Quem disse que era uma meritocracia?
05 de junho de 2002, 0:00Um belo currículo não vai salvar a sua pátria. Hoje é preciso que cada um crie sua própria oportunidade.
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Outro dia recebi o e–mail de uma amiga, pedindo recomendações para o seu sobrinho. O rapaz está terminando engenharia elétrica mas é encantado com programação. A recomendação era se ele deveria ou não fazer determinado curso e certificação. Se isso ia ajudar na carreira de programador e fazer valer o investimento.
Apesar de não ser a minha área, fiquei pensando em como distinguiria os profissionais de programação e me ocorreu que, seguramente, a certificação era algo que se destacaria no currículo dele. A minha resposta foi “não vai garantir nada, mas vai ajudar ele a se manter nivelado com os que também têm certificação”.
E daí, isso me deixou pensando sobre todo esse sistema onde a gente gasta vida e dinheiro em cursos pra compor um belo currículo, para apresentar a uma bela empresa, na esperança de conseguir um belo trabalho.
Faria todo o sentido, se as coisas realmente funcionassem assim. Mas não funcionam.
Minha irmã me contava de uma amiga dela que conseguiu uma posição bacana em um banco. Essa amiga estava se formando ou tinha se formado recentemente e, ainda bem jovem, já estava garantindo uma boa vaga com boa remuneração para a idade.
E daí fiquei pensando, que, sim, era uma boa remuneração para a idade, mas a questão é que essa remuneração não iria obrigatoriamente aumentar proporcionalmente com a sua idade, experiência e cursos acumulados. As oportunidades muito provavelmente diminuiriam com o tempo e com o seu acúmulo de experiência, ao contrário do que seria correto imaginar. Menos vagas pra gente competente e mais espaço pra gente nova e barata.
Mas afinal de contas, quem falou quem vivemos em uma meritocracia? Esse conceito pressupõe que você é remunerado na medida do seu esforço. Do seu mérito.
O sistema no qual a gente se cria faz com que a gente espere que as coisas funcionem exatamente assim, desse jeito: por premiação. E quando as coisas não funcionam assim, da tilt geral na cabeça.
No vácuo da tal ‘crise da internet’, essa situação ficou mais evidente do que nunca no nosso mercado. Quanto mais qualificado o profissional, menos espaço ele encontra.
A lição dessa história? Não tem ‘pai’. Achar alguém que te ‘pince’ no mercado pelo seu ‘puro talento’, é ‘puro acaso’, ou ‘pura sorte’.
Empreender é a saída.
Invente a sua moda. Invente a sua roda. O Sebrae, mais do que nunca, está aí pra ajudar. É hora de deixar de ser ‘filho’, criar sua própria oportunidade e, quem sabe, pinçar gente legal no mercado. [Webinsider]


1° herlanderson Data: 15/11/2006 às 11:54 am
Atividade:
Cidade: São Gonçalo
Trabalho de pesquisa