Sou profissional interativo? Ou não sou?
10 de agosto de 2002, 0:00As questões e dificuldades na busca em separar o joio do trigo no mercado profissional.
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Esta é uma resposta colocada à uma mensagem eviada para a lista de discussão WDDesign sobre a validade de se usar o selo de uma associação em seu site, como maneira de dizer eu sou diferente, porque sou um associado.
Isso leva à discussão de como determinar se alguém é ou não um profissional do meio de internet. Abaixo, segue na íntegra o que postei na lista de discussão como resposta.
Vou colocar o que eu já falei para o Edson Romão, presidente da Abraweb, certa vez ao telefone, e que é a minha opinião sobre ser associado ou regulamentar a profissão do webdesigner ou webdeveloper, depois de estar envolvido com as mesmas questões na Promit durante quatro anos.
É simples.
Para você dizer se alguém é ou não é um profissional de determinada área, é preciso a definição e a oficialização de um currículo básico de disciplinas que este profissional deve saber. Isso envolve um curso com professores e avaliações e envolve avaliar se o curso realmente está ensinado de forma adequada. Isso é exatamente o que o MEC faz com as universidades e o Provão.
A pessoa é arquiteta reconhecida pelo MEC, porque fez faculdade oficializada. Para não ir tão longe, este curso poderia também ser um curso técnico, de curta duração, o que for. Desde que haja um consenso sobre as disciplinas básicas e um órgão verificador.
Se não dispomos deste esquema acadêmico montado, não há forma oficial de
fazer a distinção entre um profissional e aquele que se diz um profissional.
(Por favor, não quero entrar no mérito se basta fazer faculdade para ser um profissional, ou se quem não tem faculdade não é profissional. Eu não acho que baste. Só estou citando o exemplo de boa parte das profissões brasileiras).
Na falta deste sistema para verificar profissionais de internet, num momento em que ainda era preciso conhecer muito pouco para se trabalhar nesta área, a maneira que a Promit encontrou para fazer esta distinção foi uma avaliação arbitrária, à qual as pessoas se comprometiam a se submeter.
Tínhamos um conselho fundador da Promit que julgava os trabalhos de candidatos à associação e decidia se eles podiam ou não se associar à Promit. Ser um associado da Promit portanto, não era equivalente a ser um profissional do meio, já que não havia a regulamentação de um órgão oficial. Mas era ter o reconhecimento de fazer parte de uma associação de profissionais que buscava fazer esta separação e que havia reconhecido o seu
trabalho como de nível profissional de acordo com os padrões arbitrários desta entidade.
Neste caso, o associado teria direito de usar um selo da Promit que remetia à um número de cadastro específico que confirmava seu profissionalismo. Este projeto do selo não chegou a ser levado adiante.
Usar um selo de uma associação só porque se fez o cadastro, é demonstrar a boa intenção da pessoa em trazer seriedade para o mercado, mas não pode ser encarado como uma garantia de profissionalismo enquanto não houver algum tipo de seleção ou discriminação qualquer. Já que a rigor, qualquer um pode fazer isso, sem que seja avaliado de qualquer forma.
Por que a Promit deixou de fazer esta seleção e por que deixou de existir? Também é simples.
Consideramos que não há mais um único profissional de web. Há diversos profissionais que trabalham com esse meio e que partem de diversas escolas e formações. Consideramos portanto que é responsabilidade de cada área profissional preparar o seu profissional para trabalhar com o meio interativo, dispensando a necessidade de uma associação única de
profissionais de mídias interativas. Ao contrário, voltamos a ter atuando nestas questões as associações de jornalistas, designers gráficos, analistas de sistemas e tantas outras que estão por ai. Todas preocupadas em incluir em seus debates e discussões o meio internet.
Num momento em que nenhuma associação falava ou se preocupava com as mídias interativas e quando a formação para este meio apenas requeria um conhecimento básico de algumas técnicas, a Promit teve a sua função e seu papel. Agora não me parece mais fazer sentido haver uma única associação profissional que congregue todos estes perfis, dada a complexidade que o trabalho para o meio ganhou e até porque lhe faltaria competência para trabalhar com pessoas de formações tão diferentes.
Um abraço, Michel. [Webinsider]
