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Um diploma na mão e nenhuma idéia na cabeça

30 de dezembro de 2002, 0:00

Opinião: a educação voltada para o conhecimento técnico desvaloriza o crescimento pessoal e coloca no mercado candidatos a designers e programadores amplamente despreparados.

Por Nenhum

Leonardo Mello

Mercado saturado, desemprego, profissionais perdidos… Encontramos hoje um mercado lotado de profissionais na área de informática, principalmente de internet, que ocupam (ou querem ocupar) responsabilidades na área de design ou programação sem a menor qualificação e também sem orientação sobre como desenvolver suas capacidades.

Eles vêm dos mais diversos meios, desde o “cursinho–de–webdesign–pra–você–ficar–rico” ao ensino médio e superior, especializado ou não.

Parte desta situação se deve à ausência de preocupação, principalmente no ensino superior, com o desenvolvimento do aluno. O aluno que deverá ser um profissional, um futuro criador, um inovador, um destruidor de idéias prejudiciais, sem medo de errar, perder e chorar.

Não é com aulas pobres de empreendedorismo que se chegará a um clima perto do ideal para a construção do profissional. É muito mais que isso, todos sabem (espero). É preciso um empenho maior por parte daqueles que são responsáveis, formalmente ou não, por estimular o desenvolvimento do conhecimento. Esse empenho deve começar desde cedo, antes mesmo da faculdade.

É necessário valorizar a idéia de que alguém que sai com o diploma na mão de uma faculdade ou outro curso, pode ser MUITO mais que um empregado qualquer, de uma empresa qualquer, que lhe dá um valor qualquer…

A educação deve ser voltada para a valorização da criação de empresas pelos próprios alunos. Deve estimular o desenvolvimento de capacidades inerentes ao relacionamento entre as pessoas, deve mostrar a importância de se respeitar idéias contrárias, de estar disposto a aprender sempre, de contribuir e disseminar conhecimentos, enfim… de amar, viver a sua profissão.

Um estudante não vai para uma universidade de nome apenas porque lá se encontram os melhores professores, mas porque há uma liberdade organizada para o crescimento pessoal através da troca constante de idéias!

Esses pensamentos não são novos. Por isso é triste quando se vive exatamente o oposto. Como coordenador de uma equipe de internet, sou responsável também por procurar profissionais que contribuam e ajudem a crescer a empresa onde trabalho.

Não procuro “mestres perfeitos” e nem os melhores na área, em relação ao conhecimento técnico apenas. Procuro aqueles que querem crescer, que estão dispostos a desempenhar um papel fundamental dentro de suas futuras responsabilidades… uma ambição saudável, que é capaz de criar, transformar e destruir idéias ao mesmo tempo, deixando uma eterna inquietação pelo melhor em cada projeto.

Continuar procurando é a saída, não tem jeito, pois o lado ruim das coisas é na maioria das vezes o motivo principal do crescimento de alguém, a tal eterna busca pelo melhor.

Convido a quem desejar trocar idéias sobre o assunto a sentir–se livre a me escrever. [Webinsider]

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