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Carreira - Pequenas empresas

A grande lei do taxímetro reverso (o projeto solo)

14 de outubro de 2002, 0:00

Orçamentos ditados pela média do mercado nos obrigam a agir de forma diferente em cada projeto, avaliando variáveis mais amplas do que o quando e o como. O segredo é acertar na dosagem.

Por Mauro Amaral

Acho que 102% dos meus 3 leitores já andaram de táxi, não? Pois bem. Vou usar uma analogia aqui, batizada no título deste post, que ilustra o trabalho cotidiano de um friloprofissional. Seja você redator, designer, programador, gerente de projetos, ou qualquer outra função inventada com o advento e posterior encolhimento das profissões relacionadas à mídia interativa, enfim, seja você um dos loucos que entrou na época do boom, ou um dos celerados que, como eu, continuam após a quebradeira, preste atenção.

Imaginemo–nos como taxistas pós–modernos que, guiados por uma fúria sócio–comunista, fixamos nossos taxímetros em R$ 50 por corrida, com quilometragem livre. O preço foi meio escolhido e meio ditado pela média do voraz mercado de motoristas–de–praça–formados–em–auto–escolas–fora–do–país. Acho que nos demos bem, pensam os motoristas menos experientes. Nem sempre, nem sempre.

Pequeno projeto sem rumo. Primeira corrida do dia. Você passa ali pelo Largo do Machado e uma agradável senhora faz sinal. Ela quer ir até a Glória. Vamos entrando, senhora. Você é todo sorrisos, afinal, uma senhora educada, com bom papo e inteligente, quem não quer como passageira? Só que ela pára em cada loja de papelaria porque precisa achar um raro camafeu, com o qual irá enfeitar a lapela de seu tailleur. De nada adianta, com sua experiência, você alertar que a probabilidade de achar um camafeu numa papelaria é quase nula. Ela está pagando R$ 50 por uma corrida de poucos quilômetros, esbraveja. Você amaldiçoa os motoristas–de–praça–formados–em–auto–escolas–fora–do–país.

Grande projeto mal estruturado. Três horas depois, você deixa a senhora na Glória. Mal dobra a esquina, um executivo de 30 e poucos anos faz sinal. O cara é simpático, quis vir no banco da frente, e quebrado o gelo, admite: já foi taxista e tem uma idéia genial de como mudar a tarifa e até mesmo, pasme, o combustível usado. Seu combustível será revolucionário. Poucos mililitros garantirão um autonomia de váaarios quilômetros. Está quase tudo certo para a aprovação junto ao Ministério de Minas e Energia e ele até lhe faz uma proposta: quer ser o pioneiro? Você usa o combustível durante um mês e depois tem que deixar o carro para perícia e tal.

Você finge que desconversa e entrega o passageiro do outro lado da cidade. Por R$ 50 reais você escutou a idéia dele, quase que aceitou colaborar e perdeu a tarde toda para levá–lo da Glória até Pedra de Guaratiba, via Barra, exigência dele. O papo foi bom, você faz justiça, mas os R$ 50 mal deram para a gasolina. Se pelo menos eu usasse o combustível que ele inventou…

Um projeto adequado. Então, voltando para a casa, com certeza do prejuízo, uma família faz sinal. Eles querem ir do Leblon para a Tijuca, onde você mora. As crianças são comportadas e o pai simpático, mas sem exageros, admite que até enfrentaram algum perigo para atravessar a Visconde de Pirajá na mão certa para evitar retornos e assim deixar você no prejuízo. Depois das despedidas , você os deixa a duas quadras de sua casa, passa do posto e percebe que conseguiu lucrar R$ 50 reais com três corridas. E tivesse feito só a última, daria no mesmo. Você entende que os motoristas–de–praça–formados–em–auto–escolas–fora–do–país acertaram sem saber. Ou então você encontrou um furo no sistema deles.

Se você é friloprofissional, já passou pelas três situações. Um pequeno projeto sem rumo superdimensionado pelo cliente que leva você a perder tempo e dinheiro. Um grande projeto mal estruturado, gerenciado e comandado pelo cliente que faz você perder tempo e dinheiro e, claro, um projeto honesto, nem maior nem menor do que seu tamanho necessário, às vezes grandes e às vezes diminutos, mas que fazem valer cada centavo dos seus R$ 50.

Como bom profissional que é, experiente, ou em experiência, deve aceitar os três. A diferença está na dedicação (sim! Você pode se dedicar ao que te interessa, esse é o segredo): o primeiro você aceita e administra o prejuízo, o segundo você aceita e administra o tempo (baixando sua prioridade na sua lista de tarefas) e o terceiro é o único que você admite que está fazendo em público, administrando a visibilidade e seu portfolio.

Brevemente vamos aprender a fazer os R$ 50 renderem mais com regrinhas simples. Aguardem. [Webinsider]

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Sobre o autor

Mauro Amaral (carreirasolo.org@gmail.com) é redator, arquiteto de informação, estrategista de conteúdo e editor do CarreiraSolo.

Apoio:

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