Juventude é qualidade para ganhar pouco
19 de novembro de 2002, 0:00Tragédia grega nas relações de trabalho: o júnior toma o lugar do sênior para reinar sem maturidade, lá colocado pela mãe cujos interesses não têm muita grandeza. A seqüência emenda num tango argentino.
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Júnior era um garoto que tinha um pai com nome feio. Assim, como a homenagem ao nome do progenitor foi inevitável, a humilhação diária era evitada e, em vez de Ariosvaldo ou Temegúrcio – o que o deixaria com cara de adulto, ou de um anão –, o menino era carinhosamente chamado pelo final do seu nome.
Hoje em dia acontece algo parecido, em outra turma que não a da rua que ouvia a mãe chamar o Júnior para tomar banho. O nome do pai no caso é Editor de Conteúdo. Uma função nobre, com um nome até aceitável. Mas como tem gente receosa, com toda razão, da remuneração que uma função desta pode acarretar, chamam carinhosamente de Júnior. E só chamam o Júnior.
Três sites simultâneos com linhas editoriais completamente diferentes? Chama o Júnior. Um portal de entretenimento que precisa, além dos textos diários, de ações de marketing muito bem pensadas? Chama o Júnior. Acompanhar gerenciamento de projeto dentro do ambiente da intranet de uma grande empresa, com negociação de prazos, equipes e tudo mais? Chama o Júnior.
A necessidade da presença do Editor é até percebida pelo cliente, mas ele prefere chamar o Júnior. Ele só precisa comprar sua câmera digital e ganhar o suficiente para a balada. O Júnior faz e pronto. E, o melhor, o Júnior é barato.
Este cenário está gerando uma tripla injustiça.
A empresa sofre com baixos resultados, com falta de pensamento estruturado e a longo prazo. Sua imagem na inter, intra ou extra, em todas as NETs, fica prejudicada, porque da mão do Júnior, coitado, só saem coisas apressadas.
O Júnior, justiça seja feita, não tem culpa. Ele vai trabalhar, se esforçar e vai ser um excelente profissional. Mas não se queimar sua trajetória agora. Um cargo na hora errada arrasa a perspectiva profissional de qualquer um.
E o Editor de Conteúdo, pleno ou sênior, sofre igualmente. Trabalhou em diversas empresas, foi premiado, acredita no seu potencial, mesmo nas marés baixas tenta se equilibrar no mercado aqui e ali, mas o Júnior sempre aparece como potencial rival.
Acho até que devemos reescrever a famosa tragédia grega em que o filho toma o lugar do pai, dorme com a mãe e fura os olhos no final. Nestes tempos de muita informação, o pai precisa tomar o lugar do filho, aceitar o que a mãe quiser pagar e ficar de olhos beeem abertos. [Webinsider]
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1° Aufredo Júnior Data: 11/09/2008 às 7:03 pm
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Pessimo artigo.