A subversão é o motor
29 de julho de 2002, 0:00A insidiosa semente de uma nova ordem da sociedade.
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Estou preparado para receber pilhas de e–mails de leitores indignados. Na verdade, já estou acostumado com esses arroubos de moralismo e raciocínios politicamente corretos. Acostumado é um eufemismo. Estou é com eles até as tampas.
Mais de duzentos anos atrás, histéricos revolucionários disseram Todos os homens são iguais, na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Hoje, ninguém teria o topete de colocar em questão tal princípio. Entretanto, não foi assim no século XVIII. Negros e mulheres são iguais aos homens brancos? Uma idéia herética como era aquela de que a Terra não era o centro do Universo ou a que Deus é amor.
Pois a internet nasceu e desenvolveu–se sobre o mais vulcânico dos ideais. O mais revolucionário, subversivo e chocante. O de que, a exemplo dos ideais iluministas, todos têm iguais direitos à informação, independentemente de credo, raça, poder econômico e herança genética.
Essa é a premissa básica da criação de uma rede mundial de informação em tempo real. O princípio gerador, o big–bang.
No fim da escravatura, abolicionistas brandiam os direitos universais do homem em todas as praças. Muitos espernearam: A sinhazinha do Engenho Fundo teria que lavar suas calcinhas? Que revoltante! Em outros meios, moderados alertavam: Mas o que será dos contigentes de escravos agora alforriados? Morreriam de fome?
Fez–se a abolição, e muitos ainda dão um crédito mal–assumido às teses de que a abolição é a principal causa das iniqüidades raciais do País. Ninguém mais, contudo, em sã consciência, teria a coragem de pregar a escravidão.
A internet é a insidiosa semente de uma nova ordem da sociedade. Aquela sociedade em que direitos e deveres dos cidadãos serão revistos e ampliados. Aquela sociedade em que as instituições, privadas e públicas, terão seus campos de atuação e defesa redesenhados.
Um mundo em que todos têm igual direito à informação significa um mundo que irá repensar outros muito arraigados. Como o direito à privacidade. Como o direito à propriedade intelectual.
Ainda que esse mundo utópico possa nos parecer distante e contra o qual bem–pensantes de todo o mundo irão se manifestar, já há sinais claros de perturbação da ordem. A pirataria e o spam são os vilões da vez.
Sábio aquele que neles vê apenas sinais precursores.
Fumaça, pois o fogo está mais embaixo. [Webinsider]
