Afogado em mails!
27 de janeiro de 2003, 0:00A batalha para manter o nosso inbox limpo é cada dia mais difícil de vencer.
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Acho que ainda me lembro em 1993, quando comecei a ter uso para o e–mail. Eu me candidatava para um curso nos EUA e dependia de uma bolsa no Brasil. Tudo precisava sincronizar. A correspondência era feita por correio e uma simples pergunta e resposta chegava a demorar semanas. Tempo precioso que eu não podia perder.
Me lembro dos olhos arregalados de colegas que estavam na mesma situação quando contava que estava usando o e–mail pra falar com a universidade. A pergunta mais comum era mas não precisa pagar interurbano?.
Quando minha mulher foi passar um mês fora no ano passado, pude constatar uma coisa que há muito eu já desconfiava: o telefone de casa não tocou uma vez sequer durante os 30 dias. Minto, tocou, claro: nas vezes em que ela me ligou e quando os serviços de telemarketing resolveram me vender alguma coisa.
Quando percebi o que acontecia, aquilo me assustou. E por alguns instantes entrei direto na paranóia–depressiva de que eu não tinha amigos, que ninguém me ligava, que eu estava sozinho no mundo. A paranóia evidentemente desapareceu, quando sentei no meu computador e continuei a tentar responder todas as mensagens pessoais que estavam no meu inbox. Estava na cara, mas difícil de ver. Minha comunicação hoje em dia é praticamente feita toda pelo e–mail, seja com quem for: família, amigos, conhecidos, clientes, colegas de trabalho.
E a verdade é que eu mesmo nos últimos anos, provoquei essa mudança deliberadamente. Me lembro ainda de ficar irritado quando o telefone tocava e era alguém com um assunto absolutamente nada urgente e que me obrigava a parar o que eu estava fazendo por alguns instantes pra responder ao telefone. Eu pensava catzo! por que não me manda um e–mail!?. Com certeza a minha mensagem chegou. O meu telefone aos poucos parou de tocar e o meu inbox foi ficando cada dia mais cheio.
Até que a coisa começou a mudar de figura.
Me lembro de ter achado divertido, uma amiga/cliente que me dizia por favor, se quiser falar comigo urgente, me ligue, não me mande e–mail. Eu achei aquilo peculiar sem perceber que começava a sofrer do mesmo mal.
Sim, em 1993, eu conseguia uma resposta do cara da universidade em menos de 4 horas. Eventualmente conseguia até que ele me escrevesse quase que na mesma hora, dependendo do fuso horário. A tecnologia permitia isso, mas mais importante era o fato de que o cara conseguia me responder rapidamente porque a fila de e–mails no inbox dele era manejável. Até Bill Gates me respondeu na época, quando comentei um artigo seu.
Hoje o mal que nos assola é a facilidade do e–mail combinada com o volume de mensagens e da demanda de respostas que eventualmente acabamos concentrando. Todo mundo tem e manda e–mail. Mas quem é que ainda consegue responder?
Me lembro de conseguir limpar o meu inbox diariamente. Me lembro quando comecei a não conseguir mais dar conta de todas as mensagens em um dia, mas ainda ter a certeza de que resolvia no fim de semana. Me lembro da angústia na primeira vez em que decidi que determinada mensagem não seria respondida nunca e ainda tenho a imagem em câmera lenta do meu dedo pressionando o botão delete. Tenho sete mensagens no meu inbox desde novembro e que eu não consigo responder.
Aos poucos voltamos ao ritmo do velho e bom correio. Onde as cartas chegavam e a gente não saia desesperado pra responder, sempre podendo botar a culpa no atraso da entrega da carta.
Sim, o e–mail chega na hora, mas quem diz que a gente consegue ou quer responder?
Se precisar falar comigo urgente, por favor, me ligue! [Webinsider]

1° DANIELA FONSECA Data: 16/01/2008 às 8:11 am
Atividade: TRANSPORTE
Cidade: FLORIANOPOLIS
Estava indo para o trabalho -onde meu inbox já deve estar com mais de 100 novas mensagens ditas “SOLICITAÇÃO DE COLETA URGENTE” ou “BUSCA DE VOLUMES URGENTE”-, quando resolvi ler algum artigo sobre “otimização do tempo”, e olha o que encontrei… justamente este artigo: era tudo o que eu precisava ouvir (ler)…” que não estou sozinha”. Obrigada
Ps.: exitei por duas vezes em enviar este comentário pensando no tempo que iria levar respondendo, ai pensei: “expressar isto é uma prioridade”, já que com certeza não vou pegar o telefone e ligar para alguém para contar que estou super atolada em e-mails. Muito bom!