A intranet, de prima pobre a popstar (parte 1)
24 de setembro de 2002, 0:00Existe o mito de que a intranet sozinha revolucionará a cultura da empresa. Não é bem assim: ela é um instrumento do novo que enfrenta uma cultura não colaborativa. Mas tem um belo papel a representar.
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As intranets quase sempre aparecem como coadjuvantes, mas estarão em destaque nesta série de artigos que agora iniciamos, sempre apresentadas pelo viés da Gestão do Conhecimento.
Vamos falar de conteúdo, endomarketing, arquitetura da informação, cultura corporativa, era do conhecimento, novos paradigmas e muito mais. Esperamos que, ao final da série, você esteja mais preparado para fazer da sua intranet uma verdadeira popstar da empresa.
Parte 1: desconstruindo mitos
Se você já está pensando no que fazer para, na prática, colocar sua intranet no centro das atenções, isso é um ótimo sinal. Afinal, como veremos mais tarde, somente intranets quentes são vencedoras.
Entretanto, como dizia minha avó, “apressado come cru”. A regra número um é evitar o imediatismo, que nos faz pular etapas importantes, saltando direto para a construção do html. Assim, nesse primeiro artigo, vamos derrubar três mitos equivocados, infelizmente ainda muito presentes no meio corporativo. Sem isso, há uma grande chance de começarmos errado – e, nesse caso, tudo fica mais difícil.
1º mito: intranets são uma versão corporativa da internet
Essa é uma idéia muito disseminada, concorda? Ela é alimentada, em grande parte, pelos livros sobre internet. Neles, dez capítulos falam na grande rede, enquanto que apenas algumas poucas páginas abordam a intranet, quase sempre para dizer algo como a intranet é uma internet adaptada.
De chineses e americanos. Façamos um paralelo: se colocarmos o Jet Li ao lado do Clint Eastwood, vamos notar que ambos são humanos – mas não são iguais. Eles compartilham a mesma anatomia, são atores e… só. Seja no formato dos olhos, nas crenças ou no sistema político, são totalmente diferentes, como bem lembrou Caetano ao criar o célebre verso “onde queres cowboy, eu sou chinês”.
Da mesma forma, a intranet, apesar de ser “anatomicamente” igual à internet, está muito distante da prima mais velha. O motivo? É simples: assim como chineses e americanos, elas vivem em ambientes culturais profundamente distintos.
Intranets são filhas de corporações, que possuem cultura singular e ambiente controlado; já a “grande rede”, como o nome indica, não conhece fronteiras. Vale também lembrar que a internet nasceu libertária e anárquica, enquanto as “intra” estão diretamente associadas à produtividade e ao lucro desde o seu nascedouro, em 1996. E isso muda tudo, acredite.
Infelizmente, ainda há muita gente boa que não notou o óbvio e, por conta disso, vive tentando fazer da intranet uma adaptação da internet… Um caminho “fácil”, mas também um belo empurrãozinho para o fracasso, eu diria. Afinal, nenhum erro é mais grave e impactante do que o erro conceitual…
Solução. Para fugirem do destino de descrédito ou de prima pobre, as intranets precisam ser concebidas como parte da estratégia corporativa. Precisam ser criadas e cuidadas com o máximo profissionalismo. E precisam, sobretudo, estar focadas no peopleware (e não no hardware), já que sua principal função é alavancar o capital intelectual das empresas, dando sustentação à Gestão do Conhecimento. Esse é o caminho mais difícil – mas também o único.
2º mito: intranets são sinônimo de produtividade
Ainda assim, há quem opte pelo caminho fácil. Para esses, intranets são a encarnação na terra de conceitos como economia, rapidez e produtividade.
Assim, para conseguir todos esses benefícios, começam pela criação de um repositório no servidor, coletam informações que julgam serem úteis a todos, usam um browser como front end e… está pronta! Ninguém se preocupa em divulgá–la, já que, sendo tão útil, evidentemente será muito visitada… No início, o pessoal que tomou a frente (geralmente da área de informática) faz algumas atualizações esporádicas. Mas logo ela se torna rígida e velha, os acessos caem e a desmotivação toma conta.
Comprando elefante branco por lebre. Já viu esse filme? Pois é, ele anda reprisando por aí… É por isso que cresce o número de empresas descrentes no poder desta nova ferramenta. O problema é que, ao pegarem atalhos, as empresas pensam estar construindo rapidamente uma intranet, mas estão criando apenas um elefante branco… Sem planejamento, forjada apenas pelos profissionais de informática, sem envolvimento dos usuários e sem patrocínio da alta direção, qualquer intranet está fadada ao ostracismo (ou seja, à morte).
Solução. É preciso ter coragem para afirmar: intranets dão trabalho. E não há nenhum backbone ligando as palavras intranet e produtividade, embora intranets possam realmente trazer este e outros benefícios para uma empresa, desde que bem utilizadas. Mas isso requer participação, planejamento e investimento. Do contrário, como vimos acima, ao invés de redes maravilhosas, elas podem ser apenas sinônimo de teia e poeira…
3º mito: intranets revolucionam a cultura da corporação
Infelizmente, mesmo nos dias de hoje, muitas empresas ainda contém feudos. Neles, cada um defende o seu território e cobra pedágio para dar acesso às informações que gerencia. Para mudar isso e colocar ordem na casa, só mesmo uma intranet, certo? Errado…
Não espere que os senhores feudais achem a intranet um bom negócio. Ou seja: aquilo que para muitos pode parecer um enorme benefício (compartilhar conhecimento, por exemplo) é visto por alguns como uma grande ameaça.
Máquina do tempo. No início do século XX, o automóvel era uma grande novidade. E muitas pessoas, ao olharem para ele, perguntavam: “oras, mas onde estão os cavalos?”. Engraçado, não? Mas as empresas, hoje em dia, estão fazendo o mesmo: olham para a intranet e não conseguem entender exatamente como ela funciona. Sentam ao volante, mas se surpreendem quando não encontram o chicote…
Há algo em comum nestas duas situações de conflito: a época de transição. Enquanto as intranets são crias da era do conhecimento (do século XXI), a grande maioria das empresas ainda está com a cabeça na era industrial, típica do século passado (fora aquelas que nem saíram do feudalismo, como vimos).
Todas já notaram que precisam se modernizar. Vivem ouvindo falar em “Era do Conhecimento”, “Inteligência Competitiva” e “Capital Intelectual”, mas não sabem bem do que se trata. E ouvem dizer também que a intranet é um dos “teletransportes” para esse novo mundo. Resultado? Lançam a ferramenta e pensam que pegaram o foguete da história… só que estão perdendo o bonde.
Mudar paradigmas (modelos) significa mudar valores. A intranet é um instrumento do novo milênio vivendo numa cultura ultrapassada. E, ao invés de revolucioná–la, está sendo, em muitos casos, morta por ela. Afinal, de que adianta colocar uma ferramenta, que só funciona onde há colaboração, se nossas corporações ainda são muito hierarquizadas, com estímulos claros ao individualismo e à competição?
Solução. Mudanças culturais são necessárias. E levam tempo. Mas não podemos ficar paralisados diante do novo. Precisamos caminhar em direção a ele, mas não dá para correr. Lembre–se: é preciso dar um passo de cada vez, pois estamos reaprendendo a andar.
Assim, intranets, por si só, não são capazes de transformar a cultura empresarial, pois, como já vimos, são somente uma ferramenta. Poderosa, sem dúvida, mas não mágica.
Se a sua intranet for parte de um projeto muito maior, de reestruturação e mudança, baseado em ações de endomarketing, motivacionais e de discussão de valores como Missão e Visão, poderá dar sua parcela de contribuição. Mas, mesmo neste caso, as mudanças virão muito mais em função do que for feito fora da área de informática, acredite.
Assim, não basta instalar essa nova ferramenta para levar a empresa ao novo milênio. Ao contrário: é preciso mudar a mentalidade e os paradigmas não só das corporações, mas também da sociedade, para entender plenamente como as intranets funcionam. Só então poderemos aproveitar toda a sua potencialidade. [Webinsider]
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1° Brunella Figueiredo Data: 25/10/2006 às 4:42 pm
Atividade: Estudante de Administração
Cidade: Vitória
Olá!
Gostaria de saber o significado da palavra “intranet”. No artigo vc diz q se perguntar a algum técnico em TI sobre o assunto ele te responde q é um monte de computador interligado, mas com programas independentes.
Mas como isso pode revolucionar minha empresa?