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Alvaro de Castro
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China convive com 95% de pirataria musical

20 de março de 2003, 0:00

Eu sou você amanhã: indústria fonográfica de olho na China, onde a pirataria de CDs é tamanha que as gravadoras mudaram o método de trabalho e fazem contratos para empresariar shows ao vivo.

Por Alvaro de Castro

Artigo do International Herald Tribune mostra como é a vida de um artista em um país onde quase todos os CDs vendidos são cópias não autorizadas.

A China de hoje detém o recorde mundial: 95% do material musical vendido é pirata. Jay Berman, presidente da International Federation of the Phonographic Industry, órgão que representa mais de 1500 gravadoras no mundo inteiro, afirma que a “China é o exemplo mais típico do impacto da pirataria em escala industrial. O modelo de negócios das gravadoras no mundo inteiro está se espelhando no que a gente vê na China hoje”.

Berman cita o recente contrato entre o cantor britânico Robbie Williams e a gravadora EMI como um exemplo do estilo chinês – a gravadora passou a reter uma percentagem de qualquer aparição pública de Williams que se refira aos seis álbuns assinados.

Enquanto a relação gravadora–artista em qualquer país está centrada no álbum, as gravadoras na China agora assinam para tomar conta de todos os aspectos da carreira do artista. Em troca de uma percentagem das receitas, as gravadoras buscam eventos promocionais e endorsements de produtos. Zorro Xu, diretor administrativo da EMI na China, diz que a estratégia de sobrevivência da gravadora na China requereu mudar para um modelo de gerenciamento de talentos.

Shows e singles em vez de álbuns. Segundo Xu, a medida em que a pirataria cresce em outros países, “isso é exatamente o que as gravadoras terão que tentar’. Lachie Rutherford, presidente da Warner Music para a área da Ásia e Pacífico, afirma que “não existe receita de royalties, então os artistas na China gravam singles para tocar na rádio, em vez de álbuns completos para os consumidores”

Assim, os artistas chineses estão tendo que fazer aparições pagas em festas, contratos de promoção de produtos, e intermináveis shows pelo país inteiro. A cantora Han Hong, premiada na versão deste ano do Channel V’s China Music Award, afirma: “Nos Estados Unidos e na Europa, uma estrela está com a vida ganha se consegue vender bem um álbum. Na China, temos que dar tantos shows que não temos tempo de descansar nossas vozes”. Para tentar contornar a pirataria, ela baixou o preço dos CDs vendidos nos seus shows de 70 yuans para somente 15 (R$ 6,40), enquanto o pirata os vende por somente 5 yuans. A cantora explica que “não há como combater a pirataria, então não adianta ficar chateado. Temos que nos adaptar aos tempos”.

CD não é produto e sim promoção. O cantor pop Wang Lee Hom afirma que os piratas já destruíram a indústria musical chinesa. “Isso frustra a minha vida e destrói o futuro da criatividade na China”. Lee Hom faz numerosas aparições públicas para pagar o seu estilo de vida. “Até que pirateiem o meu corpo, posso depender de aparições pessoais. Estou forçado a ver o CD apenas como uma ferramenta promocional”. Até vários shows são meramente promocionais, com empresa arcando com os custos destes e dando entradas de graça.

No Brasil, a pirataria já chegou aos 65% e muitas pessoas acham que isso se deve aos altos preços dos CDs, proibitivo para um público que recebe pouco mais de um salário mínimo. A situação da China soa como uma previsão pessimista. [Webinsider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ música ] [ direito ] [ china ]

Comentários

3 pessoas comentaram o artigo "China convive com 95% de pirataria musical"

Fabio N Sarmento Data: 11/09/2006 às 8:45 am

Atividade:

Cidade:

Alvaro,
achei mto interessante sua matéria e concordo que o preço dos CD’s no brasil são severamentes proíbitivos , hoje em dia vc vai comprar um cd duplo vc paga em media R$52,80 , se quiser pagar barato vai ter que esperar ele sair na versão milenium ou os anos se passarem p/ baratiar.
Infelizmente isso é uma coisa ridícula em nosso país e eu assumo que faz uns 4 anos que eu não compro CD’s desde 1996 que comecei com internet e conheci a MP3/MP4 nunca mais larguei , em minhas contas diria que tenho 10 mil ou mais mp3, e se fosse condenado por tais, talvez pega-se uns 100 anos por pirataria,tráfico e formação de quadrilha como sempre a corda estoura pro lado mais fraco ;
Obrigado e parabéns pela matéria.

Makoto Data: 13/09/2006 às 8:03 pm

Atividade: Designer

Cidade: São Paulo

Achei ótimo o seu artigo. A idéia de artistas ganhando a vida só com shows era algo que eu já havia pensado, mas é interessante ver que na China já é assim. Só que, e agora, qual o papel das gravadoras? Com o sucesso do YouTube, Myspace, iTunes e afins, pra quê o artista vai precisar de uma gravadora financiando sua carreira e gastando rios de dinheiro para divulgá-lo? Ok, a não ser que elas consigam monopolizar espaços colaborativos da internet que por enquanto parecem ser democráticos.

mariano capote Data: 21/10/2006 às 3:17 pm

Atividade: executivo junior

Cidade: balneário falido-RJ

Parabéns,Alvaro,há informação fresca nos seu artigo.Gostaria de acrescentar ,além dos preços proibitivos que desistimulam o público a compra-los,mas não os impede,visto que ainda há cds muito populares,as vezes,vistos como “azarões”.
É interessante observar que as agências e departamentos promocionais no Brasil,ainda lidam com a idéia de que a razão da baixa venda está na falta de interesse do público em seguir as leis;ameaçando-os com processos que,só fazem diminuir participações e interações.As empresaas preferem cortar custos,do que investir mais,para garantir verdadeiros retornos ou melhor,focar com inteligência,seus gastos de mídia,talvez seja por o isso que a mídia virtual ainda represente apenas 5% dos gastos publicitários dispensados para ações promocionais…Parece que os rebeldes “Guerrilheiros” terão que ser aceitos no maistream…Nada mau como vingança…rs

abs,M.

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