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Alvaro de Castro
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Golpe de mestre

04 de junho de 2002, 0:00

A falência do Napster.

Por Alvaro de Castro

Como já era esperado, o polêmico serviço de trocas de arquivos MP3 Napster solicitou na terça–feira proteção sob o chamada Chapter 11 nos Estados Unidos. É o equivalente à nossa conhecida falência e evita que credores possam cobrar qualquer dívida da empresa.

Assim, esta passa a poder se concentrar nas suas labores normais, sem ter que dar satisfação a ninguém. No evento dela conseguir se recuperar dentro do período concedido pelo juiz de falências, ela pagará seus devedores e voltará a funcionar normalmente. Se não conseguir, fica todo mundo no prejuízo.

Enquanto é uma medida extrema, no sentido de que é a última chance para qualquer empresa se recuperar, neste caso é também uma manobra estratégica da Bertelsmann. O grupo de mídia, dono da gravadora BMG, dias atrás comprou o polêmico serviço por insignificantes US$ 8 milhões (a quantia é alta, mas não é nada comparada por exemplo ao preço pago pela metade do Mp3.com: US$ 352 milhões…).

Se considerarmos que até a Texaco já passou pelo Chapter 11 e sobreviveu, entenderemos que não é o fim da linha, como acontece no Brasil.

A manobra realmente é um golpe de gênio e merece respeito. Agora a Bertelsmann tem tempo disponível para pagar seus credores e todos eles devem ficar calados. De fato, cobrar de uma empresa que se encontra sob Chapter 11 é ilegal e até dá cadeia!

Dinheiro para pagar os credores não vai faltar: o grupo alemão já injetou US$ 85 milhões no Napster e possui muitos mais para pagar a quem for. E porque não o fez antes? Ora, porque o Napster não era seu!. A empresa foi colocando dinheiro pouco a pouco enquanto esperava o serviço afundar em dívidas, até que chegasse no finalzinho como salvadora da pátria.

Além de enfrentar pendengas jurídicas com todas as gravadoras, a problemática empresa tinha rixas entre seus sócios (o tio do fundador e um investidor queriam US$ 15 milhões cada um para sair).

E por falar em advogados, a Bertelsmann, que coincidentemente é dona da gravadora BMG, pode agora retirar sua queixa e convencer as outras gravadoras a disponibilizar seus catálogos no serviço, que passará a ser pago. A tecnologia para isto já está pronta há meses: o único motivo pelo qual não entrava no ar era porque não tinha nada para vender: nem a própria BMG liberava seu catálogo para a empresa.

Agora que o Napster é da BMG, estou fazendo uma aposta que em no máximo em um mês o novo serviço estará no ar e que as gravadoras retirarão suas queixas em no máximo três meses. Alguém quer apostar? [Webinsider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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