Webinsider

Negócios

Vamos aprender usabilidade na marra

29 de outubro de 2002, 0:00

O 6o. Encontro de Web Design tratou a usabilidade como assunto difundido. Se o mercado já está mais permissivo a profissionais preocupados com este foco em seus produtos, o caminho é longo ainda.

Por Nenhum

Livia Labate

O 6o. Encontro de Web Design organizado pela Arteccom no último sábado serviu para mostrar uma característica muito marcante do mercado de trabalho da internet brasileira: o hiato entre aqueles que estudam e iniciam sua carreira na área (montes deles!) e aqueles que se estabeleceram no meio e extrapolam suas atividades na construção de sites, indo muito além do projeto (os chefes daqueles!).

Esta edição do evento tinha tudo para ser um grande sucesso, pois o enfoque em usabilidade na internet, permitiria que, pela primeira vez, os palestrantes (incrivelmente qualificados) explorassem o modelo de produção na internet como um continuum, ao contrário da colcha de retalhos que origina muitos dos projetos ainda hoje desenvolvidos.

No entanto, este hiato se mostrou muito grande; as palestras não se aprofundaram em seus temas como poderiam e houve uma penetração mínima, se não irrisória, de conceitos importantíssimos naquele público faminto por peças vencedoras em concursos internacionais.

O interesse do público pelo conhecimento que os palestrantes tinham a oferecer estava muito aquém do conteúdo das palestras; a excelente iniciativa de iniciar uma discussão aberta sobre usabilidade (e suas implicações no resultado do trabalho de todos estes profissionais), acabou limitando–se a poucas e superficiais questões que não serviram para elucidar o quão essencial é a discussão deste tema, em especial para aqueles que estão começando e ainda não possuem os vícios do mercado.

Uma pena. Fazer o que, não é? Em suma, vamos ter que aprender na marra. A questão sobre usabilidade de sites extrapola discussões técnicas de metrificação e não há opção para estes profissionais, novos ou velhos, senão entender e trabalhar conforme as melhores práticas.

“Usabilidade no web design é a ergonomia do design tradicional” colocou Luli Radfharer durante a mesa redonda sobre o tema, mediada por Pyr Marcondes do jornal Valor Econômico, onde as definições de usabilidade de cada palestrante diferiam, porém complementavam–se. O problema com esta discussão e o pouco entendimento do público devem–se ao aparente não entendimento do “produto internet” como um projeto de longo prazo e de que um website comercial não se trata de uma peça artística.

Um dos motivos que dificultaram a discussão foi a curiosa extinção do foco em negócios ao se tratar de um projeto, que havia sido um grande avanço do 4o. EWD. Não é possível para o designer que se forma hoje não se preocupar com o negócio em si; este aspecto precisa ser focado durante todo o desenvolvimento de seu trabalho. A visão holística da produção web, especialmente estrutura de projeto e planejamento, não foram enfocadas nesta edição do evento e toda a fundamentação de arquitetura da informação muito bem colocadas no passado foram aparentemente esquecidas (veja a matéria sobre o 4o Encontro).

Pelo fato da discussão não vincular usabilidade e negócios de forma explícita, o tema tornou–se demasiadamente abstrato (como se já não o fosse suficientemente!) e o público não pareceu absorver para que servia esse tipo de preocupação. Questões primordiais da venda do trabalho de teste de usabilidade para o cliente como o retorno sobre investimento ficaram sem resposta clara. Se o profissional não sabe definir ou mensurar o ROI, como é que ele vai vender isso?

O que ficou mais obscuro na discussão foi a indefinição sobre definições. Explico: uma das perguntas do debate referenciava um paralelo que >André de Abreu fez entre cadeiras do mundo físico e websites. De modo geral, dizia que todas as cadeiras enquanto peças de design possuem características comuns e servem a um objetivo claro, então por que websites não deveriam também possuir características comuns? E mais, por que essas características recorrentes não poderiam ser reunidas como guias para a produção de novos projetos?

O problema gerado por este paralelo tão razoável foi a tendenciosidade fervorosa de alguns participantes contra o trabalho de Jakob Nielsen, e suas compreensões equivocadas de “práticas de usabilidade” como “regras” em oposição a “práticas comuns”. A partir daí ficou muito difícil explorar o tema porque alguns passaram o resto do evento refutando toda e qualquer forma de guidelines como o anticristo.

Não obstante este problema central, foi possível apontar certas características muito importantes no âmbito da usabilidade como:

· A primordialidade do foco no usuário

· A falácia da usabilidade em detrimento à estética
· A necessidade de teste com websites como em qualquer outro software

· A usabilidade como facilitador na curva de aprendizado de um novo produto

· A preocupação com usabilidade durante TODO o projeto

· O desafio de vender “usabilidade” num mercado de práticas informais

Estes temas são bastante ricos em detalhes e, explorados, podem funcionar sólidos como pilares para a construção do novo modelo de internet que vemos refeito no momento atual. O crescimento do mercado depende da difusão destas questões bem como alternativas a suas respostas. Será ideal que o próximo EWD atenha–se ao tema de usabilidade na internet, explorando estas questões a fundo, não partindo do princípio que já é um assunto difundido.

Os mercados brasileiro e mundial já estão mais permissivos a profissionais preocupados com a usabilidade de seus produtos. Vender usabilidade dentro do pacote do projeto web não é mais uma tarefa impossível, é apenas um serviço pouco conhecido. Da mesma maneira que o cliente precisa ser educado e elucidado quanto à necessidade de testes de usabilidade, o profissional entrante no mercado precisa aprender a criar e desenvolver com a mesma preocupação em mente. Cabe neste momento às escolas de design e aos profissionais estabelecidos difundirem a idéia de internet como produto. Vamos aprender na marra mesmo! [Webinsider]

Sobre o autor

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Sem Categoria

Comentários

Ninguém comentou o artigo "Vamos aprender usabilidade na marra"

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider