A web semântica
18 de junho de 2002, 0:00Sobre personalização, games e outras histórias.
Por
Eles te conhecem
Dizem línguas afiadas que a Amazon como empresa já vale mais pela sua inteligência de relação com o consumidor, do que pela operação de varejo propriamente dita. É deveras difícil quantificar tais valores, mas definitivamente a Amazon tem um know–how de compreensão do perfil do consumidor e marketing one to one invejável – o que é teoricamente aplicável em qualquer negócio online envolvendo consumidores.
Eles pensam que te conhecem…
A “Personalização da Informação” é uma ferramenta poderosa para conquistar o consumidor, mas se mal empregada é igualmente poderosa para perdê–lo. Pouquíssimos sites conseguem realmente acertar no alvo do interesse pessoal do consumidor – o que gera toneladas de informação redundante invadindo interfaces e caixas de correio eletrônico. Personalização envolve o desenvolvimento de algoritmos complexos integrados a políticas de DBM com constante monitoramento do comportamento dos usuários. Pesquisas mostram um alto índice de ineficiência nas tentativas de personalização passiva ( feita pelo sistema ) na web, e por tabela, de frustração dos consumidores.
Não estamos sozinhos
Em pouco tempo a web estará povoada de agentes de software que irão executar tarefas para nós: como reservar de um pacote de viagem ou negociar a venda de um imóvel com vários compradores (também agentes de outros usuários). Mas precisamos de uma web com protocolos de comunicação comunitários e descrição mais precisa da informação – para que estas ações possam ser executadas pelos agentes. Ou seja, a informação precisa trafegar livremente entre sistemas, e ter contexto semântico.
A web semântica
A web atual é composta de elementos isolados: palavras soltas, imagens e sons. Porém, estes elementos têm apenas significado individual numa busca. Por exemplo, hoje ao procurar pela palavra casa, esta será encontrada em todas suas ocorrências nas páginas HTML, seja um substantivo ou um verbo. O XML permite que numa página palavras sejam “tagueadas” com seu significado semântico, o que permite que elementos sejam encontrados de forma mais inteligente: “casa” pode ser uma construção arquitetônica ou o ato do matrimônio em terceira pessoa . Assim, XML é um dos fundamentos necessários para que a web se torne uma rede mais “esperta”, em que a informação possui um significado contextual – algo mais próximo da mecânica cognitiva do cérebro humano.
A onda é grande
Tim Berns–Lee, o inglês que inventou a web em 1990, é também líder do World Wide Web Consortium (W3C) e um dos grandes visionários da web semântica. Tim está diplomaticamente pavimentando o terreno nos universos .org e .com para que esta nova fase da web aconteça nos próximos anos. Microsoft ( leia–se .Net) e Sun ( leia–se SunOne) também sabem e apostam nesta evolução, na qual competem vigorosamente para prover as ferramentas e soluções para este mesmo pavimento. O cenário da web esta em profunda mutação – nada de atípico na história da internet ;–)
O Grande Ladrão: entretenimento de verdade
Um best–seller do console de jogos PlayStation 2 chama–se Grand Theft Auto 3. Foi lançado em outubro de 2001 e em pouco tempo tornou–se o jogo que mais rapidamente vendeu para PS2 no mundo: 6 milhões de cópias até agora. Quem já jogou Grand Theft auto 3 sabe que tal performance de vendas não é à toa. O jogo é simplesmente espetacular. Uma das grandes virtudes é o realismo da sensação de imersão na experiência. Talvez o maior desafio para game designers seja reproduzir o número de variáveis que acontecem quando a percepção humana vivencia a realidade no mundo físico. Ou seja, um simples andar pela rua tem sensações táteis, sonoras e visuais de extrema complexidade. Em Grand Theft auto 3, andar pela rua é quase como estar imerso em um filme, no qual você é o personagem e executor da trama ao mesmo tempo.
O Grande Ladrão: Moral e Cívica
A parte questionável de Grand Theft Auto 3 é a sua noção de moral. No jogo você é um marginal que, quanto mais e maiores crimes comete, mais evolui no jogo. Definitivamente não podemos dizer que se trata de material pedagógico, mas o fato é que as pessoas adoram personificar um criminoso que rouba carros, mata velhinhas e recebe encomendas de assassinato da máfia. Façamos votos que o prazer dos 6 milhões de jogadores se limite à experiência virtual.
O Grande Ladrão: fissura
Para quem gosta do jogo, que a certa altura torna–se significativamente neurótico, fique atento pois o desenvolvedor responsável, Rockstar Games, está lançando uma nova versão supostamente ainda melhor – Grand Theft Auto: Vice City. O jogo deve estar à venda nos Estados Unidos a partir de 22 de outubro. [Webinsider]
