e eles devem ser capazes de fornecer as informações necessárias para que o usuário utilize produtivamente o seu sistema. [Webinsider]




Sobre o autor

Karyn NassifKaryn Nassif é empreendedora, consultora e especialista em experiência do usuário.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Dicas sobre como não escrever manuais inúteis"

Adriana Data: 14/10/2006 às 12:50 pm

Atividade:

Cidade: Curitiba

Olá Adriana!

Os nossos exemplos didáticos terão como marca a documentação - manual e tutorial,pontos fracos do ERP da AULAND.

Leia este artigo e conversamos.

Abraço

Guerra

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