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Zen e a arte de deixar o computador invisível

25 de setembro de 2002, 0:00

O ideal em uma máquina é que você nem se lembre dela quando a usa. Pilote uma motocicleta na estrada e sinta o vento e a paisagem. Já o computador costuma perder o ponto de equilíbrio freqüentemente.

Por Carlos Nepomuceno

Feche os olhos e imagine–se dirigindo seu carro à beira de uma praia deserta: vento, sol, mar…

Agora, com o mesmo automóvel, cruze um vale cheio de árvores, montanhas e um céu muito azul. Por fim, guie em um deserto quente, muita areia e calor escaldante. Conseguiu?

Em algum momento pensou no carro? Cheguei a conclusão, aqui com meu mouse e teclado, depois de muito refletir, que ficar invisível é o principal objetivo de qualquer tecnologia

Quanto mais confortáveis nos sentimos, mas ela desaparece.

Podemos chamar esse momento sublime de ponto de equilíbrio com as máquinas, ou se quiser ser pedante, invisibilidade tecnológica. Na verdade, todos os usuários, de qualquer tecnologia, procuram chegar nessa meta e preservá–la.

Com o computador, a chegada nesse ponto de equilíbrio é muito mais complexa por vários motivos:

O micro tem múltiplas possibilidades. É mais instável, do ponto de vista mecânico, que um carro. Tem uma parte lógica, softwares, que podem ser alterados pelo dono, algo ainda não disponível em um automóvel. É atacado constantemente por vírus, que desejam quebrar esta sintonia.

Estamos constantemente modificando os nossos objetivos e, para isso, tentamos de forma contínua melhorar ou modificar a sua performance: implantamos novos programas, versões, placas e periféricos. Nesse processo, o que fazemos, na verdade, é ajustar um tripé complexo com as seguintes variantes:

Escolher a ferramenta (software e hardware) que atenda os nosso interesses naquele momento. Conhecer os recursos para poder usá–los de forma adequada. Ajeitá–los a gosto e optar pela nossa melhor forma de utilizá–los.

Quando conseguimos esse equilíbrio, vestimos a capa de invisibilidade no equipamento. Ele deixa de existir e passa a ser parte integrante de nós. Some a separação homem–máquina, que se integram para produzir.

Quando mudamos os nossos objetivos, modificamos algo no equipamento ou resolvemos mudar a forma de operar iniciamos o ciclo à procura de nova harmonia. Geralmente, esse momento, quando não planejado, é traumático.

Um usuário mais experiente só modifica o ponto de equilíbrio através de um planejamento, pelo controle que já adquiriu do ambiente. Consegue também, através de backups e ferramentas, preservá–lo, mesmo que aconteçam acidentes com o hardware ou software.

Um leigo geralmente é mais sujeito à ataques de fatores externos, perde o ponto diversas vezes durante a jornada, até entender a importância de preservá-lo.

Saber preservar o ponto de equilíbrio faz parte da harmonia. Assim, as máquinas, na verdade, nascem para ficar invisíveis e nos ajudar a chegar aos nossos objetivos.

Imagine-se agora na mesma praia: sol, pneu furado, vento, bateria arriada, mar e cabeça quente. Agora, me diga, existe algo além do carro? [Webinsider]

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Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

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