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Centros de produção em artemídia estão vivos

13 de agosto de 2002, 0:00

Conheça os media centers, locais de ensino e experiência, onde artistas e técnicos procuram soluções para intervenções em arte digital em lugares públicos. O Brasil poderá ter um também.

Por Paulo Rebêlo (reportagem)

Não obstante a falta de um consenso sobre a definição de artemídia (veja matéria ao lado) durante o Emoção Art.ficial em São Paulo, reconheceu–se que vários países não hesitam em investir na pesquisa tecnológica para a produção artística. Os chamados media centers são centros–laboratórios onde artistas, técnicos e estudiosos se empenham em buscar soluções e respostas para a arte digital.

O Experimenta é o principal media center da Austrália e um dos mais conceituados no mundo. Diferentemente do que possa parecer, a noção de arte digital não é recente. De acordo com Fabianne Nicholas, diretora do Experimenta, há 15 anos que o grupo pesquisa a convergência de mídias na produção de arte.

“Nosso foco é explorar e estimular novas idéias, novas soluções. Na Austrália, arquitetos começam a usar a arte digital no lugar da arte tradicional, em museus, parques, pontos turísticos e outros locais públicos. Tem dado muito certo”, garante Nicholas.

Fica no Japão um dos media centers mais requisitados. É o IAMAS (International Academy of Media Arts and Sciences), responsável pela educação técnica e prática dos criadores de arte digital no país.

Com uma abordagem mais acadêmica, mas sem esquecer a prática, o IAMAS oferece mestrado em Art & Media e programas de bolsas para artistas estrangeiros. De acordo com Itsuo Sakane, diretor do IAMAS, vários artistas conceituados em artemídia passaram pelo centro, fundado em 1996.

Audrey Navarre, da Daniel–Langlois Foundation (Canadá), falou um pouco sobre a fundação. Artes, ciência e tecnologia são os focos dessa organização privada e sem fins lucrativos, criada por Langlois em 1997. Segundo Navarre, o objetivo do grupo é ampliar o conhecimento no campo artístico e científico, combinando os dois com a ajuda da tecnologia.

Um ponto interessante, e pouco abordado até então, é que a fundação comandada por Navarre também pesquisa e procura disseminar o pensamento crítico sobre o modo como a tecnologia afeta a vida em sociedade, sobretudo no quesito cultural.

“Queremos tornar públicas informações sobre a história e as práticas modernas de arte eletrônica e mídia digital, mas também tentar reconhecer como todas essas tecnologias estão mudando nossas vidas” reconhece Navarre.

Há media centers espalhados mundo afora, dentre os quais se destacam ainda o Ars Electronica Futurelab (Áustria), Art+Com (Alemanha), Arte Alameda (México), Sarai / Raqs Media (Índia) e V2_Organization (Holanda) e ZKM Center (Alemanha), entre outros.

O Brasil ainda não tem um media center próprio. O Itaulab, laboratório de mídias interativas do Itaú Cultural, tende a se tornar o primeiro no país. Segundo Ricardo Oliveros, diretor–executivo, a oficialização pode ocorrer ainda este ano. [Webinsider]

Sobre o autor

Paulo Rebêlo (rebelo@webinsider.com.br) é subeditor do Webinsider.

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