O mercado para o profissional de usabilidade
10 de abril de 2003, 0:00Apesar de todas as atenções estarem voltadas para a usabilidade, ainda é muito difícil ter esse oficio como principal fonte de renda. Mas este panorama deverá mudar com o tempo.
Por
Andre de Abreu
Nós cobramos normalmente US$10,000 para avaliar a homepage de um site. É com essa frase que Jakob Nielsen abre o prefácio do seu último livro, Homepage Usability (traduzido para o português pela Editora Campus como Homepage Usabilidade). É claro que esse número está um pouquinho hiperflacionado, mesmo para o mercado americano que já conta até uma associação de profissionais de usabilidade, mas pelo menos podemos ter uma idéia da importância da usabilidade nos EUA.
No Brasil, por outro lado, a rotina de avaliar a praticidade de um site ainda não é costumeira. O mercado nacional desconhece a economia gerada quando se planeja um site com o auxílio de profissionais de usabilidade. De acordo com o estudo The Dotcom Survival Guide, da Creative Good, as empresas de e–commerce deixaram de faturar 19 bilhões de dólares em 2000 por não promoverem uma boa experiência entre site e consumidor. Tendo esse prejuízo em mente, as empresas, na hora de formar suas equipes web, estão deixando de apreciar os micreiros e valorizando mais os profissionais com formação humanística.
O início da demanda por sites práticos no Brasil faz com que novos campos de trabalho surjam para o especialista em usabilidade. Ele pode estar presente em praticamente todas etapas de um projeto web, entretanto as três principais áreas de atuação são:
Consultoria: ajudando empresas que perceberam que seus atuais projetos web não estão satisfazendo o público–alvo. Neste caso, a diretoria mostra a situação atual e sua missão será elaborar um relatório avaliando o que estaria errado e apontando possíveis soluções. Em alguns casos o consultor de usabilidade também é responsável por conduzir testes de navegação com usuários reais. Atualmente, esta é a principal área de atuação dos profissionais de usabilidade norte–americanos.
Ensino: estamos no início do boom da usabilidade nacional; certamente a procura por formação nessa área crescerá exponencialmente, assim como aconteceu com a explosão dos webdesigners. As escolas e universidades já pensam em incluir essa disciplina em seus currículos, no entanto ainda são poucos os docentes capacitados para essa atividade. Por isso, as pessoas quem têm gosto e habilidade pela usabilidade devem procurar aperfeiçoamento, por meio de muito estudo e leitura, pois a qualquer instante uma escola pode bater na sua porta propondo que você lecione sobre usabilidade.
Produção: na usabilidade não há preconceitos – qualquer pessoa, em qualquer fase de um projeto web, pode pensar no usuário no dia–a–dia. Desde o designer júnior até o CEO da empresa, todos podem colaborar tendo a usabilidade em mente. Desta forma, com cada funcionário da empresa se esforçando para facilitar a vida do usuário, o resultado final do trabalho será visível: um site útil, fácil de usar e que se tornará parte do cotidiano de quem o acessa.
Apesar da aceitação, ainda é muito difícil sobreviver exclusivamente de usabilidade no Brasil. Por isso, enquanto a demanda não vem, essa é a oportunidade para o profissional investir em si mesmo com bastante leitura, navegando pelos sites díspares possíveis e reparando como as pessoas o cercam acessam a internet. Afinal, o exercício da usabilidade requer repertório, observação e um senso crítico aguçado. Portanto, leia, leia e leia tudo o que cair na sua mão sobre usabilidade e afins (e entenda–se por afins literatura sobre comunicação, ergonomia e design tradicional. Não se isole do mundo apenas com obras técnicas). [Webinsider]
