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Meu tio matou um cara. Pode ler sem susto.

21 de novembro de 2002, 0:00

Primeiro livro de Jorge Furtado é tão bom quantos os curtas e minisséries que ele já escreveu, às vezes em flerte com a ficção científica. Agora são doze contos com algumas influências da internet.

Por Fábio Fernandes

Meu tio matou um cara. Gostei.

Estou me referindo a um livro. Meu Tio Matou um Cara (Editora L&PM). Do Jorge Furtado. Lembram dele?

Primeira vez que ouvi falar no Furtado foi quando vi o curta Ilha das Flores. Fiquei chapado. Como bom e fiel fã de ficção científica, eu tinha na época (1989) umas idéias sobre escrever uma história do ponto de vista de alienígenas que viessem visitar a Terra. O desgraçado passou à minha frente. Ilha das Flores podia ser interpretado exatamente assim: como um pequeno catálogo de idiossincrasias e perversidades da raça humana para alienígenas de primeira viagem.

E, claro, depois foi a vez de Barbosa (veja ao lado). Um curta muito pequeno com Antonio Fagundes, apresentando como tema o que na ficção científica a gente costuma chamar de paradoxo positivo: um sujeito viaja no tempo para impedir que determinado evento ocorra (no caso, a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950) e ele não só não consegue impedir, como acaba descobrindo que foi a sua própria intervenção que fez com que o fato acontecesse. Ou seja, se o cara não tivesse viajado no tempo, nada daquilo teria acontecido em primeiro lugar. Parece confuso? Não é: vejam (ou revejam) Barbosa que vocês entenderão na hora.

Depois disso vieram outros curtas e minisséries para a televisão. Foi tanta coisa que o Furtado fez que, ao ver o livro recentemente numa livraria, nem me espantei. A surpresa só veio quando eu li na orelha que este é o primeiro livro dele. Primeirão.

Como diz meu pai, pra quem gosta é um prato cheio. E eu gosto muito dos curtas do Furtado. Resolvi conferir.

Doze contos. O conto–título é quase uma novela (trinta e poucas páginas), os demais são bem curtos. Rápidos como convêm a um diretor e roteirista. Mas o que podia ser um cacoete, no caso do Furtado, funciona. Como dizia um famoso slogan da Editora Brasiliense para um livro da coleção Circo de Letras, é um livro que se vê como um filme. Sem parar. Sem sair da poltrona.

O conto–título, obviamente, é uma história policial. Contada pelo ponto de vista de um adolescente gaúcho, não em portoalegrês como as histórias que costumam vir daquela região, mas saboroso de ler do mesmo jeito. Em seguida, Planta Baixa – um miniconto circular e doloroso que tem como protagonista um apartamento. Retrospectiva, Juízo e Paraíso são nonsense puro, mistura de fantasia, ficção científica e humor. Encontro tinha tudo para virar novela das oito – mas uma novela boa: amor e tristeza sem melodrama. O que não surpreende para um cara que me faz um curta chamado Ângelo anda sumido, que dói de chorar.

Eu Sou Atrás (I’m Back) e Os Cinco Macacos são interessantes, mas têm um sabor de coisa requentada para quem está por aqui no ciberespaço. O primeiro é, convenhamos, uma sacanagem do Furtado que qualquer um de nós podia fazer: pegar uma história pornô (ruim) em inglês e traduzi–la automaticamente por um programa desses que abundam na internet e não servem para nada (acreditem, palavra de tradutor).

O resultado fica legalzinho, mas todo mundo já fez isso – Furtado apenas foi mais esperto e publicou. Já o segundo é noventa por cento chupado de um spam que circulou muito pela rede no ano passado: a história dos cientistas que colocaram um grupo de macacos numa jaula com uma escada e um cacho de bananas. Apenas o final é diferente. E engraçado, admito. Mas não precisava, Furtado.

O conto que fecha a coletânea, Velásquez e a Teoria Quântica da Gravidade, é bom que só. Ainda que o livro fosse ruim (e é ótimo), valeria a pena comprá–lo por causa desse conto, em que Furtado mistura o pintor espanhol com mecânica quântica, teoria da relatividade e sonetos portugueses, lagartixas e Stephen Hawking – e não me perguntem como, mas dá certo.

Meu tio matou um cara. Gostei. [Webinsider]

Sobre o autor

Fábio FernandesFábio Fernandes (zeroabsoluto@gmail.com) é jornalista, escritor e tradutor. Mantém o blog Pós-estranho.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ livros ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Meu tio matou um cara. Pode ler sem susto."

Marcelo de carvalho Souza Data: 19/09/2006 às 5:19 pm

Atividade: Trabalho

Cidade: Ceilândia

Gostaria De Receber o Contéudo do Livro”Meu Tio Matou Um cara”.

marlene diniz zanotta vieira Data: 07/04/2008 às 9:02 pm

Atividade: professora/trabalho

Cidade: brasilia

Gostaria de receber alguma coisa relacionada ao livro “meu tio matou um cara” de Jorge Furtado.
resumo, trabalho, perguntas sobre o livro etc…
Agradeço Lene

michelle Data: 08/10/2008 às 2:53 pm

Atividade: ESTUDANTE

Cidade: sao paulo

o liivro e o filme é muito bom …maravilhoso

perfeito …muito bom

Daniel Felipe Data: 10/11/2008 às 6:22 pm

Atividade: estudante

Cidade: Santo Antônio do descoberto-Go

Gostaria de receber cinco questões sobre o livro Meu tio matou um cara.

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