Webinsider

Criação

Michel Lent Schwartzman
Web à vista

Quem disse que era uma meritocracia?

05 de junho de 2002, 0:00

Um belo currículo não vai salvar a sua pátria. Hoje é preciso que cada um crie sua própria oportunidade.

Por Michel Lent Schwartzman

Outro dia recebi o e–mail de uma amiga, pedindo recomendações para o seu sobrinho. O rapaz está terminando engenharia elétrica mas é encantado com programação. A recomendação era se ele deveria ou não fazer determinado curso e certificação. Se isso ia ajudar na carreira de programador e fazer valer o investimento.

Apesar de não ser a minha área, fiquei pensando em como distinguiria os profissionais de programação e me ocorreu que, seguramente, a certificação era algo que se destacaria no currículo dele. A minha resposta foi “não vai garantir nada, mas vai ajudar ele a se manter nivelado com os que também têm certificação”.

E daí, isso me deixou pensando sobre todo esse sistema onde a gente gasta vida e dinheiro em cursos pra compor um belo currículo, para apresentar a uma bela empresa, na esperança de conseguir um belo trabalho.

Faria todo o sentido, se as coisas realmente funcionassem assim. Mas não funcionam.

Minha irmã me contava de uma amiga dela que conseguiu uma posição bacana em um banco. Essa amiga estava se formando ou tinha se formado recentemente e, ainda bem jovem, já estava garantindo uma boa vaga com boa remuneração para a idade.

E daí fiquei pensando, que, sim, era uma boa remuneração para a idade, mas a questão é que essa remuneração não iria obrigatoriamente aumentar proporcionalmente com a sua idade, experiência e cursos acumulados. As oportunidades muito provavelmente diminuiriam com o tempo e com o seu acúmulo de experiência, ao contrário do que seria correto imaginar. Menos vagas pra gente competente e mais espaço pra gente nova e barata.

Mas afinal de contas, quem falou quem vivemos em uma meritocracia? Esse conceito pressupõe que você é remunerado na medida do seu esforço. Do seu mérito.

O sistema no qual a gente se cria faz com que a gente espere que as coisas funcionem exatamente assim, desse jeito: por premiação. E quando as coisas não funcionam assim, da tilt geral na cabeça.

No vácuo da tal ‘crise da internet’, essa situação ficou mais evidente do que nunca no nosso mercado. Quanto mais qualificado o profissional, menos espaço ele encontra.

A lição dessa história? Não tem ‘pai’. Achar alguém que te ‘pince’ no mercado pelo seu ‘puro talento’, é ‘puro acaso’, ou ‘pura sorte’.

Empreender é a saída.

Invente a sua moda. Invente a sua roda. O Sebrae, mais do que nunca, está aí pra ajudar. É hora de deixar de ser ‘filho’, criar sua própria oportunidade e, quem sabe, pinçar gente legal no mercado. [Webinsider]

Sobre o autor

Michel Lent SchwartzmanMichel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Sem Categoria

Comentários

3 pessoas comentaram o artigo "Quem disse que era uma meritocracia?"

herlanderson Data: 15/11/2006 às 11:54 am

Atividade:

Cidade: São Gonçalo

Trabalho de pesquisa

Ronaldo Pereira Data: 03/04/2007 às 2:47 pm

Atividade: Designer de Interfaces

Cidade: São Paulo

Belo artigo, realmente ilustra bem o que vem acontecendo hoje no mercado.

Foi-se o tempo em que um diplominha na mão e certificados de cursos resolveriam o problema e garantiriam seu sustento.

Hoje quem ganha grana é quem tem idéia!

To lá hoje, me formanado em Design de Interfaces na PUC-SP e honestamente não tenho expectativas de que isso me ajude muito não.. tá.. é um belo currículo, mas e daí? Só vai me permitir trabalhar como subordinado de alguém.

O lance é ter idéia, criar negócio e oferecê-lo pra quem já está na liderança como parceria de apoio.

Os paradigmas de quem atua na nossa área, tecnologia e internet, mudam muito rapidamente e às vezes nos deixam até sem reação..

É realmente um jogo de vida ou morte, sobrevive quem é rápido no gatilho.

Tércio Data: 03/04/2007 às 5:00 pm

Atividade: Estudante e analista em TI

Cidade: Imperatriz

Finalmente encontro alguém que pense igual a mim!
Gostei do artigo, resumiu bem toda a realidade do sistema de trabalho.
O mais interessante, ou melhor, frustrante - ao meu modo de ver as coisas - é cursar uma faculdade. Em uma instituição desse tipo não se aprende algo realmente novo. “Aprende-se” a aprender. E contrariando tudo que se espera, o mercado não vai te aceitar se disser “sei aprender”. Ele vai ignorar vc, fingir q não existe.
E o pior é que sem a faculdade é que a ignorancia cresce. Ou seja: ruim com faculdade, pior sem ela =/
Eu acho q a saida de ser empreendedor é muito complicada aqui no Brasil. O país tem uma das maiores cargas tributárias do planeta! Sai muu…uito caro e arriscado abrir o seu negócio. Mas, em frente às incertezas de um mercado esnobe, quem sabe empreender seja a solução.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider