O jornalista como mediador virtual ideal
14 de abril de 2003, 0:00Opinião: o papel do mediador é imprescindível nas comunidades virtuais. Estas avançam mais quando a discussão e o debate contam com a participação do jornalista (ou alguém com seu perfil) no papel de mediador.
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No meu último artigo, ponderei sobre a possibilidade de uma auto gestão na divulgação cultural, abrangendo desde a concepção até a promoção de uma obra de arte, possibilitada pelo uso da internet e das tecnologias digitais.
Ou seja, ao afirmar que a internet destituía o intermediário na cadeia de agentes da divulgação cultural, atentei ao fato de que, com os devidos conhecimentos de informática, um artista pode criar, publicar e divulgar seu trabalho através de websites, grupos de discussão ou comunidades virtuais, sem desperdício de tempo, dinheiro ou limitações de espaço e tempo.
Agora, vamos voltar a outras pontas da rede, e são muitas, como vimos aqui mesmo no Webinsider, onde estão os espectadores, consumidores destes novos trabalhos artísticos, ávidos por novidades conceituais, gráficas ou sonoras.
Estes cidadãos, que cada vez mais se reúnem em comunidades virtuais com o propósito de discutir e aprender sobre assuntos específicos, ao tempo que estão abertos ao entendimento crítico e análise dos contextos, também o estão para a infinidade de informações superficiais e difusas que encontram pela rede e que atrapalham este processo de construção do conhecimento real.
Então, como selecionar o que deve ser lido e debatido do fugaz, do supérfluo? Como tirar de uma obra seu significado, sua valoração, e evitar o lugar–comum?
O objetivo deste artigo é analisar – em linhas gerais, claro – o imprescindível papel do mediador nas comunidades virtuais. E mais, propor que, para um nível mais avançado na discussão e compreensão do debate online, devamos contar com a participação do jornalista, o profissional de imprensa, no papel de mediador.
O papel do mediador
Todo mediador tem como objetivo primeiro facilitar o trâmite de dados e informações que fazem parte de uma comunidade virtual baseada, por exemplo, em troca de e–mails e extrair, de tudo que foi postado, a síntese, conclusão ou resultado acerca do debate realizado.
Cabe também ao mediador gerenciar o grupo, atualizar as ferramentas tecnológicas, fomentar novos debates e zelar pela conduta ética do fórum. Mas cabe ao mediador, principalmente, contextualizar a síntese de cada discussão, formatá–la em linguagem acessível e utilizar este novo conhecimento para propor alterações e avaliações na vida real de cada pessoa que faz parte da comunidade virtual.
Cabe ao jornalista?
É o que parece. Se o mediador chega a atuar como uma espécie de professor, assumindo a liderança do grupo e dos passos a serem dados, está identificada uma centralização de poder que pode ser verdadeiramente prejudicial aos envolvidos, se mal dimensionada.
Admitindo a veracidade deste fenômeno – excesso de poder delegado ao mediador – é necessário que o agente entenda e aceite as responsabilidades que lhe caem aos ombros e desempenhe seu papel com serenidade.
Ainda que fora do escopo de sua atuação, é preferível então que tenhamos um jornalista atuando como mediador. Citando o jornalista e crítico do jornalismo, Alberto Dines, “…sabe–se que o processo de informar é um processo formador, portanto, o jornalista, em última análise, é um educador”.
Particularmente acredito que, em certa medida, a afirmação de Dines seja crível e, assim sendo, para atenuar os efeitos deste poder educador distorcido e multifacetado, cabe ao jornalista utilizar sua experiência profissional para a absorção dos fatos relevantes do cotidiano e colocá–los numa linguagem clara, compreensível.
Sendo assim
Os papéis de cada participante de um grupo de discussões online devem estar claros aos demais, e o do mediador aprovado por todos. Em consenso, se definem limites para o trabalho do jornalista mediador, bem como possibilidades de aprofundamento, investigação e interpretação dos fatos colocados em pauta.
Todavia, a característica da parcialidade e o poder formador de opinião do jornalista, principalmente dos reconhecidos pelo grande público, continua latente e ganha ainda maiores dimensões, dado que tudo o que seja produzido por este agente será incorporado e tomado como conhecimento real pelos demais participantes.
É tênue a fronteira entre a boa e a má conduta de atuação, balizada de um lado pela ética do mediador e pelo outro pelo senso crítico–interpretativo dos demais personagens de cada comunidade virtual. [Webinsider]
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Referência citada:
DINES, Alberto. – O Papel do Jornal: uma releitura, São Paulo, Summus Editorial, 1986.
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1° OSVALDINO GRAÇA Data: 21/11/2006 às 10:15 am
Atividade: ARQUITECTO
Cidade: cabo verde
SAUDAÇÕES
ESTANDO EU CONVIDADO PARA MEDIAR UM FORUM, INTITULADO A CRIAÇÃO DO MUNICIPIO DE SANTO ANDRE EM S.ANTÃO CABO VERDE, E ATENDENDO SER A MINHA PRIMEIRA VEZ, GOSTARIA SE POSSIVEL, O FORNECIMENTO POR VOSSA PARTE DE ALGUNS COMPORTAMENTOS EM TRAÇOS GERAIS QUE DEVO TER, ENQUANTO MEDIADOR NESTE MESMO FORUM.
ATENTAMENTE
ARQ. OSVALDINO GRAÇA